quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Meu primeiro diário foi aos 7 anos de idade. 6 ou 7. Eu acabava de "me formar" na pré-escola, e ganhei de um tio um ursinho formando, pequenininho, com um chapéu de formatura e um diploma azuis. E um diário com um cadeado em formato de coração, rosa.

Eu sempre gostei de escrever, e apesar de reconhecer que a minha habilidade está longe de ser um dom, reconheço que me expresso relativamente bem dessa forma, às vezes acho que até melhor do que falando. Mas eu desenvolvi um pequeno problema por começar a escrever em diários tão cedo.

Não me recordo com detalhes, mas sei que eu tinha uma imaginação fértil quando criança. Eu brincava comigo mesma, criava cenários e situações em locais aparentemente simples e sem atrativos, inventava histórias para os lugares onde andava, e até tive uma amiga imaginária por um tempo.

Quando eu escrevia, levava o mundo imaginário comigo. "Estou de férias, e com saudade dos meus namorados", é uma frase do meu primeiro diário que nunca esquecerei. Obviamente não havia a menor possibilidade de eu ter namoradoS com aquela idade, eu sequer pensava nas diferenças entre meninos e meninas naquela época... mas no fantástico mundo de Carol, tudo era possível.

Vários diários fizeram parte da minha vida. Parei aos 16 anos, no ponto em que era necessário alguns cadernos de 10 matérias por ano para abrigar tanta imaginação. Uma vez, aos 13 anos, resolvi fazer um no computador. Documento de texto no Word com a data, sabe como é. E a minha imaginação me ajudou a me meter em uma enrascada...

Eu imaginei coisas que não devia, e meu pai, que me monitorava de perto (atitude nada agradável, mas não tiro a razão dele...), leu e não gostou nada daquilo. E o pior: pensou que o que eu tinha escrito era verdade. Ouvi muito de algumas pessoas, mas não aprendi a lição. Tive que dar algumas explicações durante a minha adolescência pelas coisas que escrevia.

Hoje eu não tenho mais um diário, mas ainda tenho um mundo imaginário - do qual não falo, pois pareceria pura insanidade - e descobri, essa semana, que a mania de criança ainda deixou vestígios, se aproveitando de uma pequena fraqueza: os meus sentimentos.

Quando começo a escrever sobre eles, vou para outro mundo. Viro uma pessoa neurótica, dramática, depressiva ou absurdamente alegre, dependendo da situação, em poucos segundos. Começo a escrever uma coisa aparentemente racional e prática e, quando vou ver... já escrevi um mundo de sentimentos, que dias depois que leio, não parecem realmente ser meus.

Da mesma forma que na adolescência, "viajar" na hora de escrever me trouxe alguns problemas recentes. Fico feliz de ter descoberto isso e não faço a menor idéia de como resolver esta situação. Talvez esteja na hora de deixar meu mundo imaginário... ou de parar de falar de sentimentos!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Quem me conhece sabe que eu babo com as decorações natalinas que vejo na rua, tradicionalmente como panetone no dia 01/12, e quando não morava com os meus pais, montava uma árvore, fazia ceia e enfeitava a casa toda. Fiz até um calendário de adventos para um namorado uma vez.

Eu gosto do natal comercial. Adoro o clima de felicidade o tempo todo, as pessoas se cumprimentando, sorrisos estampados no rosto.

Acontece que o ano vira, e a grande reunião da família ou dos amigos tem que esperar mais doze meses para acontecer novamente. Infelizmente, para muita gente, é só no fim do ano que toda a mágica acontece.

É por isso que este ano resolvi não participar de um amigo oculto de amigas que só vejo uma vez ao ano nem de ceias de natal para as quais fui convidada na véspera.

Para mim, quando a gente se importa, se importa o ano inteiro. Não dá para compensar a falta de contato com um presente de quarenta reais ou com uma atualização de vida que dura a noite da ceia inteira - afinal, foram 365 dias até ali, muita coisa aconteceu.

Hoje vão me achar desnaturada e vão falar mal de mim. A partir de amanhã, tudo volta ao seu lugar.

Feliz natal!

Israel - parte 3 - Jerusalém

A aproximação da cidade me fez despertar do meu sono embalado pelo movimento do ônibus. Há alguns quilômetros de Jerusalém, já era possível sentir a energia contagiante da cidade. Arrepiei.

A primeira parada na cidade foi entre a Hebrew University e a Hecht Synagogue, onde é possível ter uma vista privilegiada da cidade.

by CarolinaTorresdeCastro
by CarolinaTorresdeCastro













No início da Shehecheyanu, eu já estava chorando quase que compulsivamente. Eu e muita gente. É difícil explicar o sentimento, que começa com o arrepio dos pêlos do braço que vai até o coração, sendo impossível controlar as emoções. Além de todo o significado óbvio da cidade, eu estava realizando um sonho pessoal, ali.

by CarolinaTorresdeCastro

Partimos por um tour pela cidade velha. Há uma lei que exige que todos os prédios sejam feitos com essas pedras brancas. É tudo muito igual, e muito bonito. As ruas são estreitas e há varios becos. Acredito que seja impossível andar naquele lugar sem um bom GPS.

by CarolinaTorresdeCastroApós uma longa caminhada pela cidade, uma visita rápida a um mercado (onde finalmente encontrei o que queria: um camelo de pelúcia para a minha irmã), andamos mais um pouco entre os tijolinhos brancos e, ao chegar em um beco, o guia nos mandou fazer uma fila e fechar os olhos. Pediu que confiássemos nele e nos madrichim, que nos guiariam enquanto estivéssemos de olhos fechados. Enquanto andávamos devagar, ouvíamos um texto muito bonito sobre paraquedistas (postarei aqui depois o texto, se eu encontrar. vale a pena, mas não é o foco da postagem).

Paramos. O guia colocou uma música. Já estávamos impacientes com o climão que estava sendo criado, quando ele nos mandou abrir os olhos, e a intensidade do choro compulsivo aumentou e alcançou mais pessoas.

Na saída daquele beco cujo acesso suponho ser restrito a bons conhecedores da região, a vista mais bonita de toda a minha vida: Kotel, o Muro das Lamentações.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Kotel (Muro das Lamentações), Jerusalém

O que nos convenceu a engolir o choro e sair dali, após pelo menos 15 minutos de um silêncio quebrado apenas pelos soluços e sons de narizes sendo assoados foi que dali iríamos descer para efetivamente conhecer, chegar perto, tocar o muro.

O que senti foi inexplicável. Chorei muito, me fechei, vivi aquele momento sozinha com a minha espiritualidade. Como minha ficha só cai no quando estou no meu lugar de destino, durante as viagens, eu não havia levado um bilhete pronto para colocar no muro. O improviso do bilhete me fez esquecer seu conteúdo, mas sei que o realizar dos meus sonhos já está sendo planejado por D'us. Naquele momento um dos maiores já estava sendo realizado, e foi difícil pensar em algo para escrever.

Tivemos bastante tempo livre para aproveitar o Kotel. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. O local mais bonito que já vi, a energia das lamentações de gerações, o significado pessoal daquele lugar, tudo isso me conduziu a um estado de êxtase extraordinário.

Tendo terminado nosso tempo ali, fomos para o hotel Jerusalem Gold, onde pudemos descansar por algumas horas. Fomos levados pelo ônibus ao Kotel, onde aguardamos a chegada, e em seguida celebramos o Shabat.

Por motivos claros eu não tenho nenhuma foto do coral de soldados ou dos ortodoxos presentes no local. Foi lindo, mas passamos somente o tempo necessário lá. A caminhada (pelos mesmos motivos) na volta até o hotel durou quase duas horas.

Não me lembrava da última vez em que senti minha alma tão lavada quanto naquele dia. Dormi absolutamente em paz naquele Shabat.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mudança à frente

Depois de vários posts de rascunho com desabafos incompletos, cheguei à conclusão que eu só posso estar no meu inferno astral. Aquele mês anterior ao seu aniversário, quando tudo sai do eixo, sabe? É o que dizem. Não sei se acredito, mas é a única coisa que pode explicar as crises que estou tendo nas últimas semanas.

Mas com intervenção ou não dos astros, o fato é que as crises que passamos não podem ser definidas apenas pelo desconsolo, o choro fácil e pelas mudanças abruptas de humor que nos afetam.

Na superfície ou no lá no fundo da nossa mente, a crise trabalha nossos conceitos, atitudes e valores. O sentimento de inconformismo com a vida não é culpa dos problemas familiares, das pessoas complicadas com quem convivemos, do dia estressante, da desilusão com as pessoas ou de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Passamos por essas situações quase todos os dias sem nos descabelar.

Como o movimento das placas tectônicas no planeta, que na maioria das vezes é imperceptível, mas que vez ou outra gera um tsunami ou um terremoto, as crises existenciais são os desastres naturais da vida emocional que sugerem mudanças, um terremoto necessário para nos ajustarmos a nós mesmos.


E depois que passa (sim, passa!), é só olhar para trás e comparar quem era você antes da crise com quem você é hoje. Cada lágrima derramada e cada momento de confusão será muito bem justificado e explicado, você se sentirá muito bem consigo mesmo e com o mundo, e tudo dará certo... até a próxima crise.

Só desejo que elas não sejam constantes. E que não demorem até o meu próximo inferno astral!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Resoluções de...

Desde os dez anos de idade faço religiosamente minhas resoluções de ano-novo. Aliás, desde pequena gostava de fazer listas, e isso sempre me ajudou a organizar a minha vida, já que não é penoso para mim fazer um planejamento semanal de atividades ou traçar metas e objetivos com tempo determinado.

O fato é que de 2010 para 2011 eu não fiz resoluções de ano-novo. Eu estava meio avoada, querendo viver a vida, e ao avaliar meu péssimo desempenho no cumprimento da última lista que fiz, desanimei completamente.

O negócio é que quando a vida vai perdendo o controle e a gente percebe (porque tem muita gente que não percebe e quando cai na real não sabe mais quem é ou o que está fazendo =/), a gente trata logo de estabelecer metas para voltar com tudo ao normal.

Tenho que admitir que depois de quase um ano estagiando (pela primeira vez), enxerguei uma coisa que todos acham maravilhosa, mas que pode atrapalhar a vida: trabalhar 6 horas por dia. Isso me deixou preguiçosa! Ou isso, ou estou ficando velha. o.O

Quando entrei na faculdade eu morava há muitos kilômetros do meu trabalho. Acordava às 6h da manhã para chegar no trabalho às 8h, onde trabalhava quase nove horas por dia (44h semanais), com apenas uma hora de almoço. De lá, ia direto para a faculdade e, quando chegava em casa (depois das 23h), ainda ia arrumar a minha roupa do dia seguinte, as refeições, e dar atenção ao que tinha de ser dado na minha vida pessoal.

Quantas horas eu dormia? Sei lá. Poucas. Hoje, se durmo menos que 7h, bocejo o dia inteiro - isso se eu me permitir, pois geralmente tomo logo minha cápsula de 35mg de cafeína, que somada aos cafezinhos do dia me mantém acordada e ativa.

O meu ponto é: se eu conseguia naquela época, eu consigo hoje! Afinal, fazem apenas 3 anos que eu tinha essa vida "difícil", e não estou nada velha. Além disso, brevemente vou encarar um "emprego de verdade", onde 8h diárias é pouco para se trabalhar. Isso sem pensar na pós-graduação, e num futuro (beeeem futuro, que fique claro) com casamento e filhos!

Por isso, faço neste momento uma resolução de semana nova, que entra em vigor a partir de amanhã, e que é também a minha primeira resolução de ano-novo (pois em 2012 não fico sem de jeito nenhum!): vou aprender a dormir menos e aproveitar melhor meu tempo. Afinal, minha vida de estagiária acaba no final de janeiro, e cada segundo mal aproveitado a partir de lá poderá representar várias oportunidades perdidas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Diálogo

Diálogo é uma conversa entre pessoas, que podem concordar com o outro ou não, sobre diversos assuntos, acredito eu que com o objetivo de compreender o próximo ou compartilhar experiências, ampliando a visão de mundo de cada um.

Se há irritação e elevação de voz, não é um diálogo, é uma discussão.

Se ao invés de contra-argumentar racionalmente, a pessoa apela para sentimentos ou não aceita (aceitar é diferente de concordar) a opinião do outro, não é um diálogo, é uma tentativa de converter o outro.

E finalmente, se uma pessoa só fala e a outra não tem a oportunidade de se expor e "concorda" com tudo, não é um diálogo, é um monólogo.

Só é possível construir relacionamentos com diálogos. Se não há diálogo, é muito pouco provável haver um relacionamento firme e verdadeiro, e se há, está no nível da superficialidade. Tem muita gente que acha (erroneamente) que dialoga, por aí...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Destino

Tem coisas que só o destino faz, mesmo.

Na sala de espera para a prova oral, ela conta da festa maravilhosa do fim de semana passado para o colega. Chegando na parte da atração principal da festa, seu nome é chamado. Ao sair, anuncia que o colega é o próximo da lista e avisa que não o esperará, pois são 18h e ela tem um compromisso às 18:30.

Mas resolve sentar para retocar a maquiagem e caprichar no batom. Ela estava se achando bonita aquele dia, sentimento normalmente reservado apenas para os finais de semana, e queria manter aquela sensação de bem-estar.

O colega termina sua prova e eles seguem juntos até a parada de ônibus, devagar, jogando conversa fora (a história já tinha sido esquecida, naquele momento). Na parada, cada um segue o seu caminho.

Descendo do ônibus, ela segue para atravessar o semáforo que a conduz ao seu destino, que tinha acabado de fechar. Na travessia, ouve uma buzina, de uma moto que estava bem à frente. "Estou realmente bonita hoje", pensa. Mas a buzina se repete algumas vezes, e ela se vira para olhar.

Recebe um aceno de uma pessoa totalmente irreconhecível pelos equipamentos protetores. Percebendo o ponto de interrogação na cara dela, ele tira o capacete, e eis a atração principal da festa de sábado ali, na frente dela.

E se ela não tivesse resolvido retocar a maquiagem e esperar o amigo? E se ela tivesse resolvido atravessar fora do sinal? E se...? São muitas as possibilidades que poderiam ter causado o tão comum desencontro, mas o destino é inexplicável, e resolveu dar o ar de sua graça na vida daqueles dois seres humanos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Versinhos

Admiro a arte da poesia, mas admito que sou totalmente desprovida de talento nessa área. Mas vez ou outra, um versinho surge em um momento de inspiração e até que não sai algo tão ruim. Este foi um desabafo, escrito em 23/03/2009.

Minha filha, para quê tanta vanglória?
Só porque seu namorado ganha mais do que teu pai, agora?
A diferença, minha filha, escuta:
Eu, quando viajo, não gasto meu dinheiro com prostituta.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Passou


Um belo dia você lembra daquilo e fica se perguntando quando foi a última vez que aquele assunto ocupou sua mente.

E percebe já faz muito tempo que não incomoda.

Tenta se lembrar de fatos importantes e não consegue.

Acha que vai ser estranho, mas tudo acontece normalmente.

Aperta o coração, com medo de sentir aquela dorzinha.

E descobre que passou.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Friend zone



Na minha cabeça, esse negócio de friend zone era coisa de adolescente que não sabe separar amizade de pegação. No fantástico mundo racionalista de Carol, as pessoas sabem muito bem identificar quando ser amigos, amigos com benefícios, e quando vale a pena investir em algo mais.

Acontece que as pessoas possuem necessidades e desejos diferentes, que às vezes distorcem essa noção de em que patamar colocar o relacionamento. Porque afinal de contas, os relacionamentos não são divididos somente em amigos, amigos com benefícios, peguetes e namorados. Ainda tem o "brother", aquela pessoa companheira, que topa tudo, mas com quem você não compartilha muito da sua vida nem pede um abraço quando precisa.

Acredito que as definições mais complexas sejam a de amigos com benefícios e companheiros. Porque ambas tem limites, quase sempre não muito bem definidos, ou dependem da vontade de ambos para o que quer que seja acontecer. Ou, no caso de algo realmente sério, um dos dois deve dar o primeiro passo.

Com tantas variáveis, acabei aprendendo que a friend zone é menos arriscada do que confiar na racionalidade das pessoas. A não ser que você queira um relacionamento "de verdade" (e tenha alguma noção que a outra pessoa também quer, claro). Mas nesta situação será necessário dar aquele passo inicial, para a friend zone não virar uma prisão eterna de duas pessoas passivas e medrosas.

Mas inevitavelmente um dia você será surpreendido com um sentimento inesperado e precisará colocar alguém na friend zone. Ou é você quem vai confundir tudo, e levará um friendzoned bem bonito na testa, para aprender de uma vez a não se apaixonar pelos seu amigos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Irmão

Você foi a minha maior companhia nos vários anos de infância em que eu não podia brincar na rua. Brincou comigo de tudo quanto era brincadeira, até as que eu mesma inventava, na falta do que fazer. Me deu conselhos, brigou comigo, botou medo nos meus namoradinhos de escola, desfilou ao meu lado quando estava gostosão e eu queria te exibir para todo mundo.

Você é uma pessoa que não passa despercebido em lugar nenhum. Você tem o dom do relacionamento, da conversa. Você tem um dos corações mais puros que eu conheço. Você é aquela pessoa que sempre vai deixar uma marca na vida de quem conviver com você...

Em alguns momentos você me decepcionou. Sabemos que as suas escolhas nem sempre foram as melhores, e algumas delas machucaram as pessoas que mais te queriam bem. Mas o meu amor por você é o maior amor que já senti por alguém, e nada do que você tenha feito foi capaz de mudar um milésimo do meu sentimento.

Sua ausência sempre me fez falta. Mesmo sem nos falarmos, pensava sempre em você. Me agoniava não ter notícias suas, viver de migalhas de notícias que algumas pessoas me davam sobre a sua vida. Não houve uma semana em que eu não tenha pedido proteção e cuidado de Deus sobre a sua vida.

Saiba que cada partida sua levou um pedacinho do meu coração. Hoje foi extremamente difícil ver você ir embora, mais uma vez. Depois do consolo de ter você pertinho depois de um ano, e finalmente conversar com você,  quando você virou as costas e andou foi aberto um buraco no meu peito.

Eu queria poder te ajudar, ou melhor, poder ir embora com você e te dar tudo que você precisa, ficar ao seu lado e te estimular a fazer as coisas certas, comemorar cada conquista sua ao seu lado, poder resolver os seus problemas ou fazer você esquecê-los, cuidar dos dodóis que a vida te fez, e eu odeio tanto não poder fazer nada!

O que eu posso fazer é continuar orando por você, te mandando boas energias, e esperar que o tempo coloque as coisas no lugar. Mas tenho um favor para te pedir: não fique à mercê do tempo. Ele está passando e te levando junto, levando os anos que você está vivendo e construindo ou não o seu futuro.

Por favor, construa um futuro bonito para você. Seja humilde e aprenda o máximo possível na nova cidade e no novo emprego. Controle o seu temperamento e pare de explodir, pense muito antes de tomar as suas decisões. Muitos erros que você cometeu foram pelas decisões que tomou de cabeça quente.

Coloque a sua vida no lugar, resolva as suas pendências, e depois disso, olhe para frente. O passado só tem a ensinar, se ele começa a te incomodar é hora de esquecê-lo. Você é uma pessoa extremamente inteligente e tem condições de ter uma vida maravilhosa e cheia de realizações. Corra atrás do que você merece e não se contente com o mínimo.

Eu te amo muito, muito, muito, mais do que eu sou capaz de explicar ou demonstrar. Sofro contigo e fico feliz contigo. Quero o seu bem, e enquanto eu não puder fazer nada para contribuir para isso, vou ficar aqui na torcida.

Por favor, não suma mais um ano. Você faz falta para mim e para muita gente. Mas agarre esta oportunidade com unhas e dentes. As coisas vão melhorar, eu prometo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Meu pai atribui esta frase a Bíblia, e a internet me indica pelo menos dois autores. Mas o que importa é o que me diz esta brilhante frase, que é uma fonte de inspiração na minha vida.

Às vezes os obstáculos que enxergamos no caminho não passam de impossibilidades colocadas lá por nós mesmos seja para justificar a preguiça de correr atrás, o medo da deceção ou puro pessimismo.

Quando pensamos sem parar nas dificuldades que encontraremos na vida, nos desanimamos e muitas vezes desistimos dos nossos sonhos.

Mas acredito que apenas a disposição de encarar cada situação de frente e assumir a coragem de enfrentar os obstáculos, as chances de atingirmos nossos sonhos e objetivos aumentam consideravelmente.

Outra frase que gosto de falar quando tenho um objetivo em mente é "o não eu já tenho, agora é lutar pelo sim".

Medo, ainda mais de ouvir um não, não deve ser motivo para desistirmos de absolutamente nada. Nascemos sem nenhum conhecimento e chegamos onde chegamos. Todas as portas estavam fechadas e fomos abrindo uma por uma até aqui.

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Israel - parte 2

by CarolinaTorresdeCastro 2011
No segundo dia de viagem, chegamos no final da tarde no Kibbutz Degania Bet.

Um kibbutz é uma comunidade coletiva voluntária (definição da Wikipedia, é realmente difícil explicar :), basicamente uma cooperativa, inspirada por ideais socialistas. 

A forma de funcionamento, antigamente, era a seguinte: todos os moradores tinham que trabalhar em alguma atividade no kibbutz. Na agricultura, pecuária, cozinhando, limpando, cuidando e ensinando as crianças, enfim, cada um tinha uma profissão, e tudo que era produzido e arrecadado pelos moradores era dividido igualmente entre eles.

Houve uma época em que as crianças eram criadas longe de seus pais, nas "Sociedades das Crianças". Acreditava-se que assim elas estariam livres do Complexo de Édipo e as mães, sem a obrigação de criá-las, estariam livres para trabalhar e ter momentos de lazer. O que ainda permanece são as refeições, que são feitas em um refeitório comunitário, e as decisões, tomadas após votação entre os membros, ou entre os líderes previamente eleitos.

O Kibbutz Degania Alef foi o primeiro kibbutz israelense, fundado em 1909 pela Organização Sionista Mundial. Ficamos no Degania Bet, uma extensão do primeiro kibbutz. O ambiente de pequena vila é maravilhoso. Pequenas ruas ligam as casas umas às outras, e também a um ginásio e uma grande piscina. Árvores por todos os lados, e pequenas praças entre os conjuntos de casas, equipadas com redes e mesinhas com cadeiras tornam o ambiente totalmente acolhedor. A rede WI-FI estava disponível em toda a propriedade, gratuitamente.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
À noite participamos de uma atividade interessante: o grupo de aproximadamente 34 pessoas entre 18 e 26 anos foi dividido em dois, e após uma pequena aula sobre a história dos kibbutz, tivemos que descrever o kibbutz "ideal". As pessoas seriam obrigadas a trabalhar no kibbutz ou não? Se fosse possível trabalhar fora, a pessoa teria que doar todo o seu salário à comunidade? Como educar as crianças, em escolas fora da propriedade, ou em uma escola privativa? E a universidade? Foi uma experiência interessante que gerou uma reflexão sobre o mundo capitalista, e como pode ser interessante viver de outras formas...

No dia seguinte, no tour pela propriedade, descobrimos que tanto Degania Alef quanto Degania Bet foram privatizados, e a forma de vida já era um pouco diferente. Além das atividades de agricultura e pecuária - esta última não servindo somente para sustentar a comunidade, mas também para o comércio, o Degania Bet conta com uma fábrica de silicone. As pessoas também podem trabalhar fora, e há uma porcentagem de contribuição exigida, como em um condomínio. As crianças estudam em escolas próximas ao kibbutz.

Esta visita me despertou a vontade de um dia morar seis meses em um kibbutz. Viver de uma maneira completamente diferente da qual estou acostumada, aprendendo realmente a viver em comunidade e o valor de cada pessoa dentro dela, tenho certeza que seria uma experiência social muito interessante. Mais do que seis meses eu não conseguiria. Apesar da minha admiração e consideração por esta forma de vida, o capitalismo já me conquistou.

Do Kibbutz Degania Bet seguimos para Jerusalém, a cidade com a energia mais intensa deste planeta.

High class problem

Aprendi esta expressão há poucos meses, no trabalho. Um britânico chegou pontualmente adiantado para uma reunião com um diretor, e nos primeiros minutos eu era a única pessoa que poderia entretê-lo enquanto o diretor não chegava.

Acredito eu que para fugir da nossa falta de assunto que se resumia aos lugares que ele visitou no Brasil, e a sua opinião sobre eles (que não foi lá grandes coisas), ele começou a perguntar de mim: o que eu fazia naquela empresa e na vida.


Então eu me surpreendi chegando bem próximo daquele tipo de pessoa que me dá tanta pena: com a menor demonstração de interesse de outra pessoa, se abre e fala de si até o dia seguinte. Mas eu não faço exatamente o tipo comunicativa, então rolou apenas um pequeno desabafo.

- Faço estágio aqui. Termino a faculdade no final do ano que vem. Curso administração e gosto de muitas áreas diferentes, eu posso trabalhar em tanta coisa! Não sei exatamente o que escolher.

- That’s what we call a “high class problem”. Having a lot of options is a good problem to have.

Fiquei sem reação. Eu ali quase reclamando da minha vida, e uma pessoa que nunca havia me visto e provavelmente nunca mais irá me ver, me ensinando uma expressão nova em inglês e me fazendo enxergar o abismo de pessimismo onde eu estava prestes a entrar.

Depois desse dia, eu penso muito antes de classificar algo como problema. Afinal, ter várias opções de carreira em uma área é realmente um problema? Ter dúvidas sobre continuar estagiando (o que implica na possibilidade financeira de estagiar) e ter mais tempo ou arrumar um emprego para juntar dinheiro e perder um pouco de vida social é mesmo um problema?

Se eu resolver classificar estas situações como problema, sei que corro o risco de ouvir que são high class problems, problemas bons de ter. Por isso, para não levar mais nenhum tapa com luva e para o bem da minha auto-estima, passei enxergar tudo isso como possibilidades e desafios importantes na minha vida. Afinal de contas, é isso que um high class problem é.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dinheiro

Eu sempre fui das que acredita que dinheiro traz, sim, felicidade. Eu quero ter muito dinheiro um dia. Mas tenho visto que ele não garante nada, e mais: ele muda a personalidade e cria problemas até então inexistentes.

O dinheiro faz você ser um imenso alvo de fofocas, verdadeiras ou não. Atrai inveja para a sua casa, seu carro, suas roupas, seu marido. Como você está constantemente feliz com as coisas que o dinheiro te compra, sua felicidade também é alvo de inveja. Não dá para ter certeza de quem é seu amigo de verdade.

Como as pessoas lidam com o fato de terem dinheiro? Há os que se escondem, há os que se mostram, há os que pagam pela fofoca e pelo silêncio, tem pessoas que escondem quem são, e as inconsequentes, tem os isolados e os cheios de "amigos". Há muitas formas de controlar a sua influência e sua imagem, quando você tem dinheiro.

Uma coisa eu sei: a pior armadilha na qual você pode cair é achar que o dinheiro que você tem te dá poderes sobre a vida das pessoas. Pode até funcionar para alguns, mas com certeza as pessoas que não se intimidam com isso não vêem mais do que uma bela de uma disfunção psicológica em você.

Porque comprar informações, armar arapucas, mentir, trair, ameaçar, violentar e coagir pessoas não são possibilidades que o dinheiro traz. São atitudes nojentas, dignas de pessoas sem nenhum caráter, que não dão o menor valor ao ser humano. E não há a menor justificativa para essas atitudes.

As possiblidades trazidas pela riqueza, e que te ajudam a se proteger dos males que o dinheiro provoca, são ajudar outras pessoas, doar para quem precisa, se envolver em projetos sociais, melhorar a sua imagem tanto física quanto psicológica (comprando roupas, colocando silicone ou arrumando um psicólogo, que seja!), enfim, investindo em coisas que te façam bem de verdade.

Assim, a felicidade é natural, e não comprada. As fofocas serão positivas, a inveja será do bem que você faz aos outros, seus amigos estarão do seu lado não por medo, mas por admiração. O mundo ficará mais bonito e as pessoas deixarão de "armar contra você" e "tentar te prejudicar" (se é que isso realmente acontece, e não é uma questão psiquiátricacológica, como mencionei anteriormente).

Porque o mundo não é mau e cruel até que você o provoque. As pessoas não são todas invejosas, interesseiras e querem puxar seu tapete o tempo todo. O mundo vai além do que você ouve em fofocas de pessoas maliciosas, há uma pessoa com família e sentimentos iguais aos seus do outro lado.

Há os que não vivem no mesmo mundo que você e só querem ser felizes, não importando se elas tem ou não dinheiro, ou se você tem ou não dinheiro. Não estrague isso e seja feliz também.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cada um no seu quadrado

Naquele ônibus lotado que saía da rodoviária rumo à W3 Sul, eu estava prestes a ser afetada pela energia negativa de 32094820348 várias pessoas que acabavam de terminar uma jornada de trabalho. Tive que deixar meu livro em casa porque o dia tinha exigido vários objetos a mais na minha bolsa, e não houve espaço, e lembrei mais uma vez que preciso comprar um MP3.

Isso tudo para justificar que eu comecei a prestar atenção na conversa de três fofoqueiras jovens que trabalham na mesma empresa, e que estavam a discutir sobre os comportamentos absurdos das outras colegas de trabalho. Percebi a depressão chegar mais perto enquanto ouvia as muitas críticas e julgamentos maliciosos daquelas pessoas, quando finalmente consegui o que precisava:

- Pois é, ela está toda esquisita mesmo, não conversa, não se mistura... e não quer contar o que aconteceu! Mas eu não estou nem aí, ela que cuide de vida dela, eu não vou me meter...
- Isso mesmo, cada um no seu quadrado.
- É, cada um no seu quadrado!

De repente, eu era o foco da atenção de algumas pessoas mais próximas. Me segurava para não rir alto.

Pois ora, que situação mais absurda! Depois de muitos minutos discorrendo sobre a vida pessoal de várias pessoas indefesas, a criatura coloca a máscara e vem dar uma de despreocupada com a vida alheia? Assim, sem um k-y nenhuma transição, sem preparar o espectador?

Ri mesmo. E venci aquela "coisa ruim" de ônibus lotado em Brasília. Porque vez ou outra a hipocrisia também pode ser divertida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Essa distância


O curso natural da situação é sempre aparecer do nada, interromper com um comentário sem sentido e um sorriso maroto pedindo desculpas discretamente, depois uma leve risada e a célebre abertura: "Tudo bem, meu bem?".

Em milésimos de segundos passam incontáveis respostas e possíveis enredos para aquela novela, e talvez por isso não consiga dizer mais do que "Sim, tá tudo bem". Vez ou outra uso um ótimo ou um de boa, para variar.

O abraço apertado regrediu para um aperto de mão que regrediu para uma pequena troca de olhares que mal dizem boa noite.

E essa distância é a mais dura que existe: a distância espiritual e psicológica que formam um buraco no peito mas que em nada se relacionam  com a distância física. A pessoa está ali, ao seu lado, mas o desconforto, a falta de jeito, o embaraço, um pequeno medinho, criam um buraco.

E esse buraco está tão, tão grande que uma singela aproximação se traveste de risco, e uma boa ação de cavalheirismo dá lugar a pensamentos confusos.


Essa distância não é fácil de suportar, mas a distância física deve e vai ajudar a fazer todo esse climão sair até da memória e essa melancoia passar. E uma rápida troca de olhares que valem ou não um boa noite ser a principal comunicação, sem rancores, de ambos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Consciência

Há quinze minutos de entregar um estudo de caso - que havia sido solicitado com o prazo de uma semana para entrega -, descobri que eu havia respondido as questões do case errado. Ao invés de olhar o plano de ensino, fui pela matéria dada em sala de aula e adiantei um exercício, esquecendo completamente das orientações da professora e do plano. Descobri isso justamente quando minha colega estava a imprimir as respostas dela, e no automático, pedi que ela colocasse o meu nome, que eu colocaria o dela no próximo, que eu já havia feito.

Já na sala de aula, minha mente começou: "Você sempre faz os estudos de caso sozinha, e agora resolve fazer em grupo? A professora te conhece, ela vai reparar. Seu nome está por último, está na cara que você foi adicionada depois ao grupo." E ela não ficava quieta. Peguei o pen drive e fui imprimir novamente o estudo de caso, só que sem o meu nome.

Eu sabia que a minha educação religiosa havia me moldado em muitos aspectos, embora em questões importantes que definem a religião, eu tenha opiniões totalmente divergentes do que me foi ensinado. Mas além da educação religiosa, a vida me ensinou que a mentira é uma grande causadora de problemas, e sim, ela tem perna curta.

Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de comentários reprovadores que recebi pela minha consciência. Aparentemente não tem problema colocar o nome em um trabalho que não foi feito por você. Pelo visto é mais fácil fazer isso do que admitir a verdade para o professor (mesmo que a verdade seja que você fez o "dever de casa", mas o dever errado). O senso comum diz que é assim que a faculdade funciona, que não tem problema nenhum.

Não vou dizer que nunca fiz esse tipo de coisa na minha vida, ou nos três anos que estou na faculdade. Mas a situação (a professora me conhecer, eu realmente ser competente nessa matéria, minha raiva por ter errado) me fizeram achar a minha atitude errada. Além disso, e se a professora realmente percebesse? Ela não é qualquer professora, é a melhor professora que tive nesta instituição. Imagina o constrangimento!

Eu poderia entrar na questão da inversão de valores da sociedade atual, mas esta é uma situação muito pequena para isso. Além do mais, não quero bancar a certinha. Mas preciso expressar meus sentimentos: as pessoas deveriam rever os seus conceitos de certo e errado, sim. E deveriam saber que estes conceitos não são unânimes, e que eventualmente alguém pode ser mais "certinho" que a maioria. E deveriam respeitar esses certinhos, pois nem só de hipocrisia vive o homem.

No final, falei com a professora. Entreguei o estudo de caso errado, prometi o correto para a próxima aula. Aparentemente, sem prejuízo a nota. Ou à minha reputação. E para alívio da minha consciência.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Cada curva do cérebro tem um nome!"

Foi um dos importantes motivos para ele ter deixado de lado a opção medicina na escolha do vestibular. Além disso, ele já quis cursar psicologia. E filosofia. Acabou optando por engenharia de redes.
"Cada equipamento tem zilhões de atributos com nomes complicados."
 
Ela também gostava de psicologia, mas "talvez para o futuro" - dizia. Mas já quis relações internacionais e jornalismo. Nada na área de saúde, não mesmo. Hoje cursa administração e ainda não entrou em crise.
"Cada movimento que uma pessoa faz tem uma possível análise psicológica."
 
Ele cursou dois anos de administração. Aprendeu os 4 P's, algumas noções de contabilidade e muito sobre como empreender. Mas largou e escolheu gastronomia. Já até vendeu marmitas feitas por ele (não ele, um vendedor que ele contratara - fez a gastronomia virar business!) como fonte de renda.
"Cada método de cozinhar tem um nome em pelo menos duas culturas diferentes, igualmente importantes."

Qual é o meu ponto? Dentre tantas opções atraentes ao nosso alcance na vida, às vezes é necessário passar por períodos de dúvida, que testarão a intensidade do seu amor por cada uma delas. São momentos difíceis, pode demorar, mas acontece.

Isso tudo é que definirá qual lista de coisas você vai escolher decorar. E você vai conseguir montar o quebra-cabeça.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Israel

Os dez dias mais intensos da minha vida aconteceram em um país com a área menor que a do estado de Sergipe. Dia 24 de maio de 2011 parti em uma viagem que me mudou em vários aspectos. Sinto a memória começar a falhar e não quero esquecer absolutamente nenhum detalhe sobre esta experiência única. É chegada a hora de compartilhar um pouquinho do que vi e senti.

Após doze longas horas de um vôo muito confortável da El-Al (as poltronas são grandes, televisão individual com várias opções de canais, muita cordialidade e boa comida - mas é claro que o Dramin também ajudou), cheguei à Terra Santa, como dizem. No minuto em que aterrissamos eu já havia esquecido do pequeno questionário que tive de responder para conseguir embarcar, além da revista a todas as minhas coisas e uma rápido recolhimento de amostra do meu sapato - tudo questão de segurança, claro.

Ainda no aeroporto Ben Gurion em Tel-Aviv, conheci o motorista e o ônibus que me levaria para lá e para cá nesses dez dias, bem como quatro soldados israelenses com um pézinho no Brasil, que nos acompanharam em todos os momentos e com quem aprendi muitas coisas. Partimos então para Haifa, uma cidade muito bonita ao norte do país. Um jantar foi a minha primeira chocante refeição: pão, ovos e muita gomida gordurosa na mesa. Tive que encarar a salada, que com o homus (presente em todas as refeições) ficou razoavelmente tolerável ao meu paladar fresco.

O dia seguinte começou com mais surpresas alimentares: lasanha na mesa de café da manhã! Acabei optando, durante todos os dias, restringir meu desjejum a pão com ovos (o pão presente em todas as refeições assim como o homus, e os ovos, feitos de todas as formas possíveis, sempre no café da manhã) e café com leite. Mas faziam parte das opções algumas frutas que pelo que ouvi são desprovidas de gosto, cereal, e - quase me esqueci! - pepino e tomate! Sim, eles comem isto no café da manhã por lá...

A primeira visita do dia foi a um templo Baha'i, no qual não pudemos entrar. Até hoje não entendo muito sobre a religião, mas o templo é extremamente atraente.

by CarolinaTorresdeCastro 2011

Do templo, seguimos para Rosh HaNikrá, que são formações rochosas na costa do Mar Mediterrâneo, bem próximas da fronteira com o Líbano, por onde passava um trem que ligava os dois países em épocas de paz. A vista é maravilhosa tanto fora quanto dentro das cavernas.


by CarolinaTorresdeCastro 2011
Rosh HaNikrá
by CarolinaTorresdeCastro 2011
Cavernas Rosh HaNikrá

Claro que não poderia faltar a foto da fronteira com o Líbano. Beirute é mais perto que Jerusalém (os números são a distância até cada capital).

by CarolinaTorresdeCastro 2011

Após esta visita seguimos para Tzfat. Se você ainda se impressiona com as enormes ladeiras de Belo Horizonte, é porque você não viu esta cidade. E as pessoas andam para cima e para baixo (literalmente) em enormes escadarias que estão por toda a parte. Na cidade da cabala (como também é conhecida Tzfat) almocei meu primeiro falafel israelense e ouvi um pouco sobre a história de importantes sinagogas da região (o guia também fez questão de lembrar a visita de Madonna ao local).

by CarolinaTorresdeCastro 2011

De lá seguimos para Degania, um importante kibbutz do país, onde passei a noite e aprendi muitas coisas, que ficarão para uma próxima postagem - enquanto escrevia percebi que não tem como compactar dez dias intensos em uma postagem só. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Call your girlfriend...

Eu escrevi e reescrevi tantas vezes um texto para acompanhar este vídeo, que desisti de tentar explicar e/ou camuflar as idéias e sentimentos que o acompanham.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cansada de pessoas evasivas...

- Eu não acho Harry Potter um livro infanto-juvenil, mas de qualquer forma, eu li quando eu era adolescente.
- Que... foi há... o que? Dois anos atrás?

Confesso que o ataque aos meus modestos 20 aninhos me pegou de surpresa, afinal eu tinha acabado de conhecer a pessoa sem tato que falou isso. Quase me ofendeu, mas não. Ali estava uma pessoa sincera.

Meus hormônios em ação em dias posteriores a longas noites de insônia tem me causado irritações ultimamente, e uma irritação especial com pessoas evasivas.

Eu gosto de ter as coisas definidas, e bem definidas. Odeio estar "de mal" de alguém e gosto de resolver tudo logo, mesmo que dependa horas de discussão. Eu não entendo porque tanta gente vive fugindo dos problemas de relacionamento, se escondendo atrás de máscaras com um sorriso padrão ou de desculpas esfarrapadas.

Isso tem me causado uma gastrite que ninguém faz idéia, e eu decidi que a partir de hoje vou parar de correr atrás de algumas pessoas, porque eu cansei de me desgastar.

sábado, 15 de outubro de 2011

O tempo passa, o tempo voa

Relendo algumas postagens deste blog, caí em uma de 1º de outubro do ano passado, com uma reflexão sobre como faltavam três meses para o final do ano e como três meses podem mudar uma vida e tal. Olhei para o calendário e me dei conta de que faltam menos de três meses para este ano acabar.

Cada ano que parece que passa mais rápido! Como isso é possível? E dizem que depois dos 21 passa mais rápido ainda. Meu aniversário é em menos de três meses! Estou realmente impressionada com a velocidade com que esse ano passou.

Mas apesar de a falta de controle sobre o tempo me assustar um pouco, eu entendo que quando não vemos o tempo passar, estávamos usando este tempo, então não tem nada de ruim nisso. E eu não parei um minuto este ano, fora por algumas semanas de doença e deprê em casa de atestado médico, cada dia desse ano foi muito bem aproveitado.

Quanto a possibilidade de tudo mudar em três meses... Bom, este ano não fiz lista de resoluções de ano-novo justamente porque estava muito difícil cumprir tudo que eu planejava no começo do ano, até porque minha vida mudou tanto nos últimos dois, que eu não sabia como tudo aquilo ia terminar...

Então me agarrei todos os sinais de estabilidade que o meu planejamento mental (esse não tem como não fazer) me prometia e deixei rolar... e fora pela quantidade reduzida a menos da metade de livros lidos até o momento e a falta de visibilidade sobre o próximo ano, tudo deu certo até agora. Eu até emagreci! hahaha

Depois de anos fazendo listas e planejamentos enormes e balanços de final de ano, finalmente descobri que tentar planejar mais do que um mês das nossas vidas é desnecessário e anti-produtivo quando a sua vida está instável.

Mas é bom de vez em quando dar uma olhada no calendário e olhar para trás e para frente, um pouquinho. Foi assim que descobri que tenho menos de três meses para me acostumar com o fato de que daqui a pouco terei 21 anos, estarei na reta final da faculdade, tenho que procurar um novo emprego e tudo isso vai marcar a fase em que minha vida vai deslanchar e eu realmente terei muitos, muitos planos para fazer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juízo de valor: a chuva

Filosofia é aquela matéria que ou você ama ou você odeia, não tem meio termo. Eu sou das que ama.

Este semestre estou estudando filosofia e ética organizacional na faculdade, e aprendendo sobre a diferença entre juízo de fato e juízo de valor o professor usou um exemplo que me fez pensar hoje.

"Está chovendo" é um juízo de fato. Trata-se de uma constatação de um fato. Muito simples. Já "A chuva é boa" é um juízo de valor. É uma interpretação e uma avaliação do fato.

Lembro muito bem da expressão do meu professor naquele momento. Daquela forma intensa de se expressar que ele sempre usa quando está inspirado, ele franziu a testa, fez o movimento de questionamento com as mãos e falou: "a chuva é boa? BOA PARA QUEM?" Prontamente os alunos que costumam ser tímidos nas matérias exatas começaram a responder: para as plantas, para a umidade do ar - estamos sofrendo com a seca em Brasília!, blablabla.

E hoje me senti parte da explicação do meu professor: "e o agricultor não tiver plantado ainda as sementes e a chuva chega antes? E se é o seu casamento? E se você não tem carro, e você precisa sair, está de salto, maquiada, de cabelo escovado?"

Brasília passou mais de cem dias sem chuva. O Facebook ficou irritante com tantas mensagens, em todos os momentos, todos os dias, de pessoas reclamando da seca. Inventaram até uma marcha da chuva. Pessoas desesperadas porque não chovia. Por que isso?

Sinceramente? Eu odeio chuva. Não tenho carro e guarda-chuva só protege metade do corpo, não importa o tamanho. Estraga todos os meus sapatos. Deixa meu cabelo totalmente fuá, não tem nada que faça ele abaixar. Me impede de fazer minha caminhada diária nos meus horários preestrabelecidos - que são os únicos na minha vida de trabalho e estudo. Dá um sono absurdo dependendo do meu humor e do horário do dia, sem falar na nostalgia e depressão que começam a querer chegar.

Hoje ela me fez ficar mais tempo no trabalho, esperando ela passar. Saí do trabalho para uma Brasília molhada, mas clara. Peguei o metrô para vir para o Guará, cidade onde moro que não deve ser mais do que 10km de distância do meu trabalho, e a chuva tinha vindo comigo - forte, ainda por cima. Fiquei meia hora em pé esperando a chuva passar. Fui para casa estragando meu lindo salto e me molhando, porque ela não parou, apenas diminuiu. Foi aí que lembrei do meu professor. Só consegui fazer minha caminhada às oito da noite. E não vou contar a história da minha gripe da semana passada, após um fim de semana super tranquilo em casa, peguei 5 minutos de uma chuva fininha para ficar uma semana de cama.

É só começar a chover que começam os acidentes de trânsito. E tem gente que ainda a defende dizendo que é bom pra ficar em casa vendo filme, mas fala sério, em qualquer clima dá para fazer isso com louvor e aproveitar o mesmo tanto. Se a seca afeta a pele, é só comprar um hidratante corporal! Se acaba com o cabelo, é só fazer uma hidratação, beber mais água, passar creme. 

Fica meu pedido: peçam chuva para os lugares onde a seca impede a produção agrícola, mas por favor, por favor, por favor, brasilienses, parem de fazer essa dança da chuva nessa cidade, porque tá difícil! =(

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como eu senti falta deste blog! Não acredito que passei tanto tempo sem postar nada aqui. Talvez minha vida estivesse boa demais, hahaha. O fato é que não tem lugar melhor para desabafar sem que ninguém te julgue, como um blog! E aqui estou eu de volta, com a língua afiada (ou em vias de), para publicar ao mundo os meus pensamentos, sentimentos, agonias, enfim, o que eu tiver vontade! \o/

Eu até fiz uma postagem com um "balanço geral" de 2010 e outra sobre ficar mais velha, para postar na semana do meu aniversário. Mas o ano começou com um emprego novo e muitas mudanças! De dezembro até hoje já terminei um namoro, mudei de emprego, viajei para dois países, perdi alguns amigos para cidades melhores e sofri pra caramba com isso, assisti várias temporadas de Gilmore Girls (estou na 6ª atualmente), mudei o cabelo, passei em um concurso público, não tive tantas ressacas quanto achei que teria, e decepções, alegrias, tristezas, doenças e todo o resto foi na medida, por enquanto.

Bem-vindos de volta ao fantástico mundo de Carol! =)

Pára de me maltratar!!!

Não adianta falar, mostrar, discutir, brigar, te bater. Admita ou não, você mudou. Queira eu ou não, terei que me acostumar com sua nova personalidade. Mas se além de chato você continuar com essas pedras nas mãos, tenha certeza que eu não serei a única a me afastar.