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sábado, 6 de setembro de 2014

Aprendizados do amor

Por mais que pareça perda de tempo, os relacionamentos fracassados sempre nos ensinam muitas coisas. É que gostamos de mentir para nós mesmos e cometer os mesmos erros, mas se analisarmos bem, encontraremos esses padrões e talvez evoluiremos para relacionamentos melhores.

O que percebi na minha vida amorosa recorrente é a idealização da pessoa amada em vários sentidos. Criada com valores cristãos e monogâmicos, com pais casados há séculos, eu tendo a achar que vou encontrar alguém para a vida toda, quando na verdade, lá no fundo eu acho que essa pessoa não existe.

Ainda assim, quando encontro alguém com interesses em comum e que me faça feliz, começam as ilusões, que muitas vezes também é alimentada do outro lado. E eu cometo o erro de colocar minha felicidade na mão dessa pessoa.

Não que seja algo premeditado e sério assim. E isso acontece em muitos relacionamentos, não é a toa que as pessoas param de sair, se afastam dos amigos e tudo mais. É tão bom estar com aquela pessoa, temos tantas expectativas sobre o bem-estar que ela nos causa e sua ilusória perfeição, que com o tempo vamos esperando mais e mais atenção, carinho, identificação, amizade, companheirismo, e um tanto de outras coisas que um relacionamento deve ter, mas não é o único que vai preencher o vazio de emoções da vida.

E assim começam as brigas sem motivos aparentes, os desentendimentos bobos, a sensação de insatisfação constante. Afinal, aquela pessoa nunca vai te satisfazer em todos os sentidos. É por isso que existem bilhões de pessoas no mundo e elas são tão diferentes. E é por isso que a outra pessoa também é diferente de você: ela tem que agregar em outros pontos da sua vida, e você tem que completá-la com suas forças, mas não em tudo.

Registro isso aqui, para eu nunca mais deixar de ver meus amigos, conhecer pessoas, ir para baladas, viajar, estudar, ler ou fazer qualquer coisa para estar com alguém que não completa tão bem assim o meu tempo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A minha cera

Somos repletos de sonhos e intenções que nos levam a fazer as coisas mais loucas para satisfazê-los. Quando outra pessoa entra na onda, muitas vezes não enxergamos o óbvio. Inventamos uma história torta, baseada na idealização, e não nos fatos. Criamos um relacionamento com rosto lindo, sorriso encantador, jeitinhos de falar e de fazer tudo, mas sem conteúdo.

A vida é um eterno romper de limites. Em tudo que aprendemos, desde a infância ao tentar aprontar e sermos repreendidos, cada medo enfrentado e cada sucesso representa um limite rompido. Nas relações sociais não é diferente, e para mim o amor mostrou-se o maior desbravador do coração, pois ele rompe diversos limites do nosso ser.


Mas se tem algo com um limite curto, isto é a atuação. Quanto mais longe se leva uma situação ou um relacionamento inventado, mais pequenos incêndios em forma de mentiras, traições, brigas, possessividade aparecem para serem controlados, rompendo os limites da autoestima, do respeito e tantos outros, até tudo pegar fogo e virar cinzas.

Acho que é hora de um distanciamento, de dar um tempo dessa história de pirar meu cabeção.

sábado, 29 de março de 2014

Não se sabe bem porquê, mas dizer "não" para uma comida que não gostamos tanto, para ficar mais dez minutos, para aquela cachaça do gol, e para muitos favores não é nada fácil. Acabamos cedendo a muitos convites acalorados, aos sorrisos sem fim, àquela pressãozinha social.

Talvez sejam nesses momentos que são produzidas as melhores e piores desculpas esfarrapadas.

Dizer que não queremos alguém não foge da regra. Geralmente as pessoas não chegam e dizem simplesmente: não quero (mais). Às vezes até dizem, mas a outra pessoa não acredita, não aceita e leva a situação adiante. É aí que a pessoa começa a dizer de outras formas que não quer.

Aí, e quando a pessoa ainda não sabe bem o que quer, quando ainda está lutanto contra algo dentro de si. Quase sempre é involuntário.

Mas a atenção muda. O carinho muda. Espera-se mais do que se está disposto a oferecer. As conversas são indiferentes, muitas vezes mecânicas. O cansaço - de tudo - impera. Quando se está bravo, as palavras e ações são para atacar o outro, e não para resolver a situação.

E todas essas atitudes combinadas vão acabando com o relacionamento, que precisa do exato oposto para existir. Mas é só quando o respeito acaba que a gente percebe. Às vezes ainda lutamos contra o sentimento, dizendo que a agressão física, que a agressão verbal, que a traição é resultado de tantos outros problemas. Mas de onde vieram tantos outros problemas?

Até quando é possível ficar com o que não se quer, vendo tudo dar errado, pelo medo de dizer "não"?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O pensamento-padrão ao abrir os olhos pela manhã e fechá-los à noite foi embora sem dizer tchau. Quando me dei conta, já era um pensamento aleatório diário, às vezes virava um sonho bom que me fazia sorrir ao acordar. Quando era um pensamento padrão não havia sorrisos, o coração ficava apertado nessas horas.

Desde que ele me falou aquele dia em Paris "if you wanna see the change, be the change", essa frase me vem à mente toda vez que começo a querer reclamar da situação. Mas e se não for possível ser a mudança?

Então chamamos o tempo de aliado, e nos unimos a ele com o objetivo de esquecer o quão pequeno somos no espaço, no tempo e no amor. E esperamos que à medida que ele passe, o pensamento aleatório diário torne-se semanal, daí mensal, daí só venha quando for chamado, sem aperto no coração e sem sonhos felizes irrealizáveis, que ele torne-se somente boas lembranças de um belo passado que ensinou que quando não podemos ser a mudança, o negócio é se conformar e seguir a vida.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Esses dias vi uma tirinha do Charlie Brown, onde ele encontra Snoopy perto da caixa de correio, e diz: "É uma perda de tempo ficar esperando uma carta de amor ao lado da caixa de correspondência... ela nunca vai chegar. Eu sei dessas coisas... sou um especialista!" E então, se apóia no muro com uma mão segurando a cabeça e diz: "Que coisa triste ser especialista nisso".

Felizmente nunca passei por essa situação, apesar de ter trocado cartas via correio durante um tempo, com algumas pessoas, há muito tempo atrás (como era legal esperar o carteiro...), mas fiquei de coração partido quando vi essa tirinha!


Hoje, no entanto, vi uma imagem ótima no Facebook:




Depois do riso fácil, a reflexão: quantas vezes procuramos incessantemente algo, e estamos na verdade procurando em apenas um local, ou olhando para outra direção?


A carta pode apenas ter ido para a caixa de correio errada...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não há o que verificar, nada mudou em três dias. Continuo tendo você como primeiro pensamento quando acordo, e último pensamento quando vou dormir. Durante o dia você vem em pequenas doses de memória e às vezes em doses maiores, quando penso como seria se você estivesse ali comigo, naquele momento.

A distração ajuda a desviar os ataques da tristeza. Tristeza para que? Não posso ter você ao meu lado, mas cada memória viva em minha mente me faz sorrir e enche o meu coração. O que eu sinto por você me enche o coração. Tenho que me acostumar com a sua falta, e tudo ficará bem.

Nos poucos momentos que me dediquei a pensar sobre tudo isso, considerei fazer como fiz com os outros: apagar as memórias mais recentes, anular toda forma de contato e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Essa é a forma mais prática para não sofrer e tentar acabar com o sentimento. But "you are different" - and I didn't say that to any of the others.

Nada mudou em três dias e não mudará em uma semana, duas, um mês ou sei lá quanto tempo. Eu não quero que mude. Eu não faço idéia de como lidar com isso, mas o que eu sei é que por você, vale a pena tentar descobrir.

domingo, 13 de maio de 2012

Exxxcitement

Dessa vez não foi difícil para dormir. Estava cansada, coloquei Coldplay para tocar bem baixinho no fone de ouvido e caí no sono rápido. Acordei com o barulho da porta e Renato Russo cantando Faroeste Caboclo. Desliguei a música, mostrei para a minha colega de quarto a lâmpada da cama - ela estava usando a luz do celular para tentar não acordar ninguém, o que foi inútil após todo o barulho de sua chegada - e dormi rápido, novamente.

Acordei cedo, disposta. Fiz tudo o que deveria fazer - eu sabia exatamente o passo-a-passo das minhas primeiras horas da manhã. Com calma, tomei banho, coloquei as lentes de contato, fiz o restante das malas que faltavam, carreguei o peso exorbitante da minha falta de noção pelas ruas. Felizmente (ou como diz o meu pai: porque você é bonita, descolada e fala francês) tive bastante ajuda.

Após tudo estar quase pronto, fui em direção ao meu primeiro momento relaxante e consciente - até ali eu estava no modo automático - no bar onde é servido o café da manhã. Peguei duas fatias de pão integral e geléia de morango, fiz um café bem forte e me sentei na mesa de um turco tagarela cujo inglês era tão complicado que nem a sua simpatia me ajudava a ter o mínimo de vontade de conversar.

Foi na hora de passar a geléia no pão que eu percebi o quanto eu tremia. Não só as minhas mãos, que eram o ponto mais notável, mas sentia arrepios, ondas percorrendo todo o meu corpo. Eu já fui muito mais tímida do que sou hoje e já passei momentos complicados de pânico e expectativa quando já perdi a voz, não conseguia raciocinar, suava, passava a noite em claro, enfim, já tive vários sintomas, mas nunca havia sentido isso na minha vida toda.

Sentada na recepção do hostel duas horas e meia depois, sinto um aperto no estômago e ainda tremo. Expectativa, entusiasmo, felicidade - muitas palavras, juntas, podem chegar perto de expressar o que eu sinto neste momento, mas não poderiam descrever com exatidão. Quantos minutos mais terei que esperar até esta porta abrir e deixar minha agitação sair, e você entrar?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

I meant what I said

Tudo que ela queria era que seus olhos fossem uma câmera, para que ela pudesse gravar e nunca se esquecer daquele exato momento.

No meio da conversa, ele fica sério. Vira-se para ela, enquanto ela continua deitada de costas e move somente a cabeça para o fitar. Os olhos verde-azulados dele estão cheios de vasos vermelhos, e se enchem d'água quando ele começa a falar.

Ele fala em primeira pessoa, mas é exatamente tudo o que ela está sentindo. Estaria ele tentando decifrá-la? Como ele poderia ser mais exato? O coração fica apertado, ela prende a respiração...

E descobre que ele sente o mesmo. Dois pares de olhos cheios d'água.

Ele pergunta se todas aquelas páginas escritas queriam dizer aquilo, e ela confirma, para depois descobrir que não. Tudo que ela escreveu foi uma tentativa de esconder o que ele resumiu em algumas palavras.

A manhã chega e ela se pergunta se sonhou com tudo aquilo. Então os olhos verde-azulados a fitam novamente - como ele pode saber o que se passa na mente dela? - e ele confirma que quis dizer tudo o que foi dito na noite passada.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Passou


Um belo dia você lembra daquilo e fica se perguntando quando foi a última vez que aquele assunto ocupou sua mente.

E percebe já faz muito tempo que não incomoda.

Tenta se lembrar de fatos importantes e não consegue.

Acha que vai ser estranho, mas tudo acontece normalmente.

Aperta o coração, com medo de sentir aquela dorzinha.

E descobre que passou.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Essa distância


O curso natural da situação é sempre aparecer do nada, interromper com um comentário sem sentido e um sorriso maroto pedindo desculpas discretamente, depois uma leve risada e a célebre abertura: "Tudo bem, meu bem?".

Em milésimos de segundos passam incontáveis respostas e possíveis enredos para aquela novela, e talvez por isso não consiga dizer mais do que "Sim, tá tudo bem". Vez ou outra uso um ótimo ou um de boa, para variar.

O abraço apertado regrediu para um aperto de mão que regrediu para uma pequena troca de olhares que mal dizem boa noite.

E essa distância é a mais dura que existe: a distância espiritual e psicológica que formam um buraco no peito mas que em nada se relacionam  com a distância física. A pessoa está ali, ao seu lado, mas o desconforto, a falta de jeito, o embaraço, um pequeno medinho, criam um buraco.

E esse buraco está tão, tão grande que uma singela aproximação se traveste de risco, e uma boa ação de cavalheirismo dá lugar a pensamentos confusos.


Essa distância não é fácil de suportar, mas a distância física deve e vai ajudar a fazer todo esse climão sair até da memória e essa melancoia passar. E uma rápida troca de olhares que valem ou não um boa noite ser a principal comunicação, sem rancores, de ambos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Call your girlfriend...

Eu escrevi e reescrevi tantas vezes um texto para acompanhar este vídeo, que desisti de tentar explicar e/ou camuflar as idéias e sentimentos que o acompanham.

sábado, 20 de novembro de 2010

Yesterday

Vinha me perguntando, especialmente nos últimos meses, como seria te encontrar, caso isso ocorresse.
No começo, o coração ainda batia forte, o arrependimento aparecia junto com os ataques de gastrite e eu ficava confusa. Mas ontem, eu estava controlada e decidida.

Dois meses atrás, eu iria ao seu encontro, tentaria conversar com você, talvez até te abraçaria para impedir alguma atitude impensada sua. Um abraço que ia doer, como todos os abraços que nos demos após o mês de maio - talvez até mais.

Confesso que, ao parar para pensar na minha atitude - não ir ao seu encontro, e sim ao dele, - me veio uma enxurrada de consciência. A consciência de que o passado passou e não volta, que não dá para viver hoje uma realidade totalmente diferente em nome do que foi bom, mas se foi - o que, afinal, sempre foram as razões para tudo ter acabado.

E o que me atormentaria algum tempo atrás se tornou uma confirmação dos meus sentimentos, tanto da falta deles por você, quanto da veracidade e da força dos que sinto por ele. E o momento de tensão que durou menos de cinco minutos e me fez desperdiçar uma cerveja inteira, e sair de um lugar aconchegante, se tornou um papo divertido em outro lugar, que me trouxe à memória tudo de bom que aconteceu entre mim e ele, enquanto nós éramos apenas raios e trovões.

Me falaram: "você tinha muito a perder com a atitude que tomou". Ao que eu respondi: "o que eu tinha a perder já havia sido perdido, antes mesmo de eu tomar qualquer decisão ou fazer qualquer coisa".

Na verdade, eu não estava tão certa, porque perdi uma família, e é o que mais me faz falta hoje em dia, principalmente ao apreciar as luzes de natal e lembrar dos presentes, de um gato brincando com as bolinhas da árvore de natal, da caça ao ovo de páscoa e tantas outras coisas - que com certeza vou repetir daqui alguns anos, quando estiver pronta para isto novamente.


Como uma filha que finalmente entende a morte da mãe (e você sabe que eu sei do que estou falando), entendo e aceito o fim, e desejo o melhor a você, onde quer que você vá.

Eu te amei de uma forma inimaginável e inexplicável, e mesmo tendo achado, no começo, que nunca amaria e seria amada como fui, descobri que isso é possível, pois o amor também se escolhe e se constrói. Espero que você aprenda isso também, e seja muito feliz.



Cuida daquele gato laranjado que atende pelo nome de Bóris, porque eu ainda amo muito ele. :)

sábado, 2 de outubro de 2010

"O problema não é você...

...sou eu.”


O jargão romântico atual, que tantos ouvem e que eu tanto falo.

Esse post tem um único objetivo, que é explicar aos broken-hearted de plantão que infelizmente não sabemos dizer o porquê somos o problema. Simplesmente somos.

Aceite, não desenvolva nenhuma síndrome de perseguição e siga a sua vida. Você ainda ouvirá isso algumas vezes e quem sabe, um dia, talvez até use essa frase.

E quando usar você verá que realmente, o problema não é o outro. Ele é perfeito, vocês juntos são perfeitos, o problema simplesmente é... você.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amar é...

Me perguntaram o que é amor.

Amor, para mim, é indefinível. Não sou um dicionário, mal sei explicar o que é uma bola. Uma bola é uma bola. Sei dizer o que ela faz, suas utilidades, mas para mim, é difícil definir a coisa.

[Sim, estou comparando bola com amor. E sim, eu sou a mestre das comparações absurdas. Ouvi isso três anos da minha vida já assumi para mim mesma a situação. Apenas acompanhe o raciocínio. ;)]

O fato é que da mesma forma que não sei dizer exatamente o que é uma bola, mas sei dizer o que ela faz, eu não sei explicar o que é o tal do amor. Mas tenho as minhas convicções sobre o que ele representa, o que ele causa (ou deveria causar) nas pessoas. Por isso o título da postagem não é “amor é”, e sim “amar é”...

Amar é pensar na pessoa amada a cada tempinho livre. É querer ficar junto, não só para satisfazer a sua carência, é querer sanar as necessidades da outra pessoa antes das suas.

Amar é não esperar que a sua felicidade seja despertada pela outra pessoa. É fazer de tudo para deixar a outra pessoa feliz, e ficar feliz apenas por isso.

Amar é pensar no outro antes de tomar as decisões, das mais bobas às mais importantes. Realmente considerar a pessoa como parte da sua vida e demonstrar isso nas suas ações.

Quando amamos, fazemos planos para o futuro. Queremos um futuro com a pessoa amada, não pensamos apenas no presente e nos nossos impulsos imediatos. É buscar crescer junto com a outra pessoa e construir algo maior e único, exclusivo dos dois.

Amar é estar disposto vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana para ouvir, abraçar, beijar, acalmar, ajudar e acrescentar algo na vida do outro. É buscar acrescentar algo na vida do outro, ser útil de alguma forma, estar ali quando preciso.

Envolve, às vezes, disfarçar um mau momento por saber que a pessoa está pior que você e ajudá-la antes de procurar ajuda, deixar passar uma atitude besta e talvez impensada para evitar uma discussão, engolir o ego e o ciúmes para não sufocar o outro, deixar o orgulho de lado e ser mais humildes do que realmente estamos dispostos a ser, para não incomodar demais a outra pessoa.

Amar é maximizar os momentos felizes com a pessoa amada, inventar brincadeiras idiotas só dos dois, estar sempre disposto a se divertir com o outro, mesmo em situações onde a diversão não é muito aceita ou fácil de ser conseguida.

É estar disposto e querer conquistar a pessoa amada todos os dias, mesmo que ela já tenha sido de fato conquistada.

Mas, para mim, o principal sintoma do amor, é dizer que ama. Isso foi uma amiga que me ensinou, e não faz muito tempo – faz algumas semanas, para ser sincera. “Se você não diz todo dia que ama, se não reafirma seus votos com o coração todos os dias, é porque você não ama de verdade”, ela disse. E eu assino embaixo.

Não que assumir que ama seja fácil. Eu, particularmente, tenho sérios problemas com isso. Desde um namorico malsucedido na segunda série, quando eu gostava do menininho mais do que ele de mim, decidi só falar “eu te amo” depois de ter ouvido. Isso magoou alguns indivíduos que aparentemente me amaram, ao longo da minha vida. Mas é um escudo invisível que vesti em mim.

Na verdade, acredito que o amor não se expressa só em palavras.

Aceito a expressão do amor mais e melhor do que as três palavrinhas, que em certos momentos chegam a me assustar. Pois também demonstro mais do que falo. O dia de falar “eu te amo” pela primeira vez sempre chega. É como meu pai gosta de falar sobre fazer sexo: “Minha filha: certas coisas, depois que a gente começa a fazer, a gente não pára mais”. Falar “eu te amo” é uma delas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

São Paulo da garoa

Aquele frio de 13 graus!

Amo sua arquitetura, seus prédios antigos, caindo aos pedaços.

Em minhas velhas novas madrugadas silenciosas lembro de sua vivacidade, das suas luzes sempre acesas e das pessoas que nunca dormem por aí.

Pela manhã, sinto falta do friozinho mesmo com o sol. Da multidão na Santa Ifigênia, das igrejas que entrei ou não, do Parque da Luz...

Quero para mim esta cidade que nunca dorme. Quero fazer parte do grupo de insones pela sua madrugada mesmo às terças-feiras. Quero comer pastel todos os domingos no Mercado Municipal.


São Paulo da garoa, ganhastes meu coração e ganharás minha presença daqui alguns anos. Hei de habitar uma de suas belas - mesmo que imundas - ruas, um prédio de mais de cem anos do centro, ao lado do metrô.

Me aguarde, São Paulo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Otimismo, sempre

Comemoro, neste momento, a quarta postagem seguida do meu blog sem conteúdo depressivo, melodramático ou com as minhas confusões do dia-a-dia.

É incrível como os momentos da nossa vida afetam nossa disposição para quase tudo. Para sair, ver gente, os programas que fazemos e, no caso de nós que temos blogs, o que escrevemos.

Mas não adianta escrever sobre nossos problemas, se isso só os alimenta. Percebi que este mês quase não postei nesse blog. O que eu estava fazendo esse tempo todo? É simples... quanto mais eu postava, mais eu sofria. Quando parei de ficar na internet olhando orkuts, emails antigos e sofrendo, e fui viver minha vida lá fora, ver meus amigos, me divertir... tudo passou!

Passou, não. Mentira. Mas está passando. Às vezes é bom a gente se distanciar dessa vida virtual e ver um pouquinho a luz do dia. Eu descobri pessoas que gostam de mim. Conheci pessoas divertidas. Aproveitei minhas duas últimas semanas de férias e fui feliz como não tinha sido desde que meu relacionamento minhas aulas acabaram.

Agora minhas aulas de francês voltaram, segunda-feira começo o quarto semestre de administração (sim, no final do ano completo metade do meu curso!), quinta-feira que vem vou para São Paulo e vou deixar todos os meus problemas naquela cidade. Vou esquecer de tudo, vou aproveitar os quatro dias que vou passar lá.

De volta à minha cidade, faço minha cirurgia de pedra na vesícula em um dia que três anos atrás, e para o resto da minha vida vai significar algo para mim: 11 de agosto. Vou resolver minha maior pendência e não vou sofrer como eu sofreria se estivesse consciente neste dia.

Depois, é só ir ajeitando aos pouquinhos a vida. Durante a recuperação vou ver quem realmente se importa comigo. Depois dela, vou procurar um emprego e cuidar de mim e das minhas amizades - que tem sido tão importantes nesse momento!

E manter o otimismo, sempre. A vida se acerta um dia. Pensamentos negativos só atraem situações negativas, e eu não quero isso para mim. E podem puxar minha orelha se eu começar a ficar deprê demais aqui. Me mandem ouvir Belle and Sebastian a tarde toda, ir comer horrores com os amigos numa sexta-feira (né PV?) e olhar para o futuro que eu vou construir. Ele é promissor.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Muita coisa me confunde ultimamente. Meus sentimentos, os sentimentos dos outros. É errado procurar um relacionamento perfeito? Existe tempo certo para se fazer as coisas?

Eu me pego sempre no mesmo pensamento: "tá tudo acontecendo na hora errada", mas sempre com a resposta do meu amigo, que já comentei aqui: "talvez, você que não aceite o tempo".

Ouvi isso novamente ontem, e não sei se devo escutar. A minha mente, os meus amigos, a sociedade diz que não é a hora. Mas o meu coração diz "se joga, tenta ser feliz!". Mas eu não sei se isso vai me trazer felicidade, ou só mais aborrecimentos.

Da mesma forma que estou com um "dedo podre" na minha vida sentimental e as vezes magoo as pessoas sem saber, eu sinto que não posso ser magoada. Se eu for magoada não vou resistir. Estou fraca, precisando de cuidados. Riscos não são a melhor opção agora.

No final, o que fazer? Eu não sei, eu nunca sei.
Me sinto burra, incapaz de decidir minha vida.

Quero um emprego, quero voltar logo pra faculdade, quero minha vida de volta.
Mas será que isso é o melhor pra mim?

sábado, 17 de julho de 2010

Expelliarmus

O feitiço tão usado por Harry Potter - que inclusive garantiu sua vitória contra Voldemort - e que eu nunca havia entendido o poder, fez sentido para mim quando, em um dia em que meu estado físico e psicológico me levou às nuvens e me inspirou com metáforas de todos os tipos, ele me pareceu perfeito para descrever como eu me sentia.

Desarmada. Incapaz de lutar contra o inimigo. Passiva a qualquer ataque, sem poder revidar.

E neste momento a minha linha de raciocínio me levou a pensar sobre você e eu vi que você não queria - nem quer - me atacar. E a metáfora já não fazia mais sentido.

Sem escudos. Você arranca meus escudos à força, e já não consigo me proteger só.

E a metáfora inspiradora me trouxe um paradoxo: sem escudos, mas protegida. Pois não me defendo mais de você e dos sentimentos que nos unem, mas me sinto protegida em seus braços. Neles encontro a paz que é tão rara em minha vida, e descanso sem pensar em armas, escudos ou guerras, pois estou feliz.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amor acontecido vs escolhido

Quando nos apaixonamos de repente, somos pegos de surpresa. Do nada, aquela pessoa que sempre esteve ali, ao seu lado, começa a chamar mais atenção do que o normal, e você se pega pensando nela, começa a tratar de forma diferente, sente o coração bater mais forte perto dela, cria expectativas para encontros e algo a mais.

Você não escolhe. Simplesmente acontece. E, sendo assim, você desde sempre teve a consciência da possibilidade de tudo o que você sente não dar em nada, não levar a lugar algum. Você sabe que pode sofrer, e dependendo do caso, até tem certeza. Você se prepara para o que vier, e decide se vai sofrer até a paixão acabar, calado, ou se vai "lutar pelo amor" do seu amado.

Quando a gente escolhe amar é diferente. Geralmente escolhemos uma pessoa que já gosta de nós, obviamente - não vamos fazer esforço para gostar de alguém que não está nem aí para o que sentimos! Aprendemos a valorizar o sentimento do outro e vamos nos entregando aos pouquinhos, cedendo aos elogios, aos agrados, e vamos devagar demonstrando o carinho que sentimos.

Pensamos e repensamos sobre o sentimento da outra pessoa, refletimos até que ponto vale a pena viver aquilo. Escolher amar alguém trás o medo de que, se nada der certo, a culpa é toda nossa, pois foi uma escolha. Não podemos presumir a sequência dos fatos, não temos responsabilidade pelo sentimento do outro e, assim, não temos nenhum controle da situação. Vivemos, e o futuro que se desenrole e mostre se estamos certos ou não.

Escolher gostar de alguém é uma grande responsabilidade para nós e para a outra pessoa. Uma responsabilidade de fazer tudo valer a pena, de conseguir provar para o mundo e para nós mesmos que o amor é possível. É uma decisão dura, que eu não sei se estou disposta a tomar.

[Escrito em 29/06/10]

domingo, 27 de junho de 2010

"Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão,
Dava prá ver o tempo ruir
Cadê você?
Que solidão!
Esquecera de mim?"

Saudade, muita saudade.
Estou confusa.

Provavelmente depressão pré-segunda-pós-fim-de-semana-quase-perfeito.