quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Friend zone



Na minha cabeça, esse negócio de friend zone era coisa de adolescente que não sabe separar amizade de pegação. No fantástico mundo racionalista de Carol, as pessoas sabem muito bem identificar quando ser amigos, amigos com benefícios, e quando vale a pena investir em algo mais.

Acontece que as pessoas possuem necessidades e desejos diferentes, que às vezes distorcem essa noção de em que patamar colocar o relacionamento. Porque afinal de contas, os relacionamentos não são divididos somente em amigos, amigos com benefícios, peguetes e namorados. Ainda tem o "brother", aquela pessoa companheira, que topa tudo, mas com quem você não compartilha muito da sua vida nem pede um abraço quando precisa.

Acredito que as definições mais complexas sejam a de amigos com benefícios e companheiros. Porque ambas tem limites, quase sempre não muito bem definidos, ou dependem da vontade de ambos para o que quer que seja acontecer. Ou, no caso de algo realmente sério, um dos dois deve dar o primeiro passo.

Com tantas variáveis, acabei aprendendo que a friend zone é menos arriscada do que confiar na racionalidade das pessoas. A não ser que você queira um relacionamento "de verdade" (e tenha alguma noção que a outra pessoa também quer, claro). Mas nesta situação será necessário dar aquele passo inicial, para a friend zone não virar uma prisão eterna de duas pessoas passivas e medrosas.

Mas inevitavelmente um dia você será surpreendido com um sentimento inesperado e precisará colocar alguém na friend zone. Ou é você quem vai confundir tudo, e levará um friendzoned bem bonito na testa, para aprender de uma vez a não se apaixonar pelos seu amigos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Irmão

Você foi a minha maior companhia nos vários anos de infância em que eu não podia brincar na rua. Brincou comigo de tudo quanto era brincadeira, até as que eu mesma inventava, na falta do que fazer. Me deu conselhos, brigou comigo, botou medo nos meus namoradinhos de escola, desfilou ao meu lado quando estava gostosão e eu queria te exibir para todo mundo.

Você é uma pessoa que não passa despercebido em lugar nenhum. Você tem o dom do relacionamento, da conversa. Você tem um dos corações mais puros que eu conheço. Você é aquela pessoa que sempre vai deixar uma marca na vida de quem conviver com você...

Em alguns momentos você me decepcionou. Sabemos que as suas escolhas nem sempre foram as melhores, e algumas delas machucaram as pessoas que mais te queriam bem. Mas o meu amor por você é o maior amor que já senti por alguém, e nada do que você tenha feito foi capaz de mudar um milésimo do meu sentimento.

Sua ausência sempre me fez falta. Mesmo sem nos falarmos, pensava sempre em você. Me agoniava não ter notícias suas, viver de migalhas de notícias que algumas pessoas me davam sobre a sua vida. Não houve uma semana em que eu não tenha pedido proteção e cuidado de Deus sobre a sua vida.

Saiba que cada partida sua levou um pedacinho do meu coração. Hoje foi extremamente difícil ver você ir embora, mais uma vez. Depois do consolo de ter você pertinho depois de um ano, e finalmente conversar com você,  quando você virou as costas e andou foi aberto um buraco no meu peito.

Eu queria poder te ajudar, ou melhor, poder ir embora com você e te dar tudo que você precisa, ficar ao seu lado e te estimular a fazer as coisas certas, comemorar cada conquista sua ao seu lado, poder resolver os seus problemas ou fazer você esquecê-los, cuidar dos dodóis que a vida te fez, e eu odeio tanto não poder fazer nada!

O que eu posso fazer é continuar orando por você, te mandando boas energias, e esperar que o tempo coloque as coisas no lugar. Mas tenho um favor para te pedir: não fique à mercê do tempo. Ele está passando e te levando junto, levando os anos que você está vivendo e construindo ou não o seu futuro.

Por favor, construa um futuro bonito para você. Seja humilde e aprenda o máximo possível na nova cidade e no novo emprego. Controle o seu temperamento e pare de explodir, pense muito antes de tomar as suas decisões. Muitos erros que você cometeu foram pelas decisões que tomou de cabeça quente.

Coloque a sua vida no lugar, resolva as suas pendências, e depois disso, olhe para frente. O passado só tem a ensinar, se ele começa a te incomodar é hora de esquecê-lo. Você é uma pessoa extremamente inteligente e tem condições de ter uma vida maravilhosa e cheia de realizações. Corra atrás do que você merece e não se contente com o mínimo.

Eu te amo muito, muito, muito, mais do que eu sou capaz de explicar ou demonstrar. Sofro contigo e fico feliz contigo. Quero o seu bem, e enquanto eu não puder fazer nada para contribuir para isso, vou ficar aqui na torcida.

Por favor, não suma mais um ano. Você faz falta para mim e para muita gente. Mas agarre esta oportunidade com unhas e dentes. As coisas vão melhorar, eu prometo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Meu pai atribui esta frase a Bíblia, e a internet me indica pelo menos dois autores. Mas o que importa é o que me diz esta brilhante frase, que é uma fonte de inspiração na minha vida.

Às vezes os obstáculos que enxergamos no caminho não passam de impossibilidades colocadas lá por nós mesmos seja para justificar a preguiça de correr atrás, o medo da deceção ou puro pessimismo.

Quando pensamos sem parar nas dificuldades que encontraremos na vida, nos desanimamos e muitas vezes desistimos dos nossos sonhos.

Mas acredito que apenas a disposição de encarar cada situação de frente e assumir a coragem de enfrentar os obstáculos, as chances de atingirmos nossos sonhos e objetivos aumentam consideravelmente.

Outra frase que gosto de falar quando tenho um objetivo em mente é "o não eu já tenho, agora é lutar pelo sim".

Medo, ainda mais de ouvir um não, não deve ser motivo para desistirmos de absolutamente nada. Nascemos sem nenhum conhecimento e chegamos onde chegamos. Todas as portas estavam fechadas e fomos abrindo uma por uma até aqui.

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Israel - parte 2

by CarolinaTorresdeCastro 2011
No segundo dia de viagem, chegamos no final da tarde no Kibbutz Degania Bet.

Um kibbutz é uma comunidade coletiva voluntária (definição da Wikipedia, é realmente difícil explicar :), basicamente uma cooperativa, inspirada por ideais socialistas. 

A forma de funcionamento, antigamente, era a seguinte: todos os moradores tinham que trabalhar em alguma atividade no kibbutz. Na agricultura, pecuária, cozinhando, limpando, cuidando e ensinando as crianças, enfim, cada um tinha uma profissão, e tudo que era produzido e arrecadado pelos moradores era dividido igualmente entre eles.

Houve uma época em que as crianças eram criadas longe de seus pais, nas "Sociedades das Crianças". Acreditava-se que assim elas estariam livres do Complexo de Édipo e as mães, sem a obrigação de criá-las, estariam livres para trabalhar e ter momentos de lazer. O que ainda permanece são as refeições, que são feitas em um refeitório comunitário, e as decisões, tomadas após votação entre os membros, ou entre os líderes previamente eleitos.

O Kibbutz Degania Alef foi o primeiro kibbutz israelense, fundado em 1909 pela Organização Sionista Mundial. Ficamos no Degania Bet, uma extensão do primeiro kibbutz. O ambiente de pequena vila é maravilhoso. Pequenas ruas ligam as casas umas às outras, e também a um ginásio e uma grande piscina. Árvores por todos os lados, e pequenas praças entre os conjuntos de casas, equipadas com redes e mesinhas com cadeiras tornam o ambiente totalmente acolhedor. A rede WI-FI estava disponível em toda a propriedade, gratuitamente.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
À noite participamos de uma atividade interessante: o grupo de aproximadamente 34 pessoas entre 18 e 26 anos foi dividido em dois, e após uma pequena aula sobre a história dos kibbutz, tivemos que descrever o kibbutz "ideal". As pessoas seriam obrigadas a trabalhar no kibbutz ou não? Se fosse possível trabalhar fora, a pessoa teria que doar todo o seu salário à comunidade? Como educar as crianças, em escolas fora da propriedade, ou em uma escola privativa? E a universidade? Foi uma experiência interessante que gerou uma reflexão sobre o mundo capitalista, e como pode ser interessante viver de outras formas...

No dia seguinte, no tour pela propriedade, descobrimos que tanto Degania Alef quanto Degania Bet foram privatizados, e a forma de vida já era um pouco diferente. Além das atividades de agricultura e pecuária - esta última não servindo somente para sustentar a comunidade, mas também para o comércio, o Degania Bet conta com uma fábrica de silicone. As pessoas também podem trabalhar fora, e há uma porcentagem de contribuição exigida, como em um condomínio. As crianças estudam em escolas próximas ao kibbutz.

Esta visita me despertou a vontade de um dia morar seis meses em um kibbutz. Viver de uma maneira completamente diferente da qual estou acostumada, aprendendo realmente a viver em comunidade e o valor de cada pessoa dentro dela, tenho certeza que seria uma experiência social muito interessante. Mais do que seis meses eu não conseguiria. Apesar da minha admiração e consideração por esta forma de vida, o capitalismo já me conquistou.

Do Kibbutz Degania Bet seguimos para Jerusalém, a cidade com a energia mais intensa deste planeta.

High class problem

Aprendi esta expressão há poucos meses, no trabalho. Um britânico chegou pontualmente adiantado para uma reunião com um diretor, e nos primeiros minutos eu era a única pessoa que poderia entretê-lo enquanto o diretor não chegava.

Acredito eu que para fugir da nossa falta de assunto que se resumia aos lugares que ele visitou no Brasil, e a sua opinião sobre eles (que não foi lá grandes coisas), ele começou a perguntar de mim: o que eu fazia naquela empresa e na vida.


Então eu me surpreendi chegando bem próximo daquele tipo de pessoa que me dá tanta pena: com a menor demonstração de interesse de outra pessoa, se abre e fala de si até o dia seguinte. Mas eu não faço exatamente o tipo comunicativa, então rolou apenas um pequeno desabafo.

- Faço estágio aqui. Termino a faculdade no final do ano que vem. Curso administração e gosto de muitas áreas diferentes, eu posso trabalhar em tanta coisa! Não sei exatamente o que escolher.

- That’s what we call a “high class problem”. Having a lot of options is a good problem to have.

Fiquei sem reação. Eu ali quase reclamando da minha vida, e uma pessoa que nunca havia me visto e provavelmente nunca mais irá me ver, me ensinando uma expressão nova em inglês e me fazendo enxergar o abismo de pessimismo onde eu estava prestes a entrar.

Depois desse dia, eu penso muito antes de classificar algo como problema. Afinal, ter várias opções de carreira em uma área é realmente um problema? Ter dúvidas sobre continuar estagiando (o que implica na possibilidade financeira de estagiar) e ter mais tempo ou arrumar um emprego para juntar dinheiro e perder um pouco de vida social é mesmo um problema?

Se eu resolver classificar estas situações como problema, sei que corro o risco de ouvir que são high class problems, problemas bons de ter. Por isso, para não levar mais nenhum tapa com luva e para o bem da minha auto-estima, passei enxergar tudo isso como possibilidades e desafios importantes na minha vida. Afinal de contas, é isso que um high class problem é.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dinheiro

Eu sempre fui das que acredita que dinheiro traz, sim, felicidade. Eu quero ter muito dinheiro um dia. Mas tenho visto que ele não garante nada, e mais: ele muda a personalidade e cria problemas até então inexistentes.

O dinheiro faz você ser um imenso alvo de fofocas, verdadeiras ou não. Atrai inveja para a sua casa, seu carro, suas roupas, seu marido. Como você está constantemente feliz com as coisas que o dinheiro te compra, sua felicidade também é alvo de inveja. Não dá para ter certeza de quem é seu amigo de verdade.

Como as pessoas lidam com o fato de terem dinheiro? Há os que se escondem, há os que se mostram, há os que pagam pela fofoca e pelo silêncio, tem pessoas que escondem quem são, e as inconsequentes, tem os isolados e os cheios de "amigos". Há muitas formas de controlar a sua influência e sua imagem, quando você tem dinheiro.

Uma coisa eu sei: a pior armadilha na qual você pode cair é achar que o dinheiro que você tem te dá poderes sobre a vida das pessoas. Pode até funcionar para alguns, mas com certeza as pessoas que não se intimidam com isso não vêem mais do que uma bela de uma disfunção psicológica em você.

Porque comprar informações, armar arapucas, mentir, trair, ameaçar, violentar e coagir pessoas não são possibilidades que o dinheiro traz. São atitudes nojentas, dignas de pessoas sem nenhum caráter, que não dão o menor valor ao ser humano. E não há a menor justificativa para essas atitudes.

As possiblidades trazidas pela riqueza, e que te ajudam a se proteger dos males que o dinheiro provoca, são ajudar outras pessoas, doar para quem precisa, se envolver em projetos sociais, melhorar a sua imagem tanto física quanto psicológica (comprando roupas, colocando silicone ou arrumando um psicólogo, que seja!), enfim, investindo em coisas que te façam bem de verdade.

Assim, a felicidade é natural, e não comprada. As fofocas serão positivas, a inveja será do bem que você faz aos outros, seus amigos estarão do seu lado não por medo, mas por admiração. O mundo ficará mais bonito e as pessoas deixarão de "armar contra você" e "tentar te prejudicar" (se é que isso realmente acontece, e não é uma questão psiquiátricacológica, como mencionei anteriormente).

Porque o mundo não é mau e cruel até que você o provoque. As pessoas não são todas invejosas, interesseiras e querem puxar seu tapete o tempo todo. O mundo vai além do que você ouve em fofocas de pessoas maliciosas, há uma pessoa com família e sentimentos iguais aos seus do outro lado.

Há os que não vivem no mesmo mundo que você e só querem ser felizes, não importando se elas tem ou não dinheiro, ou se você tem ou não dinheiro. Não estrague isso e seja feliz também.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cada um no seu quadrado

Naquele ônibus lotado que saía da rodoviária rumo à W3 Sul, eu estava prestes a ser afetada pela energia negativa de 32094820348 várias pessoas que acabavam de terminar uma jornada de trabalho. Tive que deixar meu livro em casa porque o dia tinha exigido vários objetos a mais na minha bolsa, e não houve espaço, e lembrei mais uma vez que preciso comprar um MP3.

Isso tudo para justificar que eu comecei a prestar atenção na conversa de três fofoqueiras jovens que trabalham na mesma empresa, e que estavam a discutir sobre os comportamentos absurdos das outras colegas de trabalho. Percebi a depressão chegar mais perto enquanto ouvia as muitas críticas e julgamentos maliciosos daquelas pessoas, quando finalmente consegui o que precisava:

- Pois é, ela está toda esquisita mesmo, não conversa, não se mistura... e não quer contar o que aconteceu! Mas eu não estou nem aí, ela que cuide de vida dela, eu não vou me meter...
- Isso mesmo, cada um no seu quadrado.
- É, cada um no seu quadrado!

De repente, eu era o foco da atenção de algumas pessoas mais próximas. Me segurava para não rir alto.

Pois ora, que situação mais absurda! Depois de muitos minutos discorrendo sobre a vida pessoal de várias pessoas indefesas, a criatura coloca a máscara e vem dar uma de despreocupada com a vida alheia? Assim, sem um k-y nenhuma transição, sem preparar o espectador?

Ri mesmo. E venci aquela "coisa ruim" de ônibus lotado em Brasília. Porque vez ou outra a hipocrisia também pode ser divertida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Essa distância


O curso natural da situação é sempre aparecer do nada, interromper com um comentário sem sentido e um sorriso maroto pedindo desculpas discretamente, depois uma leve risada e a célebre abertura: "Tudo bem, meu bem?".

Em milésimos de segundos passam incontáveis respostas e possíveis enredos para aquela novela, e talvez por isso não consiga dizer mais do que "Sim, tá tudo bem". Vez ou outra uso um ótimo ou um de boa, para variar.

O abraço apertado regrediu para um aperto de mão que regrediu para uma pequena troca de olhares que mal dizem boa noite.

E essa distância é a mais dura que existe: a distância espiritual e psicológica que formam um buraco no peito mas que em nada se relacionam  com a distância física. A pessoa está ali, ao seu lado, mas o desconforto, a falta de jeito, o embaraço, um pequeno medinho, criam um buraco.

E esse buraco está tão, tão grande que uma singela aproximação se traveste de risco, e uma boa ação de cavalheirismo dá lugar a pensamentos confusos.


Essa distância não é fácil de suportar, mas a distância física deve e vai ajudar a fazer todo esse climão sair até da memória e essa melancoia passar. E uma rápida troca de olhares que valem ou não um boa noite ser a principal comunicação, sem rancores, de ambos.