sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quem procura, acha. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu adoro os ditados para fazer um resumo das coisas que eu vejo nessa vida. Por que ditados como esses viram clichê, se as pessoas insistem em mexer com o que não é seu, em cutucar quem está quieto?

E cutucam com vara curta. Fazem perguntas cujas respostas não suportam.

Sabe aquele momento em que você está segurando o choro, e alguém fala "não chora"? E aquele momento em que você está se controlando relativamente bem, e alguém fala sem a necessidade "calma"? Então. Não faça ninguém chegar lá.
O pensamento-padrão ao abrir os olhos pela manhã e fechá-los à noite foi embora sem dizer tchau. Quando me dei conta, já era um pensamento aleatório diário, às vezes virava um sonho bom que me fazia sorrir ao acordar. Quando era um pensamento padrão não havia sorrisos, o coração ficava apertado nessas horas.

Desde que ele me falou aquele dia em Paris "if you wanna see the change, be the change", essa frase me vem à mente toda vez que começo a querer reclamar da situação. Mas e se não for possível ser a mudança?

Então chamamos o tempo de aliado, e nos unimos a ele com o objetivo de esquecer o quão pequeno somos no espaço, no tempo e no amor. E esperamos que à medida que ele passe, o pensamento aleatório diário torne-se semanal, daí mensal, daí só venha quando for chamado, sem aperto no coração e sem sonhos felizes irrealizáveis, que ele torne-se somente boas lembranças de um belo passado que ensinou que quando não podemos ser a mudança, o negócio é se conformar e seguir a vida.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Esses dias vi uma tirinha do Charlie Brown, onde ele encontra Snoopy perto da caixa de correio, e diz: "É uma perda de tempo ficar esperando uma carta de amor ao lado da caixa de correspondência... ela nunca vai chegar. Eu sei dessas coisas... sou um especialista!" E então, se apóia no muro com uma mão segurando a cabeça e diz: "Que coisa triste ser especialista nisso".

Felizmente nunca passei por essa situação, apesar de ter trocado cartas via correio durante um tempo, com algumas pessoas, há muito tempo atrás (como era legal esperar o carteiro...), mas fiquei de coração partido quando vi essa tirinha!


Hoje, no entanto, vi uma imagem ótima no Facebook:




Depois do riso fácil, a reflexão: quantas vezes procuramos incessantemente algo, e estamos na verdade procurando em apenas um local, ou olhando para outra direção?


A carta pode apenas ter ido para a caixa de correio errada...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quase (ou Primeira Vez)


Eles chegam à surdina, e de faróis desligados. São gentis, afinal, o medo ficou estampado no rosto daqueles dois jovens desde o momento em que os viram. Não podem fazer muita coisa, afinal, tem uma garota ali, e eles são dois homens. Fazem um enorme questionário à ela. Pegam ele para Cristo.

O garoto tenta, sem sucesso, fingir que ela é sua namorada. Ela também não consegue disfarçar direito. Foram muitas tentativas, de ambos os lados, para levar a situação para um outro cenário. Uma batalha intelectual na qual ganha quem mentir melhor.

- O senhor está mijado, senhor?

Estava. A vontade foi maior que o tempo para abrir completamente o zíper da calça. Ela começa a rir e o policial não se aguenta, também. Mas eles estavam lá para cumprir um dever, e o parceiro não se distraiu:

- Abra o carro. E a senhora, acompanhe.

Quando a cena termina, começa o terrorismo: histórias da carochinha sobre como mulheres são estupradas ali, no centro esportivo da cidade. Ameaças de chamar a mãe, para a coitada levantar uma da manhã e levar o RG da filha caminhante nortuna. Lições sobre como criminosos são também bandidos, e algumas mentirinhas sobre como é fácil ser preso naquela situação.

Mas não os prenderam. O casal finge acreditar nos policiais, e os policiais não acreditam em ninguém. Mas o aviso foi dado, "não voltem mais aqui". Porque eles sabem que nem todo criminoso é bandido. Polícia para quem precisa de polícia.

sábado, 16 de junho de 2012

Israel: Jerusalém - dia 2

Já fez um ano que parti para os dez dias mais intensos da minha vida, como gosto de definir. E muito tempo desde que parei de registrá-los. Vou aproveitar esta tarde chuvosa para gastar minhas calorias indoor, escrevendo. Clique na foto para ampliar.

by CarolinaTorresdeCastro 2011

A manhã de sábado passou enquanto eu dormia profundamente. A parte da manhã era "family time", um momento para os participantes com família em Israel receberem seus parentes no lobby do hotel. Depois, almoçamos e fizemos uma atividade que não me lembro qual era, e partimos caminhando - afinal, era shabat - pela cidade, para conhecer outros locais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Construção em Jerusalém - raridade, por onde andei


Andando pela cidade quase deserta, passamos por uma construção, que eu tive que tirar foto, afinal, tudo em Jerusalém parece - e a maioria é - extremamente velho. 

Passamos por alguns ministérios, pela Suprema Corte, pelo Knesset (parlamento) e outros prédios governamentais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Placa da faixa de pedestres







Finalmente consegui tirar uma foto da placa "de chapéu". É a placa da faixa de pedestres em Israel, na maioria o homem já não usa chapéu, mas com sorte ainda encontramos algumas clássicas.





Chegamos ao Museu de Israel, com sua bela arquitetura. Na entrada, ainda de fora, há uma maquete de 2.000 m2 de Jerusalém na época do Segundo Templo, inclusive com uma réplica do Templo de Herodes. É incrível a quantidade de detalhes da obra.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Museu de Israel, Jerusalém
by CarolinaTorresdeCastro 2011
 Maquete Jerusalém aprox. 66 d.C.
by CarolinaTorresdeCastro
Maquete Jerusalém, Museu de Israel, 2011
by CarolinaTorresdeCastro 2011
Maquete Templo de Herodes

No interior do museu, ficam manuscritos antiquíssimos encontrados perto do Mar Morto, e artefatos encontrados em Massada. Fiquei impressionada com os papiros, que vi pela primeira vez e não pude registrar por causa da política do museu, que é bem gelado, meio escuro e tem proteções em volta de todas as obras.

Saindo do museu, no Jardim da Arte, a escultura de Robert Indiana: Ahava (אהבה, amor em hebraico), feita em 1977 em aço patinável (cor-ten steel). Eu acho essa escultura linda. Até fiz um coraçãozinho com a mão para o meu namorado da época, com o qual terminei um mês depois. A experiência e a foto ficaram, ainda bem.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Ahava (אהבה, amor em hebraico): escultura do americano Robert Indiana
Jerusalém também é cheia de morros e colinas. O Museu de Israel é em cima de uma, o que dá uma vista legal para quem subiu até lá. Perfeito para uma foto.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Jerusalém, Mai/2011
O dia começou light e terminou pesado, com uma atividade triste sobre o holocausto. Era uma preparação para o dia seguinte, onde visitamos o Yad Vashem, o Museu do Holocausto. Depois percebi que aquele dia foi uma espécie de descanso da alma, preparando para o que veríamos no nosso quinto dia no país.

De saias

Por algum motivo que eu fiquei com preguiça de pesquisar no Google, nós, seres humanos, sentimos a necessidade de reconhecimento. Cada um pelo que bem entender. Por muito do que já vi disso, não existe um padrão de atividades para a descarga desta necessidade.

A melhor coisa, na verdade, é quando você não sente falta, e é reconhecido. Um elogio inesperado, um comentário diferente do padrão, mostrando que a pessoa está realmente ali, uma comparação. Ah, as comparações!

Mesmo que a comparação seja em apenas um aspecto, ela é frágil, pois sempre corremos o riso do outro não compreender. Apelidar o corte diferente e bonito do cabelo do amigo de cabelinho do Neymar pode deixar a pessoa puta, se ele não simpatizar nem um pouco com a personalidade do fulano.


Mas comparações do tipo "seu estilo de escrever/pintar/whatever lembra [fulano famoso da área dele]", "você canta como [célebre cantor, músico]", enfim, são tão bem aceitas! E quando a pessoa que te reconhece é alguém que você admira?

Claro que reconhecimentos são sempre muito bem-vindos em todos os momentos, mas pelos próximos meses minha avidez por ele já foi totalmente descartada.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Terceira Lei de Newton

A lição do dia foi simples: "o que vai, volta". Isso falou comigo de diversas formas nessa segunda-feira produtiva. Acho que essa é uma das leis básicas da vida na terra. Deveria ser ensinada exaustivamente às crianças, cuja maior noção de ação-reação que recebem é quando fazem alguma travessura e são castigados. A parte empírica está lá, mas onde se encontra a teoria?

Vez ou outra precisamos dizer em voz alta, a nós mesmos (com sorte, somente aos outros): toda ação tem uma consequência. Colhe-se o que se planta. Não dá para chegar em um lugar diferente seguindo o mesmo caminho. Quantos ditados e clichês são necessários para colocar isso na mente das pessoas?

Esses dias vi no facebook: "aquele que não luta para ter o futuro que quer deve aceitar o futuro que vier". Eu não sei se concordo, pois acredito que nunca seja tarde demais para mudarmos de atitude e fazermos a diferença para melhor em algum aspecto da nossa existência. Mas não é porque finalmente acordei para a vida e virei uma pessoa sábia e iluminada que eu deixarei de sofrer as consequências de tudo que eu fiz nos últimos anos. Da mesma forma, o que eu colherei nos anos seguintes será a consequência do que eu plantar - as minhas ações - durante esse ano.

Para mim, isso quase sempre foi muito lógico - hiperbólico assim. Ainda assim, às vezes eu tento passar dos limites esperando não sentir as consequências, e de vez em quando dá certo. Mas cada um tem as suas dificuldades, não é? Para alguns seres comuns, e alguns sortudos que se beneficiaram da impunidade numa vida mimada, a maior delas é não saber que o futuro é o resultado, a consequência, a reação (chame como quiser), do que você fez no passado... e hoje. Sem agouros ou ameaças. É a lei do Newton e da vida.


(Sei que o que escrevi não tem nada a ver com física, nem sei se a minha tentativa de ilustrar meu pensamento é correta - provavelmente não 100%, mas para mim fez sentido. Então nem vem. :)

segunda-feira, 4 de junho de 2012


E o tempo passa rápido, mas não o suficiente para que ela esqueça de contá-lo. Estudo, leitura, jogging, mais estudo, mais leitura, vida social x3. O cansaço vem junto com o fim do dia, a cama é o lugar das reflexões finais da jornada, ela abre uma brechinha para o coração... e ele vem com o mesmo assunto de todas as vezes.

Coisa ruim é assunto mal acabado, ele volta no primeiro momento de descuido, cria vida, tamanho, aponta o dedo na sua cara e diz: me resolve!

Coisa ruim é distância mal tomada, aquelas sem explicação, num dia você está tomando uma cerveja com a pessoa, se no outro você não puder brindar, já não é mais digno das notícias da semana.

É por isso que ela quer que o tempo passe rápido. Para que a distância inexplicável seja diminuida com o milagre do calendário gregoriano: levar com ele, a cada dia, um pedacinho dos nossos assuntos mal acabados. E que quando ela esquecer e lembrar novamente de contar o tempo, seja ela quem cresça e aponte o dedo para o coração e diga: resolvido! (E continue assim!)

Preguiçoso domingo

O céu azul claro cheio de disformes nuvens parecidas com algodão. O clima está bom tanto para ficar em casa, quanto na rua. O sol está forte, mas deitado na grama, embaixo de uma árvore, encontraria a harmonia perfeita com o ambiente.

Após doze horas dormindo, o que resta a pessoa que acorda é querer voltar a dormir. A preguiça toma conta. O clima está bom para ficar na minha cama, coberto com um lençol. Assistir uma coisa qualquer na televisão, ou um seriado ou um filme no computador, que pode fazer companhia na cama.

O que é esta coisa de estar junto que faz com que vez ou outra esses momentos não tenham a mesma graça sozinhos? Que faz com que domingos preguiçosos combinem com um ombro a sustentar a cabeça, sonecas intercaladas entre filmes antigos, e refeições exóticas preparadas para dois em uma cozinha industrial?