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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dezembro

Eu não sei qual o nome do sentimento negativo que insiste em ficar lá no fundo do meu peito nessa época do ano, mas ele bate ponto em dezembro. Pode ser meu inferno astral, também, o fato de eu ficar mais sensível nessa época e tudo mais.

Mas à medida que o mês vai passando, vou me enchendo do blablabla natalino de paz, amor, fraternidade e presentes. Vamos combinar, a maioria das pessoas está mais feliz por causa do décimo terceiro salário, não por causa das luzes de Natal e das decorações pela cidade. Na minha casa mesmo, não pode ter decoração natalina porque não contempla o verdadeiro sentido da data, mas os presentes são bem-vindos. Vai entender.

Não estou generalizando e sei que pareço arrogante, mas como engolir comemorações sobre a diretoria ter liberado a equipe de trabalhar na véspera de Natal, ao mesmo tempo em que se pede à empregada doméstica para trabalhar nesse dia? Como justificar ausências de quase um ano à luz de aproximações bondosas no último mês dele? Por que durante o ano a presença nos eventos não é tão essencial assim, mas no Natal ela é exigível?

Dezembro é o mês da hipocrisia. Essa hipocrisia aumentada nesse mês não está no padrão que eu costumo relevar. Pois sim, relevo muita hipocrisia à minha volta em nome da paz coletiva, mas em dezembro é tão difícil conter o mal humor perto de pais que louvam atitudes detestáveis de seus filhos, de parentes e amigos sumidos que resolvem aparecer, de lembrancinhas sem sentido que recebo ou sou obrigada a dar.

Não vejo a hora desse mês e ano terminarem, para as esperanças na humanidade serem renovadas junto com as resoluções de ano-novo. Pois na virada do ano as pessoas geralmente são mais sinceras com todos e consigo mesmas, especialmente na hora de definir as novas metas particulares. Que nesse momento as pessoas deixem a hipocrisia de lado e olhem para o que realmente tem importância, não porque uma data comercial as obriga, mas pelo desejo verdadeiro de ser alguém melhor para si e para o mundo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Rendeu um post

É engraçado como podemos passar horas conversando com algumas pessoas. E como há pessoas com quem não conversamos mais que alguns minutos ocasionalmente, mas cujos diálogos são profundos e nos fazem pensar. Minhas conversas mais profundas quase sempre rendem um post.

Infelizmente a comunicação está banalizada, e com frequência sou taxada de anti-social ou de metida e ainda de chata, por não corresponder a certas expectativas de contato com as pessoas com quem convivo. Mas para mim, a comunicação precisa fazer sentido e acrescentar valor às duas partes.

Acrescentar valor numa conversa pode acontecer de várias formas, desde o aumento do conhecimento, com o compartilhamento de experiências, ou um ponto de vista diferenciado que gera reflexão, ou ainda mesmo o entretenimento e diversão gerados pelo papo.

Acontece que a Carolina não se atrai nem se prende nem se importa com conversa fiada, amenidades, puxação de papo que já indica que não dá em lugar nenhum. A comunicação tem que ir além da conversa, tem que gerar conhecimento, unir as almas. Se não for assim, prefiro me limitar à convivência e me dedicar mais à introspecção que a interação.

É lógico que essa atitude separa e limita muito as pessoas com quem converso. E fortalece ainda mais a minha imagem de metida, séria que não conversa com ninguém. Nenhuma explicação vai mudar a forma com que certas pessoas me enxergam, é claro.

Mas da mesma forma que não dá para ter uma comunicação agregadora com todos, também não dá para ficar perdendo tempo com conversas que não levam a lugar nenhum, em certos momentos da vida não posso me dar a a esse luxo. Obviamente tenho amigos com quem converso mais sobre futilidades, me divirto e tudo mais.

Talvez um dia eu mude e tenha menos preguiça de me relacionar com as pessoas além do meu círculo seleto de amizades. Por hora, há uma barreira invisível que limita alguns relacionamentos mais profundos - só quem vence essa barreira sabe que do lado de lá tem um mundo além de conversas que rendem um post.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intercâmbio

Existem muitas definições por aí. Textos com tentativas de definições, na verdade, que contam como funciona cada programa, o quanto se aprende o idioma em pouco tempo, como é possível conhecer diversos locais e pessoas, enfim, dão um geral sobre os aspectos tangíveis ou mensuráveis sobre essa experiência.

Meu primeiro intercâmbio foi aos 14 anos e eu, que sonhava e pesquisava sobre isso desde bastante tempo antes, achava que sabia o que me esperava do outro lado do mundo por causa de tudo que li a respeito na internet. A experiência foi ótima mas não foi das melhores, e em meu segundo intercâmbio, aos 21, eu entendi a importância da combinação do programa com o perfil da pessoa, e que o aprendizado na verdade é muito maior do que o divulgado por aí.

O que buscamos ao fazer intercâmbio, além do óbvio aprendizado do idioma, é o contato com a cultura do país, a possibilidade de conhecer pessoas novas e cidades completamente diferentes, além dos pontos turísticos e lugares "dos sonhos", presentes em tantos filmes assistidos, fotos e vídeos frenquentemente vistos na internet e na televisão.


Acontece que o contato com o novo, a exposição ao diferente - a vários diferentes - faz a pessoa querer se comparar, e para isso ela olha "de fora" para si mesma. Esse é o primeiro passo para o autoconhecimento, o conhecimento mais desenvolvido e mais causador de mudanças em um intercâmbio.

A exposição a situações nunca antes vivenciadas, a necessidade de socializar com pessoas completamente diferentes e totalmente desconhecidas, a curiosidade sobre as diferenças, a responsabilidade de lidar com um dinheiro diferente (a um câmbio muitas vezes nada amigável), e de suprir suas próprias necessidades - todas elas, de afeto às compras mensais - faz a pessoa refletir sobre si mesma.

A solidão traz a reflexão sobre as atitudes pessoais e coletivas, sobre a vida só e em sociedade. As diferenças ressaltam o que há de melhor e pior em cada país e cultura, aumentando a compreensão e adaptabilidade e mudando valores, muitas vezes fazendo a pessoa valorizar mais seu país e sua família e repensar sobre suas atitudes.

Não posso dizer que são tudo flores, os atrativos do exterior também causam decepções com o Brasil. Dá vontade de ficar lá, apesar da saudade. Mas também dá vontade de voltar e contribuir para que as coisas sejam diferentes. A visão ampliada do eu também traz a consciência do primeiro que deve mudar antes de ser agente de mudança.

Ao inevitavelmente voltar ao Brasil, fazemos questão de valorizar o avanço do idioma no período fora, as amizades multiculturais conquistadas e os conhecimentos gerais aprendidos. As pessoas ao nosso redor valorizam silenciosamente - ou às vezes fazem questão de comentar sobre - nossa força de vontade potencializada, a tolerância, compreensão e bons hábitos desenvolvidos e uma série de outras qualidades que desenvolvemos sem perceber, enquanto achávamos que aprendíamos sobre o outro, enquanto na verdade nos conhecíamos lá fora.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

The Diary of Anne Frank

Estou fazendo uma interminável arrumação do meu quarto, aquelas em que separamos o que jogar fora, encontramos coisas do outros que deveríamos ter devolvido há anos, cartas antigas, cacarecos inúteis que juntamos, enfim... na bagunça encontrei uma redação que fiz no meu último semestre do curso de inglês, em 19.08.2006, uma revisão de um livro. Adoro encontrar provas antigas em que tirei a nota máxima, como é o caso. Triste é encontrar redações e ver que eu escrevia melhor do que hoje. Mas vou deixar isso de lado e postá-la aqui.


The Diary of Anne Frank was written by Anne Frank during the Second World War. It is a true story about a Jewish girl that had to live hidden for two years, because the Nazi police had sent a call up notice for her father and sister to go to a concentration camp. The book talks about her life when in the Annex, where she was hidden, and it is really interesting because she is a teenager growing up with all of the doubts that a teenager had, but aggravated, because she doesn't go out, and her reality is totally different from ours.

It is, obviously, a diary book. So, it contains parts that seem really confidential. And this is nice, specially when you are a teenager, because there you read things that you used to write in your own diary, things that you expect nobody to read. Anne did some modifications because the German government had said that they would make a collection of letter and diaries after the war to publish.

When I first read the book, I wasn't a teenager yet. I was just a child who thought all of those wars and books about wars were exaggerated, and it seemed unreal for me. Now, when I read it I do as if it is a school book that teaches people how to live in peace by showing the consequences of not doing it. And it is useful, because you become so shocked that you just can't imagine all of those things happening again.

In my opinion, The Diary of Anne Frank is a very special book, not just because it is a diary, or because it talks about the Second World War. It is a special book because Anne is true, sincere, and she is not afraid of telling what she feels in any situation. And it tells us about the changes that a girl living during the war can suffer, and how all of those things - war, genocides - are stupid.

Anne Frank didn't have a happy end. In August of 1944, the Secret Annex was found and the Nazi took Anne and her family to the concentration camps, where most of her family died. But Anne is an example of faith and optimism in bad and sad situations. In her diary, she was always writing that she believed that God would save the Jews.

I totally recommend The Diary of Anne Frank for people who want to learn not about the Second World War, but how a girl survives in a house with many people, during a war, without going out or having any social life, but all the time being optimist.

"These are the thought and expressions of a young girl living under extraordinary conditions, and for this reason her diary tells us much about ourselves and about our own children. And for this reason, too, I felt how close we all are to Anne's experience, how very much involved we are in her short life and in the entire world." - Eleanor Roosevelt

domingo, 27 de maio de 2012

Breaking Bad

Tem gente que não gosta de filmes com espíritos e demônios. Eu sempre disse que prefiro esses filmes sobrenaturais, que assustam com coisas que não existem, aos filmes de violência onde o ser humano é o personagem principal - mostrando coisas horrorosas que não vemos com frequência por aí, mas que sabemos que pessoas foram e são capazes de fazer.

Sou o tipo de pessoa que fecha os olhos quando sabe que está prestes a ver muito sangue ou partes do corpo humano fora de seus lugares habituais, e fiz isso várias vezes no começo dessa série, que por um pouquinho de orgulho e desafio a mim mesma, resolvi encarar e assistir até o final. Foram várias noites de insônia e algumas de pesadelos, e finalmente termino de ver a melhor série que existe.

Walter White é um professor de química mal pago e um gênio de sua área, pai de um adolescente desbocado com paralisia cerebral e casado com uma bela, alta e loira dona de casa, que está grávida novamente. Quando descobre que tem câncer de pulmão em estágio avançado, ele tem a brilhante idéia de fazer uma parceria com um ex aluno traficante, com quem produz e vende metanfetaminas para prover um futuro financeiro adequado para sua família. Sua decisão o leva para uma vida de crimes e situações extremas.

O mais incrível desse seriado é a sensação de fazer parte dele. Eu fico arrepiada, sinto o que os personagens sentem, grito, xingo e converso na frente do meu laptop ao assistir. É realmente emocionante. Indico a série para quem simpatizar com a idéia de ver uma história sobre o narcotráfico na fronteira entre o México e os Estados Unidos, que aborda abertamente o consumo de vários tipos de drogas, com muita ação, sangue, tiros, algum drama, e um enredo fantástico.

Me considero uma mulher mais forte depois de ver as quatro temporadas, após anos evitando esse tipo de entretenimento. Mas em julho, quando a quinta temporada começar, acredito que ainda vou virar a cara para algumas cenas que continuam sendo demais para a Carolina aqui.

sábado, 17 de março de 2012

Out of character

"O triste de tudo isto é que, à medida que crescemos, nos acostumamos não apenas com a lei da gravidade. Acostumamo-nos, ao mesmo tempo, com o mundo em si. Ao que tudo indica, ao longo da nossa infância nós perdemos a capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo." - Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia

Os estereótipos são típicos exemplos da perda da capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo. Com o nosso hábito de sempre classificarmos as pessoas, dividi-las em grupos, e de criarmos uma imagem de cada cada uma delas - mesmo, muitas vezes, sem conhecê-las - perdemos a oportunidade de descobrir coisas interessantes sobre os outros, e eu diria até, de abrirmos os olhos para a burrice que é estereotipar.

Ficarmos surpresos com o comportamento das pessoas deveria ser algo positivo, visto que nos abre os olhos para o universo que cada pessoa pode ser. Ao invés disso, nos impressionamos e nos sentimos idiotas por termos criado uma imagem errada da pessoa, ou nos decepcionamos por a pessoa não ser exatamente o que tínhamos imaginado.

O problema desse conformismo é quando achamos que também devemos nos encaixar num estereótipo. Até "se encontrar", uma pessoa costuma sofrer certas crises de identidade. Depois disso, muitas vezes o quadradinho que escolheram fica pequeno demais, opressor demais. E então vemos todos os dias pessoas procurando válvulas de escape: "despirocar", fazer compras, comer, encher a cara, arrumar briga...

Eu concordo com quem falou que definir é limitar, e também acho que muitas vezes é reprimir. Ninguém é obrigado a ser engraçado, sério, estudioso, baladeiro, enfim, a ser qualquer coisa o tempo todo. Podemos ser diferentes pessoas em uma só. Para mim isso não é ser duas caras, como muita gente acha. Isso é ser quem você quer ser quando você quiser ser.

De qualquer forma, não sou ingênua ao ponto de achar que isso um dia vá mudar no mundo, e até acredito que um dia eu possa me render a um estereótipo. Mas preciso aprender a julgar menos os outros e me importar menos quando as pessoas se surpreendem com alguma característica minha. Eu ainda tenho muito para aprender e a desenvolver antes de escolher um quadradinho. E estou feliz frequentando vários.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Viver de imagem é uma coisa que acontece no mundo todo, mas no Brasil, na minha opinião, a "coisa é mais feia". É hipócrita quem diz que não existe um padrão, mesmo que não comunicado abertamente, para se vestir, se comportar nos vários meios sociais, para conversar, para se expressar (até para o Facebook estão criando regrinhas, pode?).

Apesar de realmente achar isso babaquice, sei que isso não mudará tão cedo, e me preocupo com a minha imagem. Não é pelo fato de ser aceita em qualquer grupo, mas pelo medo do julgamento. Eu já menti, omiti, fingi muito pelo medo de ser julgada, especialmente no meio familiar, que para mim é o mais difícil de conquistar um espaço, pois todos são muito firmes em suas opiniões e valores, dos quais eu nem sempre compartilho.

Um fato que me marcou quando eu era bem nova, foi um dia de eleições em que todos se encontraram depois na casa da minha avó. Em meio às discussões de opiniões e revelações do voto, um primo simplesmente se recusava a contar em quem ele votou. Nunca esqueci desse dia, pois vi claramente - embora não tenha certeza - o medo do julgamento. Afinal, se ele compartilhasse das mesmas opiniões que todos, não havia porque esconder nada.

A questão é que esse grande medo de julgamento que eu sempre tive - e que felizmente, está diminuindo bastante - me trouxeram problemas para me aceitar. Apesar dos meus valores serem bem liberais e eu não ver problema em várias coisas (não vou citar nada, olha aí o medo de ser julgada!), sei que a maior parte do mundo não compartilha dos mesmos valores, o que em alguns momentos me levou a questionar se eu estava certa.

Mas não adianta: se você precisa esconder quem você é, tem algum problema de aceitação envolvido. Aprendi isso quando meus pais descobriram algo sobre mim que eu tinha muito medo de revelar a todos que não compartilhassem da mesma opinião. Após uma conversa onde ficou claro para mim que apesar de eles não aprovarem por motivos óbvios, o amor deles não mudaria em nada (e senti que lááááá no fundo eles podem compreender um pouquinho a situação), o muro que me separava deles caiu, e eu passei a me aceitar.

Apesar disso, não posso e nem preciso ficar levantando bandeira dos meus valores e opiniões. Não nasci para ser revolucionária, mas também não sinto mais a necessidade de mentir quando sou questionada diretamente. 

Eu acho que a imagem é algo importante. Não escondo que vivo da minha, e que eu mesma adoto padrões para os diversos grupos sociais que frequento. Frequentemente, por causa da minha postura, surpreendo as pessoas quando exponho as minhas opiniões, mas isso vai quebrando aos poucos os preconceitos, e realmente faz algumas pessoas refletirem sobre o julgamento pela imagem.

Vejo muita gente tímida e insegura pela dificuldade em se adaptar, e não quero mais isso para mim. Sei que o medo do julgamento não vai passar completamente até que eu não deva nada a ninguém (pois dependo da minha imagem para conseguir e manter um emprego, por exemplo), eu mude de opinião (é sempre possível, sou muito nova para estabelecer verdades absolutas na minha vida), ou eu esteja em um meio onde, realmente, nada disso importe. Até lá, a auto-aceitação vai me ajudando a viver mais feliz e menos preocupada.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alterado

Infelizmente tem pessoas que eu nunca vou saber quem são de verdade. Porque o que vejo é uma personalidade alterada por uma "mente feita", o dia inteiro. O pior é quando a pessoa depende das influências, e não é ninguém sem elas...

Usar camisinha, baixar o volume após as 22h, não pegar no volante após dirigir...  O que quero dizer é: sou liberal com muitas coisas, mas acredito que até a diversão tem que ter limite, principalmente quando ela altera ou pode alterar a vida do outro, ou pior: a sua própria vida.

Não adianta pregar eternamente a tolerância e a legitimação, a mente das pessoas não vai abrir enquanto essas coisas não acontecerem.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Vai amassar minha blusa social!"

Eu ainda não tenho carteira de motorista. Por uma série de motivos, comecei o processo somente no final do ano passado, na última turma do ano. Tive que aguardar cerca de um mês entre o fim das aulas até a prova teórica, que fiz hoje.

A primeira parte do meu processo de formação foi turbulento, com direito a mal-estar durante a aula de primeiros socorros e uma crise de choro rápida, escondida no banheiro da auto-escola, o que revelou a minha fraqueza com assuntos psico-fisiológicos. Mas aprendi bastante com um professor, que também é bombeiro, muito inteligente e comunicativo, e dei boas risadas em aula.

Estou enrolando para chegar ao ponto (como sempre, achando que preciso me justificar). Eu não sei se é porque eu não consigo ver certas coisas por iniciativa própria (um acidente, uma cena de violência ou assassinato na televisão, etc) e tenho medo até da possibilidade de passar por essas situações, mas eu acho inadmissível uma pessoa se expor ao risco de dirigir sem o cinto de segurança.

As pessoas sabem que o cinto pode salvar vidas. Estudam sobre isso na auto-escola, ouvem casos e casos com essa situação, as vezes até passam por ela. Qual a justificativa para a brincadeira: "o cinto não combina com a minha roupa"? Sinceramente, não entendo.

Apesar de não entender a postura, morrer de medo e não concordar, às vezes fico calada e não peço para os colegas do carro colocarem o cinto, embora sempre reclame quando não tenho o meu. No carro de amigos, falo até eles colocarem ou ficarem chateados comigo.

Quando eu tiver o meu carro, só darei partida depois que todos estiverem seguros. Ainda faltam as aulas e a prova prática e Brasília ganhará mais uma mulher ao volante, uma garota certinha no trânsito que está aprendendo que nem todo mundo é consciente. Espero as minhas experiências e consequentes decepções com o trânsito - pois sei que ele está longe de ser como eu gostaria que fosse - não mudem minha opinião.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Diálogo

Diálogo é uma conversa entre pessoas, que podem concordar com o outro ou não, sobre diversos assuntos, acredito eu que com o objetivo de compreender o próximo ou compartilhar experiências, ampliando a visão de mundo de cada um.

Se há irritação e elevação de voz, não é um diálogo, é uma discussão.

Se ao invés de contra-argumentar racionalmente, a pessoa apela para sentimentos ou não aceita (aceitar é diferente de concordar) a opinião do outro, não é um diálogo, é uma tentativa de converter o outro.

E finalmente, se uma pessoa só fala e a outra não tem a oportunidade de se expor e "concorda" com tudo, não é um diálogo, é um monólogo.

Só é possível construir relacionamentos com diálogos. Se não há diálogo, é muito pouco provável haver um relacionamento firme e verdadeiro, e se há, está no nível da superficialidade. Tem muita gente que acha (erroneamente) que dialoga, por aí...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Meu pai atribui esta frase a Bíblia, e a internet me indica pelo menos dois autores. Mas o que importa é o que me diz esta brilhante frase, que é uma fonte de inspiração na minha vida.

Às vezes os obstáculos que enxergamos no caminho não passam de impossibilidades colocadas lá por nós mesmos seja para justificar a preguiça de correr atrás, o medo da deceção ou puro pessimismo.

Quando pensamos sem parar nas dificuldades que encontraremos na vida, nos desanimamos e muitas vezes desistimos dos nossos sonhos.

Mas acredito que apenas a disposição de encarar cada situação de frente e assumir a coragem de enfrentar os obstáculos, as chances de atingirmos nossos sonhos e objetivos aumentam consideravelmente.

Outra frase que gosto de falar quando tenho um objetivo em mente é "o não eu já tenho, agora é lutar pelo sim".

Medo, ainda mais de ouvir um não, não deve ser motivo para desistirmos de absolutamente nada. Nascemos sem nenhum conhecimento e chegamos onde chegamos. Todas as portas estavam fechadas e fomos abrindo uma por uma até aqui.

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dinheiro

Eu sempre fui das que acredita que dinheiro traz, sim, felicidade. Eu quero ter muito dinheiro um dia. Mas tenho visto que ele não garante nada, e mais: ele muda a personalidade e cria problemas até então inexistentes.

O dinheiro faz você ser um imenso alvo de fofocas, verdadeiras ou não. Atrai inveja para a sua casa, seu carro, suas roupas, seu marido. Como você está constantemente feliz com as coisas que o dinheiro te compra, sua felicidade também é alvo de inveja. Não dá para ter certeza de quem é seu amigo de verdade.

Como as pessoas lidam com o fato de terem dinheiro? Há os que se escondem, há os que se mostram, há os que pagam pela fofoca e pelo silêncio, tem pessoas que escondem quem são, e as inconsequentes, tem os isolados e os cheios de "amigos". Há muitas formas de controlar a sua influência e sua imagem, quando você tem dinheiro.

Uma coisa eu sei: a pior armadilha na qual você pode cair é achar que o dinheiro que você tem te dá poderes sobre a vida das pessoas. Pode até funcionar para alguns, mas com certeza as pessoas que não se intimidam com isso não vêem mais do que uma bela de uma disfunção psicológica em você.

Porque comprar informações, armar arapucas, mentir, trair, ameaçar, violentar e coagir pessoas não são possibilidades que o dinheiro traz. São atitudes nojentas, dignas de pessoas sem nenhum caráter, que não dão o menor valor ao ser humano. E não há a menor justificativa para essas atitudes.

As possiblidades trazidas pela riqueza, e que te ajudam a se proteger dos males que o dinheiro provoca, são ajudar outras pessoas, doar para quem precisa, se envolver em projetos sociais, melhorar a sua imagem tanto física quanto psicológica (comprando roupas, colocando silicone ou arrumando um psicólogo, que seja!), enfim, investindo em coisas que te façam bem de verdade.

Assim, a felicidade é natural, e não comprada. As fofocas serão positivas, a inveja será do bem que você faz aos outros, seus amigos estarão do seu lado não por medo, mas por admiração. O mundo ficará mais bonito e as pessoas deixarão de "armar contra você" e "tentar te prejudicar" (se é que isso realmente acontece, e não é uma questão psiquiátricacológica, como mencionei anteriormente).

Porque o mundo não é mau e cruel até que você o provoque. As pessoas não são todas invejosas, interesseiras e querem puxar seu tapete o tempo todo. O mundo vai além do que você ouve em fofocas de pessoas maliciosas, há uma pessoa com família e sentimentos iguais aos seus do outro lado.

Há os que não vivem no mesmo mundo que você e só querem ser felizes, não importando se elas tem ou não dinheiro, ou se você tem ou não dinheiro. Não estrague isso e seja feliz também.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Consciência

Há quinze minutos de entregar um estudo de caso - que havia sido solicitado com o prazo de uma semana para entrega -, descobri que eu havia respondido as questões do case errado. Ao invés de olhar o plano de ensino, fui pela matéria dada em sala de aula e adiantei um exercício, esquecendo completamente das orientações da professora e do plano. Descobri isso justamente quando minha colega estava a imprimir as respostas dela, e no automático, pedi que ela colocasse o meu nome, que eu colocaria o dela no próximo, que eu já havia feito.

Já na sala de aula, minha mente começou: "Você sempre faz os estudos de caso sozinha, e agora resolve fazer em grupo? A professora te conhece, ela vai reparar. Seu nome está por último, está na cara que você foi adicionada depois ao grupo." E ela não ficava quieta. Peguei o pen drive e fui imprimir novamente o estudo de caso, só que sem o meu nome.

Eu sabia que a minha educação religiosa havia me moldado em muitos aspectos, embora em questões importantes que definem a religião, eu tenha opiniões totalmente divergentes do que me foi ensinado. Mas além da educação religiosa, a vida me ensinou que a mentira é uma grande causadora de problemas, e sim, ela tem perna curta.

Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de comentários reprovadores que recebi pela minha consciência. Aparentemente não tem problema colocar o nome em um trabalho que não foi feito por você. Pelo visto é mais fácil fazer isso do que admitir a verdade para o professor (mesmo que a verdade seja que você fez o "dever de casa", mas o dever errado). O senso comum diz que é assim que a faculdade funciona, que não tem problema nenhum.

Não vou dizer que nunca fiz esse tipo de coisa na minha vida, ou nos três anos que estou na faculdade. Mas a situação (a professora me conhecer, eu realmente ser competente nessa matéria, minha raiva por ter errado) me fizeram achar a minha atitude errada. Além disso, e se a professora realmente percebesse? Ela não é qualquer professora, é a melhor professora que tive nesta instituição. Imagina o constrangimento!

Eu poderia entrar na questão da inversão de valores da sociedade atual, mas esta é uma situação muito pequena para isso. Além do mais, não quero bancar a certinha. Mas preciso expressar meus sentimentos: as pessoas deveriam rever os seus conceitos de certo e errado, sim. E deveriam saber que estes conceitos não são unânimes, e que eventualmente alguém pode ser mais "certinho" que a maioria. E deveriam respeitar esses certinhos, pois nem só de hipocrisia vive o homem.

No final, falei com a professora. Entreguei o estudo de caso errado, prometi o correto para a próxima aula. Aparentemente, sem prejuízo a nota. Ou à minha reputação. E para alívio da minha consciência.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Cada curva do cérebro tem um nome!"

Foi um dos importantes motivos para ele ter deixado de lado a opção medicina na escolha do vestibular. Além disso, ele já quis cursar psicologia. E filosofia. Acabou optando por engenharia de redes.
"Cada equipamento tem zilhões de atributos com nomes complicados."
 
Ela também gostava de psicologia, mas "talvez para o futuro" - dizia. Mas já quis relações internacionais e jornalismo. Nada na área de saúde, não mesmo. Hoje cursa administração e ainda não entrou em crise.
"Cada movimento que uma pessoa faz tem uma possível análise psicológica."
 
Ele cursou dois anos de administração. Aprendeu os 4 P's, algumas noções de contabilidade e muito sobre como empreender. Mas largou e escolheu gastronomia. Já até vendeu marmitas feitas por ele (não ele, um vendedor que ele contratara - fez a gastronomia virar business!) como fonte de renda.
"Cada método de cozinhar tem um nome em pelo menos duas culturas diferentes, igualmente importantes."

Qual é o meu ponto? Dentre tantas opções atraentes ao nosso alcance na vida, às vezes é necessário passar por períodos de dúvida, que testarão a intensidade do seu amor por cada uma delas. São momentos difíceis, pode demorar, mas acontece.

Isso tudo é que definirá qual lista de coisas você vai escolher decorar. E você vai conseguir montar o quebra-cabeça.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juízo de valor: a chuva

Filosofia é aquela matéria que ou você ama ou você odeia, não tem meio termo. Eu sou das que ama.

Este semestre estou estudando filosofia e ética organizacional na faculdade, e aprendendo sobre a diferença entre juízo de fato e juízo de valor o professor usou um exemplo que me fez pensar hoje.

"Está chovendo" é um juízo de fato. Trata-se de uma constatação de um fato. Muito simples. Já "A chuva é boa" é um juízo de valor. É uma interpretação e uma avaliação do fato.

Lembro muito bem da expressão do meu professor naquele momento. Daquela forma intensa de se expressar que ele sempre usa quando está inspirado, ele franziu a testa, fez o movimento de questionamento com as mãos e falou: "a chuva é boa? BOA PARA QUEM?" Prontamente os alunos que costumam ser tímidos nas matérias exatas começaram a responder: para as plantas, para a umidade do ar - estamos sofrendo com a seca em Brasília!, blablabla.

E hoje me senti parte da explicação do meu professor: "e o agricultor não tiver plantado ainda as sementes e a chuva chega antes? E se é o seu casamento? E se você não tem carro, e você precisa sair, está de salto, maquiada, de cabelo escovado?"

Brasília passou mais de cem dias sem chuva. O Facebook ficou irritante com tantas mensagens, em todos os momentos, todos os dias, de pessoas reclamando da seca. Inventaram até uma marcha da chuva. Pessoas desesperadas porque não chovia. Por que isso?

Sinceramente? Eu odeio chuva. Não tenho carro e guarda-chuva só protege metade do corpo, não importa o tamanho. Estraga todos os meus sapatos. Deixa meu cabelo totalmente fuá, não tem nada que faça ele abaixar. Me impede de fazer minha caminhada diária nos meus horários preestrabelecidos - que são os únicos na minha vida de trabalho e estudo. Dá um sono absurdo dependendo do meu humor e do horário do dia, sem falar na nostalgia e depressão que começam a querer chegar.

Hoje ela me fez ficar mais tempo no trabalho, esperando ela passar. Saí do trabalho para uma Brasília molhada, mas clara. Peguei o metrô para vir para o Guará, cidade onde moro que não deve ser mais do que 10km de distância do meu trabalho, e a chuva tinha vindo comigo - forte, ainda por cima. Fiquei meia hora em pé esperando a chuva passar. Fui para casa estragando meu lindo salto e me molhando, porque ela não parou, apenas diminuiu. Foi aí que lembrei do meu professor. Só consegui fazer minha caminhada às oito da noite. E não vou contar a história da minha gripe da semana passada, após um fim de semana super tranquilo em casa, peguei 5 minutos de uma chuva fininha para ficar uma semana de cama.

É só começar a chover que começam os acidentes de trânsito. E tem gente que ainda a defende dizendo que é bom pra ficar em casa vendo filme, mas fala sério, em qualquer clima dá para fazer isso com louvor e aproveitar o mesmo tanto. Se a seca afeta a pele, é só comprar um hidratante corporal! Se acaba com o cabelo, é só fazer uma hidratação, beber mais água, passar creme. 

Fica meu pedido: peçam chuva para os lugares onde a seca impede a produção agrícola, mas por favor, por favor, por favor, brasilienses, parem de fazer essa dança da chuva nessa cidade, porque tá difícil! =(

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Encontrar um bom emprego nos dias de hoje...

... é uma questão de QI: Quem Indica.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Californication


Confesso que o que me chamou a atenção para este seriado foi uma propaganda que vi na televisão, que mostrava o personagem principal com cerca de 20 mulheres diferentes - um sedutor nato. Fiquei curiosa para saber como ele lidava com a situação e como ele fazia para não deixar uma mulher encontrar a outra (já que, na vida real, a coisa não é assim tão fácil, vamos combinar). Na falta do que fazer em certos momentos ultimamente, resolvi baixar e começar a assistir.

O personagem principal deste seriado é Hank Moody, um escritor que saiu da inspiradora cidade de New York para ir fazer um filme sobre seu último livro na Califórnia.

A história gira entorno dos relacionamentos sexuais de Hank com as várias mulheres que cruzam o seu caminho de escritor que perdeu sua musa inspiradora - já que após o término do relacionamento com o amor de sua vida, ele simplesmente não conseguiu mais escrever.

Entre as muitas mulheres que passam pela vida de Moody, as mais frequentes são Becca, sua filha extremamente precoce de 12 anos - precoce ao ponto de cuidar mais do pai do que ele da filha - e Karen, a mãe de sua filha, com quem viveu durante muitos anos sem se casar, e com quem divide a guarda da pimpolha metida a adulta.

Devo dizer que as cenas de sexo são o ponto alto da série, já que o humor fica mais raro à medida que a série se desenvolve e os dramas aparecem - bem como a verdadeira vida de Hank, que ele esconde atrás de peitos, bundas, cigarros, maconha e vodca (e me acreditem, isso não é tão divertido quanto parece).

As tramas paralelas dos outros personagens são do típico estilo californiano: um agente de livros e filmes que é demitido e começa a agenciar filmes pornô, uma depiladora viciada em cocaína, um astro do rock cinquentão que vive como um adolescente em sua mansão, e uma adolescente que tenta parecer adulta.

Indico a série para quem gosta desse tipo de drama - já que não posso realmente considerar a série uma comédia - tipo "odeio a Califórnia mas já que estou aqui, minha vida é uma merda e tenho dinheiro, vou aproveitar!"

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Ela é ciumenta. Ama suas coisas e não as divide. Prefere ter o seu a ter que compartilhar com os outros.

Ela é possessiva. Suas amizades são escolhidas a dedo. Seus amigos são divididos em grupos que nunca se encontram. Ela é uma pessoa diferente em cada um desses grupos. Vida tripla, eu diria. Três máscaras, uma original. Quatro grupos.

Ela não gosta de dividir nem os amigos. Acha que cada um tem que ter o seu. Não pode simplesmente inserir alguém em um de seus grupos - prefere criar um novo com aquela pessoa.

Isso reflete uma grande fraqueza. Medo. Instabilidade. E ausência de auto-confiança, pois seu medo se baseia em perder a posição de controle que possui em cada grupo por misturá-los. Não ser a mais importante. Não estar no centro.

Mas o tempo para vida social dela não permite que ela separe assim tão bem os grupos e aproveite da mesma forma com todos. Ela arrisca misturar. Enfrenta o medo. E a confirmação de um novo laço, que ela não previra e que não tem explicação a atinge como um soco no estômago.

O que ela mais odeia acontece. E ela não vai deixar acontecer denovo. Ela não divide seus grupos a toa. Ela tem medo que seu lado sombrio de cada máscara apareça nessa junção. Ela não vai arriscar novamente perder o que conquistou, ainda mais dessa forma.

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Ela precisa mudar seus conceitos. Crescer, amadurecer. Adquirir a tal da auto-confiança e tirar as máscaras. Porque com essas atitudes, quatro grupos podem cair para nenhum, e ela não vai aguentar ficar sozinha. Ela deve pensar nisso...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gabriela

Ela não é mais uma jovem, mas ainda há nela traços de beleza. É uma mulher que se cuida. Perua sem ser espalhafatosa, apenas se veste muito bem. Nunca se casou, por opção, pois teve oportunidades. Sim, mais de uma.

É uma pessoa "alto astral". Está sempre sorrindo, sempre que pode faz suas brincadeiras. É madura, auto-suficiente, e tem orgulho de suas experiências e de ser quem é.

Tanto orgulho que se mostra irredutível mesmo com as personalidades mais conservadoras. Perto de uma pessoa tímida ela tem as mesmas atitudes, chegando a constranger o pobre coitado. Com alguém mais jovem, ela compartilha suas experiências como se tivessem a validade de uma Teoria da Relatividade, não aceitando outras formas de agir. Está sempre certa. Sempre dizendo: "eu sou assim mesmo, não liga não. Daqui uns dias você aprende a conviver comigo."

Meu pai chamava isso de síndrome de Gabriela. Do ilustre Dorival Caymmi, Modinha para Gabriela. "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabriela!"

Pessoas que tem orgulho de ser quem são, e que não estão dispostas a mudar. O orgulho pelas nossas experiências é uma virtude, nos traz auto-estima. Mas não adianta ficar olhando só para o umbigo. Nossas experiências e nossa personalidade sempre tem algo a acrescentar... em determinadas situações. Em algumas mais, em outras menos.

Uma pessoa bela, com uma personalidade até certo ponto muito bonita e inspiradora... Mas a auto-valorização deve ter seus limites. A modéstia tem que existir. Pois para mim, a falta de respeito com os outros e a supervalorização do "eu" estraga qualquer beldade.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Opinião: regras, liberdade e decisões

Ter uma família complicada é complicado. Quem não tem jogo de cintura se estressa fácil, e isso não leva a lugar algum. É preciso entender que regras fazem parte da vida, limites estabelecidos são medidores do respeito que temos por nossos pais, colegas, chefes e até pelo Estado, acima de qualquer filosofia boba sobre controle ou invasão de privacidade, que sempre ameaçam surgir quando somos limitados de alguma forma.

Hoje entendo os limites como ensinamentos, e especialmente como desafios. O racionamento de dinheiro nos ensina a separar o necessário do dispensável. Horários para sair, chegar, ou utilizar alguma coisa nos obrigam a saber administrar nosso tempo e a controlar nossa vontade excessiva de fazer certas coisas, ou de não fazer nada. Regras criadas com base em princípios moldam nosso caráter e nos dão noção para construírmos nossos próprios valores.

E tudo isso entra em jogo na hora de tomarmos decisões na vida. Podemos não seguir as regras e pagar o preço. Pordemos seguir e aprender na marra. Podemos administrá-las de forma que não prejudique ninguém. Falando como uma pessoa que seguiu regras estritas a vida quase toda: regras nos ensinam a buscar nossa liberdade e a valorizá-la.

Por isso acho um desperdício lutar contra algumas delas, e prefiro, como disse, encará-las como desafios. Não pode fumar? Pare de ficar se escondendo com o seu cigarro e vá diminuindo, que um dia você pára e não tem mais problemas. Ganha pouco/mal? Descubra o que tem que ser feito para ser valorizado (um curso, uma especialização) ou procure outro emprego, ao invés de resmungar a vida toda. Seu pai não te empresta o carro? Trabalhe para comprar um, ou ganhe a confiança do velho se comportando como ele quer. Mandam e controlam sua vida? Corra atrás da sua liberdade, fazendo o que tem que ser feito para conseguí-la.

Sim, tem muita gente que foi criado sem isso tudo e é muito feliz, obrigada. Mas não escolhemos nosso berço. E também há muitos dos que foram criados com pouca ou nenhuma regra que são uns bundões dependentes dos outros e que às vezes não chegam a lugar nenhum na vida, e aí eu pergunto: de que adiantou?

Se você está nessa situação, pare de bater com a cabeça na parede e vá estudar, passar num concurso para ter ao menos condições financeiras para se manter e tocar sua vida. E se você está no grupo dos bundões, saia da frente do pc e vá aproveitar melhor seu tempo também. Dê uma folga para a sua família, desacomode. Você foi privilegiado, aproveite isso para chegar mais longe, porque é possível, se você quiser.

[Escrito em 05/07/10]