segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dezembro

Eu não sei qual o nome do sentimento negativo que insiste em ficar lá no fundo do meu peito nessa época do ano, mas ele bate ponto em dezembro. Pode ser meu inferno astral, também, o fato de eu ficar mais sensível nessa época e tudo mais.

Mas à medida que o mês vai passando, vou me enchendo do blablabla natalino de paz, amor, fraternidade e presentes. Vamos combinar, a maioria das pessoas está mais feliz por causa do décimo terceiro salário, não por causa das luzes de Natal e das decorações pela cidade. Na minha casa mesmo, não pode ter decoração natalina porque não contempla o verdadeiro sentido da data, mas os presentes são bem-vindos. Vai entender.

Não estou generalizando e sei que pareço arrogante, mas como engolir comemorações sobre a diretoria ter liberado a equipe de trabalhar na véspera de Natal, ao mesmo tempo em que se pede à empregada doméstica para trabalhar nesse dia? Como justificar ausências de quase um ano à luz de aproximações bondosas no último mês dele? Por que durante o ano a presença nos eventos não é tão essencial assim, mas no Natal ela é exigível?

Dezembro é o mês da hipocrisia. Essa hipocrisia aumentada nesse mês não está no padrão que eu costumo relevar. Pois sim, relevo muita hipocrisia à minha volta em nome da paz coletiva, mas em dezembro é tão difícil conter o mal humor perto de pais que louvam atitudes detestáveis de seus filhos, de parentes e amigos sumidos que resolvem aparecer, de lembrancinhas sem sentido que recebo ou sou obrigada a dar.

Não vejo a hora desse mês e ano terminarem, para as esperanças na humanidade serem renovadas junto com as resoluções de ano-novo. Pois na virada do ano as pessoas geralmente são mais sinceras com todos e consigo mesmas, especialmente na hora de definir as novas metas particulares. Que nesse momento as pessoas deixem a hipocrisia de lado e olhem para o que realmente tem importância, não porque uma data comercial as obriga, mas pelo desejo verdadeiro de ser alguém melhor para si e para o mundo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Nesse mundo mais ninguém diz o que quer. É tudo muito bem pensado, articulado, ajustado à situação. Ou fortemente influenciado por ela. Filosofar sobre as muitas intenções do ser humano ao se expressar é um convite à loucura, mais ainda quando se pára para pensar sobre suas próprias intenções, mais ainda ao escrever.

...

sábado, 3 de novembro de 2012

Rendeu um post

É engraçado como podemos passar horas conversando com algumas pessoas. E como há pessoas com quem não conversamos mais que alguns minutos ocasionalmente, mas cujos diálogos são profundos e nos fazem pensar. Minhas conversas mais profundas quase sempre rendem um post.

Infelizmente a comunicação está banalizada, e com frequência sou taxada de anti-social ou de metida e ainda de chata, por não corresponder a certas expectativas de contato com as pessoas com quem convivo. Mas para mim, a comunicação precisa fazer sentido e acrescentar valor às duas partes.

Acrescentar valor numa conversa pode acontecer de várias formas, desde o aumento do conhecimento, com o compartilhamento de experiências, ou um ponto de vista diferenciado que gera reflexão, ou ainda mesmo o entretenimento e diversão gerados pelo papo.

Acontece que a Carolina não se atrai nem se prende nem se importa com conversa fiada, amenidades, puxação de papo que já indica que não dá em lugar nenhum. A comunicação tem que ir além da conversa, tem que gerar conhecimento, unir as almas. Se não for assim, prefiro me limitar à convivência e me dedicar mais à introspecção que a interação.

É lógico que essa atitude separa e limita muito as pessoas com quem converso. E fortalece ainda mais a minha imagem de metida, séria que não conversa com ninguém. Nenhuma explicação vai mudar a forma com que certas pessoas me enxergam, é claro.

Mas da mesma forma que não dá para ter uma comunicação agregadora com todos, também não dá para ficar perdendo tempo com conversas que não levam a lugar nenhum, em certos momentos da vida não posso me dar a a esse luxo. Obviamente tenho amigos com quem converso mais sobre futilidades, me divirto e tudo mais.

Talvez um dia eu mude e tenha menos preguiça de me relacionar com as pessoas além do meu círculo seleto de amizades. Por hora, há uma barreira invisível que limita alguns relacionamentos mais profundos - só quem vence essa barreira sabe que do lado de lá tem um mundo além de conversas que rendem um post.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intercâmbio

Existem muitas definições por aí. Textos com tentativas de definições, na verdade, que contam como funciona cada programa, o quanto se aprende o idioma em pouco tempo, como é possível conhecer diversos locais e pessoas, enfim, dão um geral sobre os aspectos tangíveis ou mensuráveis sobre essa experiência.

Meu primeiro intercâmbio foi aos 14 anos e eu, que sonhava e pesquisava sobre isso desde bastante tempo antes, achava que sabia o que me esperava do outro lado do mundo por causa de tudo que li a respeito na internet. A experiência foi ótima mas não foi das melhores, e em meu segundo intercâmbio, aos 21, eu entendi a importância da combinação do programa com o perfil da pessoa, e que o aprendizado na verdade é muito maior do que o divulgado por aí.

O que buscamos ao fazer intercâmbio, além do óbvio aprendizado do idioma, é o contato com a cultura do país, a possibilidade de conhecer pessoas novas e cidades completamente diferentes, além dos pontos turísticos e lugares "dos sonhos", presentes em tantos filmes assistidos, fotos e vídeos frenquentemente vistos na internet e na televisão.


Acontece que o contato com o novo, a exposição ao diferente - a vários diferentes - faz a pessoa querer se comparar, e para isso ela olha "de fora" para si mesma. Esse é o primeiro passo para o autoconhecimento, o conhecimento mais desenvolvido e mais causador de mudanças em um intercâmbio.

A exposição a situações nunca antes vivenciadas, a necessidade de socializar com pessoas completamente diferentes e totalmente desconhecidas, a curiosidade sobre as diferenças, a responsabilidade de lidar com um dinheiro diferente (a um câmbio muitas vezes nada amigável), e de suprir suas próprias necessidades - todas elas, de afeto às compras mensais - faz a pessoa refletir sobre si mesma.

A solidão traz a reflexão sobre as atitudes pessoais e coletivas, sobre a vida só e em sociedade. As diferenças ressaltam o que há de melhor e pior em cada país e cultura, aumentando a compreensão e adaptabilidade e mudando valores, muitas vezes fazendo a pessoa valorizar mais seu país e sua família e repensar sobre suas atitudes.

Não posso dizer que são tudo flores, os atrativos do exterior também causam decepções com o Brasil. Dá vontade de ficar lá, apesar da saudade. Mas também dá vontade de voltar e contribuir para que as coisas sejam diferentes. A visão ampliada do eu também traz a consciência do primeiro que deve mudar antes de ser agente de mudança.

Ao inevitavelmente voltar ao Brasil, fazemos questão de valorizar o avanço do idioma no período fora, as amizades multiculturais conquistadas e os conhecimentos gerais aprendidos. As pessoas ao nosso redor valorizam silenciosamente - ou às vezes fazem questão de comentar sobre - nossa força de vontade potencializada, a tolerância, compreensão e bons hábitos desenvolvidos e uma série de outras qualidades que desenvolvemos sem perceber, enquanto achávamos que aprendíamos sobre o outro, enquanto na verdade nos conhecíamos lá fora.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Israel - quinto marcante dia

Eu demoro, mas continuo e termino quase tudo que começo. A motivação para voltar a escrever sobre Israel veio de um amigo, que pediu que eu escrevesse sobre a experiência, e do intercâmbio na França, para o seu blog. Demorei tanto para começar uma e terminar outra (esta série de postagens sobre minha viagem), que meu amigo resolveu ir conhecer Israel com seus próprios olhos. hahahaha

Ele se inscreveu no mesmo programa que participei, e foi selecionado. Cabalística é a data da viagem: 2 de janeiro, meu aniversário. Tenho certeza que ele vai escrever para o próprio blog sobre a experiência, por isso vou continuar a série aqui e escrever sobre a França para ele.

Cemitério Har Herzl

Meu quinto dia em Israel foi um dos mais marcantes, e um dos que mais aprendi. Acordamos cedo, como de costume, tomamos café, fizemos o check-out e fomos para o Har Herzl, ou Monte Herzl, um cemitério no lado oeste de Jerusalém.

O nome do cemitério é uma homenagem a Theodor Herzl, o fundador do moderno Sionismo político, visionário do Estado de Israel, que está enterrado lá.


Túmulo de Theodor Herzl


Algumas áreas do cemitério são militares, com um memorial aos soldados que lutaram em defesa de Israel.

Em Har Herzl também estão enterrados líderes sionistas, alguns presidentes e três primeiros-ministros israelenses, entre eles Yitzhak Rabin, cuja história conhecemos alguns dias depois, em Tel-Aviv.



Shawarma. Foto da internet.
Do cemitério fomos para o mercado ao ar livre Manaché Yehuda almoçar. Lá comi pela primeira vez shawarma, um prato árabe, que é um churrasco de cordeiro (neste lugar, mas já vi com outras carnes) assado num espeto vertical. Fatias mais finas do que as do churrasco que estamos acostumados são tiradas, e o restante fica assando, no espeto. Foto da internet.

O churrasco é servido na pita, que é o pão sírio, usado para alimentação com as mãos no país. A salada que eu não peguei, era tomate e pepino - para variar, tinha isso até no café da manhã em todos os lugares, e tinha outras coisas que até hoje não sei o que eram também, além do molho delicioso tahine, que eu amo de paixão e hummus. Desculpas a quem lê, mas não dá para explicar o que é cada ingrediente. Mas estava delicioso. E foi servido com batatas fritas.


A tarde estava reservada para o Yad Vashem, que só dá para definir o que é com a Wikipedia: "Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto". Sem dúvidas um dos lugares mais ricos fantásticos onde fui na minha vida. Começando pela vista, que aproveitei para registrar, já que dentro do museu isso não seria possível.

Eu, contemplando a vista do Yad Vashem
Sem dúvida o local é o maior memorial do Holocausto do mundo. O museu é moderno, com vários recursos audiovisuais de qualidade. Recebemos um aparelho tipo walkie-talkie que nos ligava a guia do grupo, que contava muitas histórias e dava explicações durante a visita.

No museu há desde objetos pessoais de vítimas do holocausto a testemunhos dos sobreviventes, tudo em ordem cronológica, o que facilita o entendimento e o sentimento. É difícil explicar o que se sente naquele lugar.

Ao final, há a Sala dos Nomes, memorial aos 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto. Na internet tem algumas fotos, é lindo. Lá também tem computadores que acessam o maior banco de dados de vítimas do Holocausto, também disponível no site da organização. Vale a pena ler mais sobre o local, é um trabalho  memorial muito bonito.




Do lado de fora do museu há o Jardim dos Justos Entre as Nações. Sabemos que certos não-judeus se arriscaram para salvar os judeus durante a guerra. Esses casos foram analisados e mais de 22 mil pessoas receberam um certificado e uma medalha em reconhecimento e agradecimento pelos seus feitos, tendo seus nomes registrados no jardim.



Vagão de um trem usado na guerra, Yad Vashem


Além disso, há vários objetos artísticos e relacionados ao Holocausto fora do museu, como um vagão de trem que foi usado para levar os judeus a um campo de concentração.

O Yad Vashem é um tesouro que eu espero que dure eternamente. Vale a pena ler mais sobre isso, para quem se interessa no tema Holocausto.



No final do dia estávamos tristes com o que vimos no museu. Felizmente, o hotel para onde fomos era ótimo (o  melhor da viagem, devo dizer), com um grande jardim e uma piscina, e recuperamos as energias. À noite, fomos a uma balada na rua Ben Yehuda, que apesar da música diferente (não era nem em hebraico, era pop antigo) foi bem legal. A noite terminou bem, sem exageros, pois 7h da manhã teríamos que acordar para continuar a viagem: era dia de conhecer Tel Aviv.

Tem sido muito bom rever tudo que aprendi no intercâmbio, ao escrever essas postagens. Creio que em breve terminarei meu pós-diário de viagem. :)

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu vejo muitas pessoas reclamando diariamente por não serem ouvidas, por passarem frequentemente por situações desagradáveis ou que poderiam melhorar e "ninguém faz nada". Mas eu também vejo muitas propostas de mudança mal elaboradas, focadas num só ponto de vista.

Vejo negligência e individualismo em muitas "preocupações" sociais, as eleições no Brasil são um bom exemplo, dá até preguiça de comentar. Mas nada me incomoda mais do que a fuga das responsabilidades, que eu não sei se é condição de boa parte dos brasileiros ou dos seres humanos, pois a quantificação me ocorreu somente agora. Sei que faço parte dessa turma, até certo nível.

As pessoas querem ter "voz", poder de decisão, mas não querem assumir as responsabilidade pelas consequências das mesmas. Acham absurdo terem chefes no pé, mas sem acompanhamento não realizam metade do que é esperado de suas funções. Esperam milhares de ações do governo, mas não frequentam as reuniões que (poucos deles) fazem com a população, ou pelo menos tenta fazer, só que ninguém aparece.

Por outro lado, pessoas de influência, poder e dinheiro (se é que não é errado colocar assim, já que geralmente um está diretamente ligado ao outro), que poderiam fazer alguma diferença, para o bem, muitas vezes cruzam os braços por estarem muito confortáveis onde estão, obrigada. Ou estão muito ocupadas com questões particulares, e o todo é apenas consequência em suas vidas - egocentrismo total.

Fuga das responsabilidades e comodismo se assemelham muito no meu pensamento sobre esse assunto. Porque por outro lado, para muitos é fácil aceitar o sistema e sua ordem, deixar que tomem as decisões por eles nos assuntos em que deveriam se preocupar mas não se envolvem o suficiente. Afinal de contas, se der errado, a culpa não é deles, eles só seguiram o que foi proposto.

Se por um lado eu já me revoltei muito interiormente - com algumas consequências externas - por não ter voz, hoje eu vejo que se eu tivesse tido mais liberdade em certas situações da minha vida, eu teria tomado algumas decisões erradas, muito mais do que as que tomei ouvindo conselhos anteriormente.

O Colégio Militar me ensinou (mas eu só aprendi bem mais tarde) que a ordem é necessária. A gestão participativa é muito bonita no papel, mas eu não acredito em liderança 100% democrática. A necessidade e a existência de uma liderança já pressupõe a incapacidade dos indivíduos de organizarem e dividirem responsabilidades mutuamente e em acordo.

Refletindo sobre tudo isso eu entendi a justificativa para uma atitude que tenho, que o zodíaco atribui ao meu signo, mas que talvez seja apenas resultado de tudo o que vivi e que formou quem eu sou e como vejo o mundo hoje. Eu tenho tendência a ser centralizadora em situações de grande interesse para mim. Cheguei à pessimista conclusão de que não é possível obter a cooperação equilibrada em um grupo onde há motivações em níveis diferentes. Provavelmente alguém já descobriu e escreveu sobre isso muito antes, mas agora que vivencio e tomo consciência do fato.

Assim, quando a minha motivação é muito maior, e a liderança democrática não funciona, é mais fácil eu pegar o trabalho para fazer sozinha. O problema é que quando o resultado não é satisfatório, a culpa é minha - afinal, os outros concordaram e fizeram o que foi mandado, ou eu assumi a responsabilidade total em algum momento. Isso dificulta o trabalho em grupo e tem sido tema de reflexão em minha mente com frequência nos últimos tempos.

Tudo isso tem me dado uma preguiça de discutir, de comentar, de escrever nesse blog! Sei que o sistema corrompe e me vejo como mais uma a ser levada por ele na corrente do conformismo. O que é ruim para a minha prática da escrita, pois o que me inspira na maior parte das vezes é alguma revolta interior, pessoal ou provocada pela empatia, qualidade que tento preservar e que falta nessa sociedade tão preocupada com seus próprios problemas.

Para não mergulhar na inércia a alternativa é o autoconhecimento e a mudança pessoal. Assim eu espero bem menos do outro, e acredito que a mudança e as consequências positivas sejam maiores ou mais relevantes do que no caos organizado que são os vários grupos sociais dos quais faço parte, diretivos ou participativos (mas nunca em pleno consenso da eficácia da autoridade ou da liderança), pois depende apenas de mim - ninguém é hipócrita consigo mesmo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Change ahead

É tão legal quando as mudanças na nossa vida tem data para começar. Diferentemente das mudanças emocionais que muitas vezes oscilam sem capacidade de previsão, as decisões que tomamos, como por exemplo os projetos que começamos, são o marco de maiores ou múltiplas mudanças, de certa forma previsíveis e passíveis de mensuração.

As decisões que tomei para o segundo semestre de 2012 é que vão determinar que horas vou ter que acordar todos os dias, quantas vezes farei exercícios físicos, quantos finais de semana ficarei em casa. Estou usando o método da Suzy Welch em 10-10-10: A Life Transforming Idea, um livro que li há quase dois anos do qual deveria me lembrar com mais frequência.

A idéia é simples: antes de tomar uma decisão, analise as consequências das suas opções em 10 minutos, 10 meses e 10 anos. Assim, você decide o caminho cujos resultados condizem com os seus valores e expectativas. É um método que todas as vezes que usei, me ajudou a tomar decisões mais eficientemente.

A nova rotina tem muitos livros, pouco salto alto, acha que dormir 8h por dia é um luxo e várias outras particularidades. John C. Maxwell diz que "as pessoas bem-sucedidas tomam as melhores decisões primeiro, e depois as administram no dia-a-dia", ao que nesse momento eu só posso dizer AMÉM.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Depois de uma enorme xícara de chá de camomila e algumas faixas do Les Retrouvailles, ele sente-se inspirado para encarar aquelas figuras que viu poucas, mas marcantes vezes.

Imagens coloridas, outras sombrias, um traçado caótico, uma garrafa de leite, a assinatura nos olhos, um terror cômico, um pouquinho de agonia. Continuava fascinante. Ele pensa que queria um vinho, acende um cigarro.

E o que estava diante dos seus olhos, de repente não estava mais. Em meio ao comum começaram a surgir diferenças sutis e poderosas, como um filme de comédia ou uma tarde com os amigos.

Breves e longos lapsos também não ajudam, e quando ele cai em si está pensando sobre como as crianças deveriam andar sempre do lado de dentro da calçada.

Vai dormir, cansado, e sonha com castelos e diamantes e tudo o que se pode sonhar. Toma café na manhã seguinte.

domingo, 15 de julho de 2012

Porque

Clique na imagem para ampliar.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quem procura, acha. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu adoro os ditados para fazer um resumo das coisas que eu vejo nessa vida. Por que ditados como esses viram clichê, se as pessoas insistem em mexer com o que não é seu, em cutucar quem está quieto?

E cutucam com vara curta. Fazem perguntas cujas respostas não suportam.

Sabe aquele momento em que você está segurando o choro, e alguém fala "não chora"? E aquele momento em que você está se controlando relativamente bem, e alguém fala sem a necessidade "calma"? Então. Não faça ninguém chegar lá.
O pensamento-padrão ao abrir os olhos pela manhã e fechá-los à noite foi embora sem dizer tchau. Quando me dei conta, já era um pensamento aleatório diário, às vezes virava um sonho bom que me fazia sorrir ao acordar. Quando era um pensamento padrão não havia sorrisos, o coração ficava apertado nessas horas.

Desde que ele me falou aquele dia em Paris "if you wanna see the change, be the change", essa frase me vem à mente toda vez que começo a querer reclamar da situação. Mas e se não for possível ser a mudança?

Então chamamos o tempo de aliado, e nos unimos a ele com o objetivo de esquecer o quão pequeno somos no espaço, no tempo e no amor. E esperamos que à medida que ele passe, o pensamento aleatório diário torne-se semanal, daí mensal, daí só venha quando for chamado, sem aperto no coração e sem sonhos felizes irrealizáveis, que ele torne-se somente boas lembranças de um belo passado que ensinou que quando não podemos ser a mudança, o negócio é se conformar e seguir a vida.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Esses dias vi uma tirinha do Charlie Brown, onde ele encontra Snoopy perto da caixa de correio, e diz: "É uma perda de tempo ficar esperando uma carta de amor ao lado da caixa de correspondência... ela nunca vai chegar. Eu sei dessas coisas... sou um especialista!" E então, se apóia no muro com uma mão segurando a cabeça e diz: "Que coisa triste ser especialista nisso".

Felizmente nunca passei por essa situação, apesar de ter trocado cartas via correio durante um tempo, com algumas pessoas, há muito tempo atrás (como era legal esperar o carteiro...), mas fiquei de coração partido quando vi essa tirinha!


Hoje, no entanto, vi uma imagem ótima no Facebook:




Depois do riso fácil, a reflexão: quantas vezes procuramos incessantemente algo, e estamos na verdade procurando em apenas um local, ou olhando para outra direção?


A carta pode apenas ter ido para a caixa de correio errada...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quase (ou Primeira Vez)


Eles chegam à surdina, e de faróis desligados. São gentis, afinal, o medo ficou estampado no rosto daqueles dois jovens desde o momento em que os viram. Não podem fazer muita coisa, afinal, tem uma garota ali, e eles são dois homens. Fazem um enorme questionário à ela. Pegam ele para Cristo.

O garoto tenta, sem sucesso, fingir que ela é sua namorada. Ela também não consegue disfarçar direito. Foram muitas tentativas, de ambos os lados, para levar a situação para um outro cenário. Uma batalha intelectual na qual ganha quem mentir melhor.

- O senhor está mijado, senhor?

Estava. A vontade foi maior que o tempo para abrir completamente o zíper da calça. Ela começa a rir e o policial não se aguenta, também. Mas eles estavam lá para cumprir um dever, e o parceiro não se distraiu:

- Abra o carro. E a senhora, acompanhe.

Quando a cena termina, começa o terrorismo: histórias da carochinha sobre como mulheres são estupradas ali, no centro esportivo da cidade. Ameaças de chamar a mãe, para a coitada levantar uma da manhã e levar o RG da filha caminhante nortuna. Lições sobre como criminosos são também bandidos, e algumas mentirinhas sobre como é fácil ser preso naquela situação.

Mas não os prenderam. O casal finge acreditar nos policiais, e os policiais não acreditam em ninguém. Mas o aviso foi dado, "não voltem mais aqui". Porque eles sabem que nem todo criminoso é bandido. Polícia para quem precisa de polícia.

sábado, 16 de junho de 2012

Israel: Jerusalém - dia 2

Já fez um ano que parti para os dez dias mais intensos da minha vida, como gosto de definir. E muito tempo desde que parei de registrá-los. Vou aproveitar esta tarde chuvosa para gastar minhas calorias indoor, escrevendo. Clique na foto para ampliar.

by CarolinaTorresdeCastro 2011

A manhã de sábado passou enquanto eu dormia profundamente. A parte da manhã era "family time", um momento para os participantes com família em Israel receberem seus parentes no lobby do hotel. Depois, almoçamos e fizemos uma atividade que não me lembro qual era, e partimos caminhando - afinal, era shabat - pela cidade, para conhecer outros locais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Construção em Jerusalém - raridade, por onde andei


Andando pela cidade quase deserta, passamos por uma construção, que eu tive que tirar foto, afinal, tudo em Jerusalém parece - e a maioria é - extremamente velho. 

Passamos por alguns ministérios, pela Suprema Corte, pelo Knesset (parlamento) e outros prédios governamentais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Placa da faixa de pedestres







Finalmente consegui tirar uma foto da placa "de chapéu". É a placa da faixa de pedestres em Israel, na maioria o homem já não usa chapéu, mas com sorte ainda encontramos algumas clássicas.





Chegamos ao Museu de Israel, com sua bela arquitetura. Na entrada, ainda de fora, há uma maquete de 2.000 m2 de Jerusalém na época do Segundo Templo, inclusive com uma réplica do Templo de Herodes. É incrível a quantidade de detalhes da obra.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Museu de Israel, Jerusalém
by CarolinaTorresdeCastro 2011
 Maquete Jerusalém aprox. 66 d.C.
by CarolinaTorresdeCastro
Maquete Jerusalém, Museu de Israel, 2011
by CarolinaTorresdeCastro 2011
Maquete Templo de Herodes

No interior do museu, ficam manuscritos antiquíssimos encontrados perto do Mar Morto, e artefatos encontrados em Massada. Fiquei impressionada com os papiros, que vi pela primeira vez e não pude registrar por causa da política do museu, que é bem gelado, meio escuro e tem proteções em volta de todas as obras.

Saindo do museu, no Jardim da Arte, a escultura de Robert Indiana: Ahava (אהבה, amor em hebraico), feita em 1977 em aço patinável (cor-ten steel). Eu acho essa escultura linda. Até fiz um coraçãozinho com a mão para o meu namorado da época, com o qual terminei um mês depois. A experiência e a foto ficaram, ainda bem.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Ahava (אהבה, amor em hebraico): escultura do americano Robert Indiana
Jerusalém também é cheia de morros e colinas. O Museu de Israel é em cima de uma, o que dá uma vista legal para quem subiu até lá. Perfeito para uma foto.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Jerusalém, Mai/2011
O dia começou light e terminou pesado, com uma atividade triste sobre o holocausto. Era uma preparação para o dia seguinte, onde visitamos o Yad Vashem, o Museu do Holocausto. Depois percebi que aquele dia foi uma espécie de descanso da alma, preparando para o que veríamos no nosso quinto dia no país.

De saias

Por algum motivo que eu fiquei com preguiça de pesquisar no Google, nós, seres humanos, sentimos a necessidade de reconhecimento. Cada um pelo que bem entender. Por muito do que já vi disso, não existe um padrão de atividades para a descarga desta necessidade.

A melhor coisa, na verdade, é quando você não sente falta, e é reconhecido. Um elogio inesperado, um comentário diferente do padrão, mostrando que a pessoa está realmente ali, uma comparação. Ah, as comparações!

Mesmo que a comparação seja em apenas um aspecto, ela é frágil, pois sempre corremos o riso do outro não compreender. Apelidar o corte diferente e bonito do cabelo do amigo de cabelinho do Neymar pode deixar a pessoa puta, se ele não simpatizar nem um pouco com a personalidade do fulano.


Mas comparações do tipo "seu estilo de escrever/pintar/whatever lembra [fulano famoso da área dele]", "você canta como [célebre cantor, músico]", enfim, são tão bem aceitas! E quando a pessoa que te reconhece é alguém que você admira?

Claro que reconhecimentos são sempre muito bem-vindos em todos os momentos, mas pelos próximos meses minha avidez por ele já foi totalmente descartada.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Terceira Lei de Newton

A lição do dia foi simples: "o que vai, volta". Isso falou comigo de diversas formas nessa segunda-feira produtiva. Acho que essa é uma das leis básicas da vida na terra. Deveria ser ensinada exaustivamente às crianças, cuja maior noção de ação-reação que recebem é quando fazem alguma travessura e são castigados. A parte empírica está lá, mas onde se encontra a teoria?

Vez ou outra precisamos dizer em voz alta, a nós mesmos (com sorte, somente aos outros): toda ação tem uma consequência. Colhe-se o que se planta. Não dá para chegar em um lugar diferente seguindo o mesmo caminho. Quantos ditados e clichês são necessários para colocar isso na mente das pessoas?

Esses dias vi no facebook: "aquele que não luta para ter o futuro que quer deve aceitar o futuro que vier". Eu não sei se concordo, pois acredito que nunca seja tarde demais para mudarmos de atitude e fazermos a diferença para melhor em algum aspecto da nossa existência. Mas não é porque finalmente acordei para a vida e virei uma pessoa sábia e iluminada que eu deixarei de sofrer as consequências de tudo que eu fiz nos últimos anos. Da mesma forma, o que eu colherei nos anos seguintes será a consequência do que eu plantar - as minhas ações - durante esse ano.

Para mim, isso quase sempre foi muito lógico - hiperbólico assim. Ainda assim, às vezes eu tento passar dos limites esperando não sentir as consequências, e de vez em quando dá certo. Mas cada um tem as suas dificuldades, não é? Para alguns seres comuns, e alguns sortudos que se beneficiaram da impunidade numa vida mimada, a maior delas é não saber que o futuro é o resultado, a consequência, a reação (chame como quiser), do que você fez no passado... e hoje. Sem agouros ou ameaças. É a lei do Newton e da vida.


(Sei que o que escrevi não tem nada a ver com física, nem sei se a minha tentativa de ilustrar meu pensamento é correta - provavelmente não 100%, mas para mim fez sentido. Então nem vem. :)

segunda-feira, 4 de junho de 2012


E o tempo passa rápido, mas não o suficiente para que ela esqueça de contá-lo. Estudo, leitura, jogging, mais estudo, mais leitura, vida social x3. O cansaço vem junto com o fim do dia, a cama é o lugar das reflexões finais da jornada, ela abre uma brechinha para o coração... e ele vem com o mesmo assunto de todas as vezes.

Coisa ruim é assunto mal acabado, ele volta no primeiro momento de descuido, cria vida, tamanho, aponta o dedo na sua cara e diz: me resolve!

Coisa ruim é distância mal tomada, aquelas sem explicação, num dia você está tomando uma cerveja com a pessoa, se no outro você não puder brindar, já não é mais digno das notícias da semana.

É por isso que ela quer que o tempo passe rápido. Para que a distância inexplicável seja diminuida com o milagre do calendário gregoriano: levar com ele, a cada dia, um pedacinho dos nossos assuntos mal acabados. E que quando ela esquecer e lembrar novamente de contar o tempo, seja ela quem cresça e aponte o dedo para o coração e diga: resolvido! (E continue assim!)

Preguiçoso domingo

O céu azul claro cheio de disformes nuvens parecidas com algodão. O clima está bom tanto para ficar em casa, quanto na rua. O sol está forte, mas deitado na grama, embaixo de uma árvore, encontraria a harmonia perfeita com o ambiente.

Após doze horas dormindo, o que resta a pessoa que acorda é querer voltar a dormir. A preguiça toma conta. O clima está bom para ficar na minha cama, coberto com um lençol. Assistir uma coisa qualquer na televisão, ou um seriado ou um filme no computador, que pode fazer companhia na cama.

O que é esta coisa de estar junto que faz com que vez ou outra esses momentos não tenham a mesma graça sozinhos? Que faz com que domingos preguiçosos combinem com um ombro a sustentar a cabeça, sonecas intercaladas entre filmes antigos, e refeições exóticas preparadas para dois em uma cozinha industrial?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

The Diary of Anne Frank

Estou fazendo uma interminável arrumação do meu quarto, aquelas em que separamos o que jogar fora, encontramos coisas do outros que deveríamos ter devolvido há anos, cartas antigas, cacarecos inúteis que juntamos, enfim... na bagunça encontrei uma redação que fiz no meu último semestre do curso de inglês, em 19.08.2006, uma revisão de um livro. Adoro encontrar provas antigas em que tirei a nota máxima, como é o caso. Triste é encontrar redações e ver que eu escrevia melhor do que hoje. Mas vou deixar isso de lado e postá-la aqui.


The Diary of Anne Frank was written by Anne Frank during the Second World War. It is a true story about a Jewish girl that had to live hidden for two years, because the Nazi police had sent a call up notice for her father and sister to go to a concentration camp. The book talks about her life when in the Annex, where she was hidden, and it is really interesting because she is a teenager growing up with all of the doubts that a teenager had, but aggravated, because she doesn't go out, and her reality is totally different from ours.

It is, obviously, a diary book. So, it contains parts that seem really confidential. And this is nice, specially when you are a teenager, because there you read things that you used to write in your own diary, things that you expect nobody to read. Anne did some modifications because the German government had said that they would make a collection of letter and diaries after the war to publish.

When I first read the book, I wasn't a teenager yet. I was just a child who thought all of those wars and books about wars were exaggerated, and it seemed unreal for me. Now, when I read it I do as if it is a school book that teaches people how to live in peace by showing the consequences of not doing it. And it is useful, because you become so shocked that you just can't imagine all of those things happening again.

In my opinion, The Diary of Anne Frank is a very special book, not just because it is a diary, or because it talks about the Second World War. It is a special book because Anne is true, sincere, and she is not afraid of telling what she feels in any situation. And it tells us about the changes that a girl living during the war can suffer, and how all of those things - war, genocides - are stupid.

Anne Frank didn't have a happy end. In August of 1944, the Secret Annex was found and the Nazi took Anne and her family to the concentration camps, where most of her family died. But Anne is an example of faith and optimism in bad and sad situations. In her diary, she was always writing that she believed that God would save the Jews.

I totally recommend The Diary of Anne Frank for people who want to learn not about the Second World War, but how a girl survives in a house with many people, during a war, without going out or having any social life, but all the time being optimist.

"These are the thought and expressions of a young girl living under extraordinary conditions, and for this reason her diary tells us much about ourselves and about our own children. And for this reason, too, I felt how close we all are to Anne's experience, how very much involved we are in her short life and in the entire world." - Eleanor Roosevelt

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quem sou eu?









domingo, 27 de maio de 2012

Cantada

- Uma pesquisa feita em Londres mostrou que 93% das mulheres se masturbam durante o banho.
- (com cara de desconfiada, não sabia onde aquilo ia chegar) Ah, é?
- Sim, e as outras 7% restantes, cantam.
- Aaaah, interessante. (quase me virando de costas para ignorar o cara)
- Você sabe o que elas cantam???
- Não!
- Então você faz parte das 93%...



(Sim, me falaram isso numa festa, eu não consegui parar de rir por alguns minutos.)

Breaking Bad

Tem gente que não gosta de filmes com espíritos e demônios. Eu sempre disse que prefiro esses filmes sobrenaturais, que assustam com coisas que não existem, aos filmes de violência onde o ser humano é o personagem principal - mostrando coisas horrorosas que não vemos com frequência por aí, mas que sabemos que pessoas foram e são capazes de fazer.

Sou o tipo de pessoa que fecha os olhos quando sabe que está prestes a ver muito sangue ou partes do corpo humano fora de seus lugares habituais, e fiz isso várias vezes no começo dessa série, que por um pouquinho de orgulho e desafio a mim mesma, resolvi encarar e assistir até o final. Foram várias noites de insônia e algumas de pesadelos, e finalmente termino de ver a melhor série que existe.

Walter White é um professor de química mal pago e um gênio de sua área, pai de um adolescente desbocado com paralisia cerebral e casado com uma bela, alta e loira dona de casa, que está grávida novamente. Quando descobre que tem câncer de pulmão em estágio avançado, ele tem a brilhante idéia de fazer uma parceria com um ex aluno traficante, com quem produz e vende metanfetaminas para prover um futuro financeiro adequado para sua família. Sua decisão o leva para uma vida de crimes e situações extremas.

O mais incrível desse seriado é a sensação de fazer parte dele. Eu fico arrepiada, sinto o que os personagens sentem, grito, xingo e converso na frente do meu laptop ao assistir. É realmente emocionante. Indico a série para quem simpatizar com a idéia de ver uma história sobre o narcotráfico na fronteira entre o México e os Estados Unidos, que aborda abertamente o consumo de vários tipos de drogas, com muita ação, sangue, tiros, algum drama, e um enredo fantástico.

Me considero uma mulher mais forte depois de ver as quatro temporadas, após anos evitando esse tipo de entretenimento. Mas em julho, quando a quinta temporada começar, acredito que ainda vou virar a cara para algumas cenas que continuam sendo demais para a Carolina aqui.

sábado, 26 de maio de 2012

Half


A cinco minutos da minha casa tem um skate park. Gosto de ir lá às vezes, sentar na arquibancada e conversar com os amigos, vendo as pessoas praticarem seu esporte.

Nos últimos meses, montaram uma rampa nova. Aquelas beeeem curvas e altas, em formato de U. Descobri na quarta-feira quando fomos lá, havia algumas crianças andando tanto de skate quanto de patins. Como aquilo parece ser difícil!

Vi um menino gordinho subindo a escada da rampa, mas sem nada, de tênis. Ok, ele queria ver como era lá em cima, um dia eu quero fazer o mesmo. Outras crianças subiram e desceram o tempo foi passando e ele continuava lá.

De repente, vimos ele tentando descer a escada. Só que ele tentava descer de frente, ao invés de costas, como subimos, é claro que não ia dar certo. Ele falou que estava com medo, e as outras crianças começaram a provocar, dizendo para ele descer logo, fala sério, ele subiu, descer não é tão difícil.

Um menino começou a descer a escada e no meio começou a se pendurar e andar de um lado para o outro, fazendo graça, mostrando para o outro que não havia nada de mais. Mas ele voltou para a beirada da rampa, dessa vez considerando escorregar até embaixo.

Ele hesitava, e uma das pessoas que estavam ali acompanhando a cena gritou: "desce logo, menino!", ao que o menino respondeu gritando, afiadamente: "cala a boca, não é você que é gordinho!!!" O público de cerca de quinze pessoas que estavam ali começou a rir.

Não achei triste ou complicado, como a maioria das pessoas hoje em dia se sente quando vê alguém possivelmente com a auto-estima baixa. O menino sabia muito bem a causa do seu medo e insegurança, e ao invés de se fazer de machão e fingir que estava tudo bem, ou chorar e pedir ajuda, estava ali tentando descobrir como sair daquela situação em que ele se meteu - pouco se importando com a pressão dos que não sabem como é ser gordinho. Precisamos de mais crianças assim.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não há o que verificar, nada mudou em três dias. Continuo tendo você como primeiro pensamento quando acordo, e último pensamento quando vou dormir. Durante o dia você vem em pequenas doses de memória e às vezes em doses maiores, quando penso como seria se você estivesse ali comigo, naquele momento.

A distração ajuda a desviar os ataques da tristeza. Tristeza para que? Não posso ter você ao meu lado, mas cada memória viva em minha mente me faz sorrir e enche o meu coração. O que eu sinto por você me enche o coração. Tenho que me acostumar com a sua falta, e tudo ficará bem.

Nos poucos momentos que me dediquei a pensar sobre tudo isso, considerei fazer como fiz com os outros: apagar as memórias mais recentes, anular toda forma de contato e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Essa é a forma mais prática para não sofrer e tentar acabar com o sentimento. But "you are different" - and I didn't say that to any of the others.

Nada mudou em três dias e não mudará em uma semana, duas, um mês ou sei lá quanto tempo. Eu não quero que mude. Eu não faço idéia de como lidar com isso, mas o que eu sei é que por você, vale a pena tentar descobrir.

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Meu jovem coração é cheio de desejos, sonhos, planos e tudo mais. Por mais focada que eu sei que tenho que ser e sou, acho que é um mal da juventude se deixar levar por expectativas e se perder no meio de tanta vontade de fazer tudo, de conhecer tudo, de viver. Em algum momento a ingenuidade vai passar, a realidade vai chegar e colocará em segundo ou terceiro planos os desejos mais ardentes do meu ser neste momento. E, como tem que ser, vou crescendo devagar, conquistando cada coisa ao seu tempo, me perdendo vez ou outra nos meus sonhos, que por mais distantes que pareçam estar, são o que me mantém disposta a seguir em frente e fazer no presente o melhor possível para realizá-los.

domingo, 13 de maio de 2012

Exxxcitement

Dessa vez não foi difícil para dormir. Estava cansada, coloquei Coldplay para tocar bem baixinho no fone de ouvido e caí no sono rápido. Acordei com o barulho da porta e Renato Russo cantando Faroeste Caboclo. Desliguei a música, mostrei para a minha colega de quarto a lâmpada da cama - ela estava usando a luz do celular para tentar não acordar ninguém, o que foi inútil após todo o barulho de sua chegada - e dormi rápido, novamente.

Acordei cedo, disposta. Fiz tudo o que deveria fazer - eu sabia exatamente o passo-a-passo das minhas primeiras horas da manhã. Com calma, tomei banho, coloquei as lentes de contato, fiz o restante das malas que faltavam, carreguei o peso exorbitante da minha falta de noção pelas ruas. Felizmente (ou como diz o meu pai: porque você é bonita, descolada e fala francês) tive bastante ajuda.

Após tudo estar quase pronto, fui em direção ao meu primeiro momento relaxante e consciente - até ali eu estava no modo automático - no bar onde é servido o café da manhã. Peguei duas fatias de pão integral e geléia de morango, fiz um café bem forte e me sentei na mesa de um turco tagarela cujo inglês era tão complicado que nem a sua simpatia me ajudava a ter o mínimo de vontade de conversar.

Foi na hora de passar a geléia no pão que eu percebi o quanto eu tremia. Não só as minhas mãos, que eram o ponto mais notável, mas sentia arrepios, ondas percorrendo todo o meu corpo. Eu já fui muito mais tímida do que sou hoje e já passei momentos complicados de pânico e expectativa quando já perdi a voz, não conseguia raciocinar, suava, passava a noite em claro, enfim, já tive vários sintomas, mas nunca havia sentido isso na minha vida toda.

Sentada na recepção do hostel duas horas e meia depois, sinto um aperto no estômago e ainda tremo. Expectativa, entusiasmo, felicidade - muitas palavras, juntas, podem chegar perto de expressar o que eu sinto neste momento, mas não poderiam descrever com exatidão. Quantos minutos mais terei que esperar até esta porta abrir e deixar minha agitação sair, e você entrar?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tic tac

Apesar de estar completamente habituada à contagem dos dias e das horas, tem sempre algum momento em que eu acho que o tempo passa mais rápido ou mais devagar. Sei que não sou a única, mas não acredito que haja uma explicação para essa sensação de relatividade do tempo.

No começo os dias passavam lentamente. Mas o último mês simplesmente voou. É quase inacreditável que já vai fazer três meses que estou em Nice, e é triste e assustador o tic tac do relógio contando meu tempo para ir embora.

A lista de coisas que eu fiz e aprendi e as histórias são tantas, que não tenho a menor intenção de publicar nesse blog. Esses três meses dariam fácil um enorme livro cheio de coisas interessantes. Mas não tem como não citar algumas coisas extremamente importantes que me aconteceram aqui, especialmente porque um dia eu vou reler tudo isso - esse também é um dos propósitos desse blog - e a minha memória vai ser reanimada pelas impressões e sentimentos que expresso aqui.

Em Nice eu aprendi a andar a pé, a me acostumar com o barulho das ambulâncias e entender que nem sempre os velhinhos podem ter a preferência (aqui tem tantos idosos que a lei da preferência não existe, pois eles tomariam conta de todos os lugares, hahaha). Descobri que eu acho cachorros fofíssimos, mas eu não suportaria ter um (cada um dos milhares idosos tem um cachorro, eles podem entrar no ônibus, nas lojas e até nos restaurantes, e a cidade é cheeeeia de pequenos cocôs nos cantos - argh).

Eu descobri muito sobre mim, aprendi muito sobre a vida, sobre como administrar meu dinheiro (quase falhei nesse quesito, mas até que não fui tão mal), sobre o que eu quero fazer com a minha vida e com a minha graduação - não tudo, mas já tenho algumas idéias.

Sofri tanto com a saudade do Brasil e sei que ainda vou sofrer demais, de saudade daqui. A três dias de partir eu fico numa confusão de sentimentos por querer e não querer voltar. Felizmente terei uma semana em Paris e em Londres (obrigado, pais maravilhosos!) para me acostumar com um ambiente diferente, sem realmente estar de volta. Então vou finalmente aprender como ter que dizer adeus, e mergulhar de cabeça na realidade, na minha vida, na minha Brasília - onde o futuro me espera com algo a menos para dizer eu te amo.


I meant what I said

Tudo que ela queria era que seus olhos fossem uma câmera, para que ela pudesse gravar e nunca se esquecer daquele exato momento.

No meio da conversa, ele fica sério. Vira-se para ela, enquanto ela continua deitada de costas e move somente a cabeça para o fitar. Os olhos verde-azulados dele estão cheios de vasos vermelhos, e se enchem d'água quando ele começa a falar.

Ele fala em primeira pessoa, mas é exatamente tudo o que ela está sentindo. Estaria ele tentando decifrá-la? Como ele poderia ser mais exato? O coração fica apertado, ela prende a respiração...

E descobre que ele sente o mesmo. Dois pares de olhos cheios d'água.

Ele pergunta se todas aquelas páginas escritas queriam dizer aquilo, e ela confirma, para depois descobrir que não. Tudo que ela escreveu foi uma tentativa de esconder o que ele resumiu em algumas palavras.

A manhã chega e ela se pergunta se sonhou com tudo aquilo. Então os olhos verde-azulados a fitam novamente - como ele pode saber o que se passa na mente dela? - e ele confirma que quis dizer tudo o que foi dito na noite passada.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu gostaria de ter mais tempo para dedicar à minha vida social, no sentido de manter contato com cada pessoa que eu não deveria ter deixado de falar. Mandar uma mensagem, escrever uma carta, encontrá-las em um almoço ou jantar.

A vida está cheia de pessoas especiais que marcam a nossa vida. Pessoas com as quais talvez nem tenhamos passado tanto tempo assim, mas que os poucos momentos foram intensos por algum motivo.

É impossível manter contato com cada uma das pessoas que me despertam boas, ou no mínimo interessantes lembranças. As tentativas um dia cessam com a falta de tempo e a distância, que falam mais alto que a memória.

O importante é nunca esquecer. Um dia você vai encontrar a pessoa na rua, no facebook, não importa onde, e as memórias vão voltar e despertar perguntas e respostas sobre como aqueles momentos de certa forma fizeram você ser quem você é...

sábado, 21 de abril de 2012

Pressa

Por que perder seu tempo com sugestões e promessas que todos sabem que não serão cumpridas? Manter os pés no chão é difícil, mas menos doloroso. Não vejo maldade em querer o novo, o diferente, mais, especialmente se o que realmente se quer não está ao seu alcance.

As memórias podem ser suas melhores amigas, mas podem ser as piores inimigas se você as prefere em detrimento do presente. No futuro ele será uma memória esburacada e sem sentido, e o remorso por não ter aproveitado melhor o tempo será o sentimento que as acompanhará.

Sim, a distância define muitas coisas, e eu nunca a vi trabalhar a favor de nada. Então, não me encha mais de histórias engraçadas, desejos irrealizáveis ou expectativas. Mas para o agora, estou aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

In a cool different way


Eu acordei com o mesmo sentimento bom, de leveza, de felicidade que me acompanhou durante todo o sonho. Na cidade, todos pareciam me conhecer. Velhinhas me paravam para cumprimentar e perguntar sobre a minha vida. Eu sorria pelas ruas da cidade sem parar.

Ele falava português com um sotaque bonitinho que só. Sua ex namorada era brasileira (e agora não me lembro se ele morou no Brasil com ela ou se aprendeu em casa em outro país, mas não importa), e ele tinha vários amigos legais naquela cidade.

Era um domingo de manhã e não havia ninguém na escola. Ele pegou a minha mão e saímos correndo pelo pátio em direção ao prédio, antes que alguém nos visse invadindo a propriedade. Ríamos sem parar enquanto passávamos de sala em sala vendo desenhos e colagens de crianças desconhecidas, salas de química e biologia, depósitos de materiais.

Fiquei com fome e ele saiu para comprar uns sanduíches. Enquanto eu esperava em uma sala, algumas pessoas foram chegando e se acomodando. Havia todos os tipos de pessoas: crianças, adolescentes, adultos e velhos, cerca de vinte pessoas. Lembro do rosto de desconfiança dele quando abriu a porta devagar e colocou a cabeça para dentro para ver o que acontecia.

Ele me encontrou em uma roda, de mãos dadas, e alguém falava. Eu o recebi com um enorme sorriso e o chamei para se juntar a nós. Aparentemente era um grupo de apoio à alguma coisa, que eu não sei bem o que é. Eu já me sentia bem até esse momento, depois da reunião eu me senti melhor ainda.

Lanchamos e fomos dar uma volta na rua, onde velhinhos nos perguntavam sorridentes as direções dos lugares e puxavam papo sobre como estava a nossa vida.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aprendendo

Uma garota turca que não fala francês e uma brasileira que não fala inglês se comunicam através do Google Translate, que tem ficado cada vez melhor na tradução de palavrões e expressões sexuais, devo dizer. No dia que sou apresentada à turca como brasileira sou chamada de cadela e de várias outras coisas (bem piores!) que eu nem me lembrava, depois de mais de um mês sem xingar em português. Depois de uma crise de riso, ela se torna uma amiga.

O meu medo de não fazer valer o investimento dos meus pais diminuiu com a melhoria do meu francês e me permitiu praticar e melhorar meu inglês. Fiquei chateada no começo mas aprendi que ser chamada de cute é legal. Descobri que nem todo mexicano é viciado em pimenta, que as polonesas bebem muito, que os holandeses podem ser bem recatados, que os franceses conseguem ser uns chatos (uma boa maioria deles).

Destruí estereótipos e preconceitos e adquiri outros - para resumir e acabar com as citações infindáveis sobre as nacionalidades com as quais convivi. Aprendi a comer várias frutas e provei carne de pato. Descobri que a cerveja do Brasil é uma porcaria. Aprendi a tomar vinho, que depois de um porre memorável e traumatizante eu tinha abdicado - o que não significa que eu continuarei tomando quando voltar, afinal, vinho de três euros na França tem a qualidade de um beeeem mais caro no Brasil.

Até mesmo aprendi a dançar Ai Se Eu Te Pego. A única coisa que eu acredito que essa viagem não vai me ensinar é acabar com a saudade, contra a qual eu luto colocando no papel as coisas boas que tem me acontecido, e tudo que eu tenho aprendido por aqui. Mas já aprendi que a saudade dói, mas não mata. (O que me mata neste momento é a indignação por ter ficado em casa alguns dias "curtindo a depressão"!!!)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Eu esperneiro, xingo, choro, brigo contigo, acho que você está me maltratando. A pureza da sua sinceridade dói porque além de tudo, a maioria das vezes, você tem razão.

domingo, 8 de abril de 2012

Upon us all, a little rain must fall

Eu gosto de comer Danete com uma colher bem pequena para o prazer durar mais. Infelizmente isso não impede que ele acabe em algum momento.

A instabilidade é vida, o problema é necessário. A felicidade de ontem adocica a gastrite de hoje. Como as horas carregam os bons momentos, as lágrimas e o sono mandam a dor embora. O botão de pause prolongaria o momento ao custo de tudo estar completamente diferente ao decidirmos apertar o play e seguir em frente. O arrependimento não rebobina a vida. A ressaca, os roxos, a fome, ou a paz de espírito e a cabeça vazia são os motivos para começar o dia rindo loucamente.

Para que colocar cada coisa em uma caixinha se tudo bagunçado faz mais sentido do que essa tentativa de escrever sobre o que eu não sei? :)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Botão de desligar

Fazer exercícios, ler, comer bem, não tomar café, não há nada que faça esse cérebro parar um pouquinho. Dois dias em sem um minuto com a cabeça vazia, quando não são pensamentos ou preocupações são músicas aleatórias que começam e não terminam, substituídas por outras. As poucas horas de sono são recheadas por sonhos sem pé nem cabeça que dão a sensação de maior cansaço após dormir.

Queria que houvesse um botão para desligar a minha mente, ou pelo menos a ansiedade que não me deixa descansar...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Definitivamente mentir não é o melhor remédio, mas talvez seja possível haver um relacionamento com base no diálogo com algumas omissões. Minha tendência é achar que as omissões vão aumentar com o tempo até a conversa não ir além do clima de hoje e "meu dia foi bom". Mas aprendi faz tempo que não é necessário concordar para amar, e talvez amar seja o suficiente.


sábado, 17 de março de 2012

Out of character

"O triste de tudo isto é que, à medida que crescemos, nos acostumamos não apenas com a lei da gravidade. Acostumamo-nos, ao mesmo tempo, com o mundo em si. Ao que tudo indica, ao longo da nossa infância nós perdemos a capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo." - Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia

Os estereótipos são típicos exemplos da perda da capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo. Com o nosso hábito de sempre classificarmos as pessoas, dividi-las em grupos, e de criarmos uma imagem de cada cada uma delas - mesmo, muitas vezes, sem conhecê-las - perdemos a oportunidade de descobrir coisas interessantes sobre os outros, e eu diria até, de abrirmos os olhos para a burrice que é estereotipar.

Ficarmos surpresos com o comportamento das pessoas deveria ser algo positivo, visto que nos abre os olhos para o universo que cada pessoa pode ser. Ao invés disso, nos impressionamos e nos sentimos idiotas por termos criado uma imagem errada da pessoa, ou nos decepcionamos por a pessoa não ser exatamente o que tínhamos imaginado.

O problema desse conformismo é quando achamos que também devemos nos encaixar num estereótipo. Até "se encontrar", uma pessoa costuma sofrer certas crises de identidade. Depois disso, muitas vezes o quadradinho que escolheram fica pequeno demais, opressor demais. E então vemos todos os dias pessoas procurando válvulas de escape: "despirocar", fazer compras, comer, encher a cara, arrumar briga...

Eu concordo com quem falou que definir é limitar, e também acho que muitas vezes é reprimir. Ninguém é obrigado a ser engraçado, sério, estudioso, baladeiro, enfim, a ser qualquer coisa o tempo todo. Podemos ser diferentes pessoas em uma só. Para mim isso não é ser duas caras, como muita gente acha. Isso é ser quem você quer ser quando você quiser ser.

De qualquer forma, não sou ingênua ao ponto de achar que isso um dia vá mudar no mundo, e até acredito que um dia eu possa me render a um estereótipo. Mas preciso aprender a julgar menos os outros e me importar menos quando as pessoas se surpreendem com alguma característica minha. Eu ainda tenho muito para aprender e a desenvolver antes de escolher um quadradinho. E estou feliz frequentando vários.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Momento de consciência

Ultimamente tenho com frequência o que chamo de "momento de consciência". É um momento extremamente intenso quando o mundo ao meu redor pára, eu saio de mim, e tenho a total percepção de onde eu estou, com quem estou e o que estou fazendo, como se eu visse um filme da minha vida ali, na minha frente.

É inacreditável quanto tempo pode passar sem que tenhamos esses momentos de consciência. Obviamente sabemos onde estamos e tudo mais, mas estamos apenas vivendo o momento, sem perceber o impacto que ele vai causar na nossa vida.

Deve ser por isso que existe aquele ditado: "só se dá valor ao que se perde". Porque quando perdemos algo temos o momento de consciência onde vemos realmente a importância daquilo nas nossas vidas. A rotina também cega essa percepção.

Comecei a fazer esse exercício de consiência com o passado, e vi que mesmo a rotina estava recheada de fatos e pessoas importantes que fizeram vários dias aparentemente semelhantes especiais e mais felizes. Gostaria de ter visto isso antes para ter valorizado mais.

Tem coisas que a gente quer esquecer e não consegue, tem coisas que a gente quer se lembrar para sempre, e a nossa memória nos trai. O momento de consciência não garante uma memória eterna, mas define o valor de cada momento e o impacto dele nas nossas vidas.

Desde que descobri isso não quero esquecer mais nada, pois afinal de contas, tudo o que me aconteceu é o que me fez ser quem sou agora, e saber a origem e a importância dos nossos problemas ajuda a enfrentá-los (e aceitá-los também), ao invés de usá-los como justificativa para características ou comportamentos pessoais não tão valorosos assim.

Isso tem sido um grande estímulo para o alcance de certos objetivos pessoais atualmente, e um grande maximizador da minha alegria e do valor dado a cada momento vivido nos últimos tempos.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Perdeu a graça

Sabe aquele sonho de inverno que toda pessoa que nunca viu a neve tem? A empolgação por desenterrar as botas, os casacos pesados, cachecóis, luvas, gorros, a vontade de esquiar, patinar no gelo, ou só ficar dentro de casa curtindo o cobertor...

Uma hora isso tudo acaba! Sinceramente, não aguento mais ter que usar um kilo de roupas para sair de casa todos os dias! Não aguento mais a preguiça que esse frio me dá, a vontade de passar o dia inteiro enterrada na cama, a tristeza ao ver o sol maravilhoso e quando sair ver que ele só está lá iluminando, esquentar que é bom, nada.

Perdeu a graça usar cachecol todo dia, quero jogar minhas botas fora, quero poder voltar a caminhar na Promenade des Anglais sem roupa de inverno e conseguir tirar o casaco depois de umas corridinhas. Estou desbotada! Quero poder pegar um sol, entrar no mar, colocar uma blusinha e nada mais para sair, usar minhas havaianas na rua!

Primavera, a senhora está muito mole! Manda esse inverno embora logo, que eu não aguento mais a indisposição que ele me traz! (Mas se você só devolver aqueles 17 graus celsius da semana passada, já ficarei muito feliz.)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Possibilidades

"Há sempre algo de ridículo nas emoções das pessoas que deixamos de amar", disse Oscar Wilde. Eu sempre lembro dessa frase quando tenho a consciência de alguma emoção que tive, mas passou. Tem sempre algo de ridículo nas emoções que tivemos e que se foram, por mais intensas, importantes ou justificáveis que elas tenham sido.

Na minha terceira semana (já?!) em Nice, finalmente a saudade do meu país, da minha família e dos meus amigos brasileiros já não me consome mais, foi substituída por um bem-estar inexplicável pela grande experiência que estou vivendo, pela valorização de todos os momentos aqui, e - acredite ou não - a vontade de ficar.

Muita gente me perguntou por que eu vou ficar aqui somente até maio, já que a faculdade está trancada até julho. Eu não sei. Mas tenho que admitir que a possibilidade é tentadora, apesar das dificuldades de morar num país diferente, e do tanto que vou ter que "ralar" se eu quiser aproveitar mais tempo na Europa.

Tem certas oportunidades que a gente não pode deixar passar. Por enquanto, tenho uma possibilidade, que vou lutar (leia-se "vou procurar um emprego") para transformar em oportunidade. E, se eu conseguir (afinal, a situação aqui está complicada), vou aproveitar cada dia dos meus dois meses a mais por aqui, tenham certeza.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Viver de imagem é uma coisa que acontece no mundo todo, mas no Brasil, na minha opinião, a "coisa é mais feia". É hipócrita quem diz que não existe um padrão, mesmo que não comunicado abertamente, para se vestir, se comportar nos vários meios sociais, para conversar, para se expressar (até para o Facebook estão criando regrinhas, pode?).

Apesar de realmente achar isso babaquice, sei que isso não mudará tão cedo, e me preocupo com a minha imagem. Não é pelo fato de ser aceita em qualquer grupo, mas pelo medo do julgamento. Eu já menti, omiti, fingi muito pelo medo de ser julgada, especialmente no meio familiar, que para mim é o mais difícil de conquistar um espaço, pois todos são muito firmes em suas opiniões e valores, dos quais eu nem sempre compartilho.

Um fato que me marcou quando eu era bem nova, foi um dia de eleições em que todos se encontraram depois na casa da minha avó. Em meio às discussões de opiniões e revelações do voto, um primo simplesmente se recusava a contar em quem ele votou. Nunca esqueci desse dia, pois vi claramente - embora não tenha certeza - o medo do julgamento. Afinal, se ele compartilhasse das mesmas opiniões que todos, não havia porque esconder nada.

A questão é que esse grande medo de julgamento que eu sempre tive - e que felizmente, está diminuindo bastante - me trouxeram problemas para me aceitar. Apesar dos meus valores serem bem liberais e eu não ver problema em várias coisas (não vou citar nada, olha aí o medo de ser julgada!), sei que a maior parte do mundo não compartilha dos mesmos valores, o que em alguns momentos me levou a questionar se eu estava certa.

Mas não adianta: se você precisa esconder quem você é, tem algum problema de aceitação envolvido. Aprendi isso quando meus pais descobriram algo sobre mim que eu tinha muito medo de revelar a todos que não compartilhassem da mesma opinião. Após uma conversa onde ficou claro para mim que apesar de eles não aprovarem por motivos óbvios, o amor deles não mudaria em nada (e senti que lááááá no fundo eles podem compreender um pouquinho a situação), o muro que me separava deles caiu, e eu passei a me aceitar.

Apesar disso, não posso e nem preciso ficar levantando bandeira dos meus valores e opiniões. Não nasci para ser revolucionária, mas também não sinto mais a necessidade de mentir quando sou questionada diretamente. 

Eu acho que a imagem é algo importante. Não escondo que vivo da minha, e que eu mesma adoto padrões para os diversos grupos sociais que frequento. Frequentemente, por causa da minha postura, surpreendo as pessoas quando exponho as minhas opiniões, mas isso vai quebrando aos poucos os preconceitos, e realmente faz algumas pessoas refletirem sobre o julgamento pela imagem.

Vejo muita gente tímida e insegura pela dificuldade em se adaptar, e não quero mais isso para mim. Sei que o medo do julgamento não vai passar completamente até que eu não deva nada a ninguém (pois dependo da minha imagem para conseguir e manter um emprego, por exemplo), eu mude de opinião (é sempre possível, sou muito nova para estabelecer verdades absolutas na minha vida), ou eu esteja em um meio onde, realmente, nada disso importe. Até lá, a auto-aceitação vai me ajudando a viver mais feliz e menos preocupada.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vida nova


Para quem não sabe, estou morando em Nice, na França, onde vou viver por 3 meses. Tenho certeza que tem gente querendo saber como estou aqui, e preciso registrar, já que a minha memoria não é muito confiável.

Faz uma semana que cheguei nessa cidade fria, mas cheia de sol. A dona da casa onde moro é uma francesa muito gentil, que cozinha bem, e que adora flores. Eu divido o quarto com uma Russa, que vai embora no próximo final de semana, e aqui também moram um casal de suíços e um italiano (que esta aqui a trabalho). Infelizmente, a casa tem uma regra que é que os banhos só podem ser tomados a noite. Minha mãe achou isso muuuuuito engraçado porque não é com ela, mas não há nada que não possa ser parcialmente resolvido com uns lenços umedecidos, né? Difícil mesmo é acordar sem um banho, mas fazer o que.

Eu tomo café da manha e janto em casa, e para o almoço, eu levo um sanduiche que faço em casa, pois é muito mais barato e mais saudável. A comida aqui na França é muito gordurosa, tem muita manteiga, e não se encontra pão integral em qualquer loja de sanduiches. Os doces daqui são absurdamente maravilhosos! Não tem como explicar. São os melhores doces que já comi na minha vida. Felizmente eu enjoo fácil porque são muito açucarados ou amanteigados.

Tenho aula de segunda a sexta de 9 as 12:15, o que me deixa muito tempo livre, que na ultima semana eu usei para sair e conhecer a cidade, todos os dias. Fui também a algumas cidades próximas daqui. Tudo é extremamente lindo! Se você eh meu amigo no Facebook, veja as fotos, vale a pena. Meu professor é meio doidinho mas muito bom, e eu aprendo muito nas aulas.

Na escola tem gente de todos os lugares do mundo, mas vários brasileiros. Eu evito as pessoas que não querem falar francês em nenhum momento. Tenho certeza que pareço meio chata, mas isso é extremamente necessário, afinal meu pai não gastou rios de dinheiro para eu praticar meu inglês aqui, ou só conhecer pessoas do Brasil.

Aqui é muito perto de Monaco e só custa 1 euro para ir la! Devo visitar o principado essa semana. Eh bem tentador pegar um trem ou avião (tem umas passagens bem baratas aqui) para viajar a Europa inteira, mas eu só devo viajar quando tiver certeza que o dinheiro vai sobrar.

Eu queria arrumar um emprego, mas bem, a Europa inteira esta em crise e a falta de emprego sai quase todos os dias no jornal (eu leio todo dia o jornal gratuito, que não é só sangue e tragédia como os do Brasil, para praticar e aumentar o vocabulário). Mas essa semana vou ao centro da juventude, tenho certeza que nem todos os franceses desempregados estão dispostos a cuidar de crianças ou lavar umas louças, melhor para mim!

Varias pessoas me falaram que tiveram ou estão tendo pesadelos, e eu acho que por não ter me recuperado totalmente do jet lag, eu estava dormindo como uma pedra e nem sonhava nada. Infelizmente eu comecei a ter pesadelos, e o dessa noite foi o pior pesadelo que tive na minha vida, serio mesmo. Espero que essa fase passe logo!

Estou aqui há uma semana, mas parece que já faz um mês! Sinto muita falta da minha família e dos meus amigos e já chorei demais, mas tenho certeza que isso vai passar quando eu me acostumar com a vida aqui. Apesar disso, estou muito, muito, muito feliz! Tenho certeza que vou aprender a falar francês (quase que) fluentemente, pois em uma semana já melhorei bastante.

Morar no exterior é uma experiência maravilhosa, que estou tendo a oportunidade de viver. Tenho certeza que vai ser muito bom para o meu crescimento pessoal e profissional. Sou extremamente agradecida a todos que me ajudaram na realização desse sonho, especialmente meus pais, que pagaram tudo, e aos meus amigos que me fizeram descobrir a agência de viagens Vou Pra Fora (um pouquinho de propaganda, afinal gostei muito deles!), e a todos da agência que sempre me ajudaram em tudo.

Missão cumprida, meu blog agora voltara ao normal, com meus pensamentos malucos de todos os dias. Infelizmente não tenho a ambição tampouco a paciência de escrever frequentemente sobre a minha viagem, mas quem é meu amigo no facebook poderá acompanhar as fotos e trocar umas idéias.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Como explicar?

Conhecer a Europa sempre foi um sonho. Alias, conhecer o mundo inteiro eh um sonho que eu tenho desde que me entendo por gente. Neste exato momento, estou sentada na minha nova cama, no meu novo quarto, que divido com uma russa, em Nice, França. Realizando um sonho.

Entao, como explicar os milhares de sentimentos que passam no meu coraçao? Como dizer que apesar de estar absolutamente feliz por estar fazendo o que eu tanto queria, eu tambem sinto tristeza e solidao? Como colocar na balança os beneficios de poucas amizades verdadeiras e varias companhias maravilhosas no Brasil, ao lado de possiveis grandes amizades do mundo inteiro, e muito mais companhias agradaveis todos os dias? Eh impossivel.

Eu nao posso dizer que tenho certeza, mas espero e confio que esses sentimentos "negativos" vao passar. Eu sei que daqui a pouco vou estar familiarizada com a cidade, vou conhecer varias pessoas legais, vou estar com a agenda cheia e saudade sera para os poucos tempos livres e um sentimento reservado praticamente so para a familia.

Por isso ao mesmo tempo que sinto um milhao de emoçoes diferentes, boas e ruins, eu tambem me sinto idiota, porque parece egoismo e falta de adaptabilidade sofrer dessa forma. Mas como convencer o coraçao que ele esta sofrendo a toa? Nessas horas eh que vejo que nao tenho absolutamente nenhum controle sobre os meus sentimentos, apesar da razao estar firme e forte aqui me chamando de fraca.

Mas enquanto a razao nao vence, vou viver meu sonho europeu, pois so assim essa saudade fdp vai passar.


(Durante os tres meses que ficarei por aqui, as postagens serao sem acento, porque eu nao faço ideia de onde eles estao neste netbook que estou usando.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando digo que sou...

Estudante de administração, estagiária, estudiosa, patricinha, whatever, cada um me vê de um jeito. Muitos, de uma forma preconceituosa. Acredito que por esse motivo a brincadeira fez tanto sucesso no Facebook: as pessoas até gostam de se rotular para expressar o que são e o que pensam, mas estão cansadas de julgamentos errados sobre qualquer um desses rótulos.

E aí vem um babaca e coloca um rótulo bem grande na ilustração. Enche de opiniões maliciosas e preconceituosas, e no quadro "como eles acham que são", faz uma representação completamente equivocada sobre o tal grupo, expressando uma idéia antiquada e deturpada sobre quem são essas pessoas de verdade, se escondendo atrás da hipocrisia gerada pela defesa da "liberdade de expressão".

Depois dessa, eu acho que opiniões burras e carregadas de preconceito deveriam ser censuradas, sim. As pessoas precisam aprender a se informar, a respeitar o próximo, deixarem de ser preconceituosas e principalmente a parar de julgar os outros.

E eu preciso parar de assinar atualizações de pessoas que acham que a moral do filme Tropa de Elite é um policial batendo em um maconheiro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sapatilha rosa

Dia desses eu sonhei que me casava. A foto não é a mais apropriada, no meu sonho, eu usava sapatilhas. Sapatilhas pink. Lembro que pensei: "tanto faz o que estou calçando, o vestido vai tampar".

Ao escrever essa postagem, lembrei que sábado fui a uma loja de sapatilhas, e encontrei exatamente a sapatilha do meu sonho, mas não liguei os fatos no momento.

Os sonhos que eu lembro estão ficando cada vez mais raros...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alterado

Infelizmente tem pessoas que eu nunca vou saber quem são de verdade. Porque o que vejo é uma personalidade alterada por uma "mente feita", o dia inteiro. O pior é quando a pessoa depende das influências, e não é ninguém sem elas...

Usar camisinha, baixar o volume após as 22h, não pegar no volante após dirigir...  O que quero dizer é: sou liberal com muitas coisas, mas acredito que até a diversão tem que ter limite, principalmente quando ela altera ou pode alterar a vida do outro, ou pior: a sua própria vida.

Não adianta pregar eternamente a tolerância e a legitimação, a mente das pessoas não vai abrir enquanto essas coisas não acontecerem.