quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu gostaria de ter mais tempo para dedicar à minha vida social, no sentido de manter contato com cada pessoa que eu não deveria ter deixado de falar. Mandar uma mensagem, escrever uma carta, encontrá-las em um almoço ou jantar.

A vida está cheia de pessoas especiais que marcam a nossa vida. Pessoas com as quais talvez nem tenhamos passado tanto tempo assim, mas que os poucos momentos foram intensos por algum motivo.

É impossível manter contato com cada uma das pessoas que me despertam boas, ou no mínimo interessantes lembranças. As tentativas um dia cessam com a falta de tempo e a distância, que falam mais alto que a memória.

O importante é nunca esquecer. Um dia você vai encontrar a pessoa na rua, no facebook, não importa onde, e as memórias vão voltar e despertar perguntas e respostas sobre como aqueles momentos de certa forma fizeram você ser quem você é...

sábado, 21 de abril de 2012

Pressa

Por que perder seu tempo com sugestões e promessas que todos sabem que não serão cumpridas? Manter os pés no chão é difícil, mas menos doloroso. Não vejo maldade em querer o novo, o diferente, mais, especialmente se o que realmente se quer não está ao seu alcance.

As memórias podem ser suas melhores amigas, mas podem ser as piores inimigas se você as prefere em detrimento do presente. No futuro ele será uma memória esburacada e sem sentido, e o remorso por não ter aproveitado melhor o tempo será o sentimento que as acompanhará.

Sim, a distância define muitas coisas, e eu nunca a vi trabalhar a favor de nada. Então, não me encha mais de histórias engraçadas, desejos irrealizáveis ou expectativas. Mas para o agora, estou aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

In a cool different way


Eu acordei com o mesmo sentimento bom, de leveza, de felicidade que me acompanhou durante todo o sonho. Na cidade, todos pareciam me conhecer. Velhinhas me paravam para cumprimentar e perguntar sobre a minha vida. Eu sorria pelas ruas da cidade sem parar.

Ele falava português com um sotaque bonitinho que só. Sua ex namorada era brasileira (e agora não me lembro se ele morou no Brasil com ela ou se aprendeu em casa em outro país, mas não importa), e ele tinha vários amigos legais naquela cidade.

Era um domingo de manhã e não havia ninguém na escola. Ele pegou a minha mão e saímos correndo pelo pátio em direção ao prédio, antes que alguém nos visse invadindo a propriedade. Ríamos sem parar enquanto passávamos de sala em sala vendo desenhos e colagens de crianças desconhecidas, salas de química e biologia, depósitos de materiais.

Fiquei com fome e ele saiu para comprar uns sanduíches. Enquanto eu esperava em uma sala, algumas pessoas foram chegando e se acomodando. Havia todos os tipos de pessoas: crianças, adolescentes, adultos e velhos, cerca de vinte pessoas. Lembro do rosto de desconfiança dele quando abriu a porta devagar e colocou a cabeça para dentro para ver o que acontecia.

Ele me encontrou em uma roda, de mãos dadas, e alguém falava. Eu o recebi com um enorme sorriso e o chamei para se juntar a nós. Aparentemente era um grupo de apoio à alguma coisa, que eu não sei bem o que é. Eu já me sentia bem até esse momento, depois da reunião eu me senti melhor ainda.

Lanchamos e fomos dar uma volta na rua, onde velhinhos nos perguntavam sorridentes as direções dos lugares e puxavam papo sobre como estava a nossa vida.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aprendendo

Uma garota turca que não fala francês e uma brasileira que não fala inglês se comunicam através do Google Translate, que tem ficado cada vez melhor na tradução de palavrões e expressões sexuais, devo dizer. No dia que sou apresentada à turca como brasileira sou chamada de cadela e de várias outras coisas (bem piores!) que eu nem me lembrava, depois de mais de um mês sem xingar em português. Depois de uma crise de riso, ela se torna uma amiga.

O meu medo de não fazer valer o investimento dos meus pais diminuiu com a melhoria do meu francês e me permitiu praticar e melhorar meu inglês. Fiquei chateada no começo mas aprendi que ser chamada de cute é legal. Descobri que nem todo mexicano é viciado em pimenta, que as polonesas bebem muito, que os holandeses podem ser bem recatados, que os franceses conseguem ser uns chatos (uma boa maioria deles).

Destruí estereótipos e preconceitos e adquiri outros - para resumir e acabar com as citações infindáveis sobre as nacionalidades com as quais convivi. Aprendi a comer várias frutas e provei carne de pato. Descobri que a cerveja do Brasil é uma porcaria. Aprendi a tomar vinho, que depois de um porre memorável e traumatizante eu tinha abdicado - o que não significa que eu continuarei tomando quando voltar, afinal, vinho de três euros na França tem a qualidade de um beeeem mais caro no Brasil.

Até mesmo aprendi a dançar Ai Se Eu Te Pego. A única coisa que eu acredito que essa viagem não vai me ensinar é acabar com a saudade, contra a qual eu luto colocando no papel as coisas boas que tem me acontecido, e tudo que eu tenho aprendido por aqui. Mas já aprendi que a saudade dói, mas não mata. (O que me mata neste momento é a indignação por ter ficado em casa alguns dias "curtindo a depressão"!!!)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Eu esperneiro, xingo, choro, brigo contigo, acho que você está me maltratando. A pureza da sua sinceridade dói porque além de tudo, a maioria das vezes, você tem razão.

domingo, 8 de abril de 2012

Upon us all, a little rain must fall

Eu gosto de comer Danete com uma colher bem pequena para o prazer durar mais. Infelizmente isso não impede que ele acabe em algum momento.

A instabilidade é vida, o problema é necessário. A felicidade de ontem adocica a gastrite de hoje. Como as horas carregam os bons momentos, as lágrimas e o sono mandam a dor embora. O botão de pause prolongaria o momento ao custo de tudo estar completamente diferente ao decidirmos apertar o play e seguir em frente. O arrependimento não rebobina a vida. A ressaca, os roxos, a fome, ou a paz de espírito e a cabeça vazia são os motivos para começar o dia rindo loucamente.

Para que colocar cada coisa em uma caixinha se tudo bagunçado faz mais sentido do que essa tentativa de escrever sobre o que eu não sei? :)