quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cada um no seu quadrado

Naquele ônibus lotado que saía da rodoviária rumo à W3 Sul, eu estava prestes a ser afetada pela energia negativa de 32094820348 várias pessoas que acabavam de terminar uma jornada de trabalho. Tive que deixar meu livro em casa porque o dia tinha exigido vários objetos a mais na minha bolsa, e não houve espaço, e lembrei mais uma vez que preciso comprar um MP3.

Isso tudo para justificar que eu comecei a prestar atenção na conversa de três fofoqueiras jovens que trabalham na mesma empresa, e que estavam a discutir sobre os comportamentos absurdos das outras colegas de trabalho. Percebi a depressão chegar mais perto enquanto ouvia as muitas críticas e julgamentos maliciosos daquelas pessoas, quando finalmente consegui o que precisava:

- Pois é, ela está toda esquisita mesmo, não conversa, não se mistura... e não quer contar o que aconteceu! Mas eu não estou nem aí, ela que cuide de vida dela, eu não vou me meter...
- Isso mesmo, cada um no seu quadrado.
- É, cada um no seu quadrado!

De repente, eu era o foco da atenção de algumas pessoas mais próximas. Me segurava para não rir alto.

Pois ora, que situação mais absurda! Depois de muitos minutos discorrendo sobre a vida pessoal de várias pessoas indefesas, a criatura coloca a máscara e vem dar uma de despreocupada com a vida alheia? Assim, sem um k-y nenhuma transição, sem preparar o espectador?

Ri mesmo. E venci aquela "coisa ruim" de ônibus lotado em Brasília. Porque vez ou outra a hipocrisia também pode ser divertida.

1 comentários:

Anônimo disse...

Isso mesmo!
"tirando motorista e cobrador, nessa vida tudo é passageiro". Rsrs