segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Consciência

Há quinze minutos de entregar um estudo de caso - que havia sido solicitado com o prazo de uma semana para entrega -, descobri que eu havia respondido as questões do case errado. Ao invés de olhar o plano de ensino, fui pela matéria dada em sala de aula e adiantei um exercício, esquecendo completamente das orientações da professora e do plano. Descobri isso justamente quando minha colega estava a imprimir as respostas dela, e no automático, pedi que ela colocasse o meu nome, que eu colocaria o dela no próximo, que eu já havia feito.

Já na sala de aula, minha mente começou: "Você sempre faz os estudos de caso sozinha, e agora resolve fazer em grupo? A professora te conhece, ela vai reparar. Seu nome está por último, está na cara que você foi adicionada depois ao grupo." E ela não ficava quieta. Peguei o pen drive e fui imprimir novamente o estudo de caso, só que sem o meu nome.

Eu sabia que a minha educação religiosa havia me moldado em muitos aspectos, embora em questões importantes que definem a religião, eu tenha opiniões totalmente divergentes do que me foi ensinado. Mas além da educação religiosa, a vida me ensinou que a mentira é uma grande causadora de problemas, e sim, ela tem perna curta.

Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de comentários reprovadores que recebi pela minha consciência. Aparentemente não tem problema colocar o nome em um trabalho que não foi feito por você. Pelo visto é mais fácil fazer isso do que admitir a verdade para o professor (mesmo que a verdade seja que você fez o "dever de casa", mas o dever errado). O senso comum diz que é assim que a faculdade funciona, que não tem problema nenhum.

Não vou dizer que nunca fiz esse tipo de coisa na minha vida, ou nos três anos que estou na faculdade. Mas a situação (a professora me conhecer, eu realmente ser competente nessa matéria, minha raiva por ter errado) me fizeram achar a minha atitude errada. Além disso, e se a professora realmente percebesse? Ela não é qualquer professora, é a melhor professora que tive nesta instituição. Imagina o constrangimento!

Eu poderia entrar na questão da inversão de valores da sociedade atual, mas esta é uma situação muito pequena para isso. Além do mais, não quero bancar a certinha. Mas preciso expressar meus sentimentos: as pessoas deveriam rever os seus conceitos de certo e errado, sim. E deveriam saber que estes conceitos não são unânimes, e que eventualmente alguém pode ser mais "certinho" que a maioria. E deveriam respeitar esses certinhos, pois nem só de hipocrisia vive o homem.

No final, falei com a professora. Entreguei o estudo de caso errado, prometi o correto para a próxima aula. Aparentemente, sem prejuízo a nota. Ou à minha reputação. E para alívio da minha consciência.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Cada curva do cérebro tem um nome!"

Foi um dos importantes motivos para ele ter deixado de lado a opção medicina na escolha do vestibular. Além disso, ele já quis cursar psicologia. E filosofia. Acabou optando por engenharia de redes.
"Cada equipamento tem zilhões de atributos com nomes complicados."
 
Ela também gostava de psicologia, mas "talvez para o futuro" - dizia. Mas já quis relações internacionais e jornalismo. Nada na área de saúde, não mesmo. Hoje cursa administração e ainda não entrou em crise.
"Cada movimento que uma pessoa faz tem uma possível análise psicológica."
 
Ele cursou dois anos de administração. Aprendeu os 4 P's, algumas noções de contabilidade e muito sobre como empreender. Mas largou e escolheu gastronomia. Já até vendeu marmitas feitas por ele (não ele, um vendedor que ele contratara - fez a gastronomia virar business!) como fonte de renda.
"Cada método de cozinhar tem um nome em pelo menos duas culturas diferentes, igualmente importantes."

Qual é o meu ponto? Dentre tantas opções atraentes ao nosso alcance na vida, às vezes é necessário passar por períodos de dúvida, que testarão a intensidade do seu amor por cada uma delas. São momentos difíceis, pode demorar, mas acontece.

Isso tudo é que definirá qual lista de coisas você vai escolher decorar. E você vai conseguir montar o quebra-cabeça.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Israel

Os dez dias mais intensos da minha vida aconteceram em um país com a área menor que a do estado de Sergipe. Dia 24 de maio de 2011 parti em uma viagem que me mudou em vários aspectos. Sinto a memória começar a falhar e não quero esquecer absolutamente nenhum detalhe sobre esta experiência única. É chegada a hora de compartilhar um pouquinho do que vi e senti.

Após doze longas horas de um vôo muito confortável da El-Al (as poltronas são grandes, televisão individual com várias opções de canais, muita cordialidade e boa comida - mas é claro que o Dramin também ajudou), cheguei à Terra Santa, como dizem. No minuto em que aterrissamos eu já havia esquecido do pequeno questionário que tive de responder para conseguir embarcar, além da revista a todas as minhas coisas e uma rápido recolhimento de amostra do meu sapato - tudo questão de segurança, claro.

Ainda no aeroporto Ben Gurion em Tel-Aviv, conheci o motorista e o ônibus que me levaria para lá e para cá nesses dez dias, bem como quatro soldados israelenses com um pézinho no Brasil, que nos acompanharam em todos os momentos e com quem aprendi muitas coisas. Partimos então para Haifa, uma cidade muito bonita ao norte do país. Um jantar foi a minha primeira chocante refeição: pão, ovos e muita gomida gordurosa na mesa. Tive que encarar a salada, que com o homus (presente em todas as refeições) ficou razoavelmente tolerável ao meu paladar fresco.

O dia seguinte começou com mais surpresas alimentares: lasanha na mesa de café da manhã! Acabei optando, durante todos os dias, restringir meu desjejum a pão com ovos (o pão presente em todas as refeições assim como o homus, e os ovos, feitos de todas as formas possíveis, sempre no café da manhã) e café com leite. Mas faziam parte das opções algumas frutas que pelo que ouvi são desprovidas de gosto, cereal, e - quase me esqueci! - pepino e tomate! Sim, eles comem isto no café da manhã por lá...

A primeira visita do dia foi a um templo Baha'i, no qual não pudemos entrar. Até hoje não entendo muito sobre a religião, mas o templo é extremamente atraente.

by CarolinaTorresdeCastro 2011

Do templo, seguimos para Rosh HaNikrá, que são formações rochosas na costa do Mar Mediterrâneo, bem próximas da fronteira com o Líbano, por onde passava um trem que ligava os dois países em épocas de paz. A vista é maravilhosa tanto fora quanto dentro das cavernas.


by CarolinaTorresdeCastro 2011
Rosh HaNikrá
by CarolinaTorresdeCastro 2011
Cavernas Rosh HaNikrá

Claro que não poderia faltar a foto da fronteira com o Líbano. Beirute é mais perto que Jerusalém (os números são a distância até cada capital).

by CarolinaTorresdeCastro 2011

Após esta visita seguimos para Tzfat. Se você ainda se impressiona com as enormes ladeiras de Belo Horizonte, é porque você não viu esta cidade. E as pessoas andam para cima e para baixo (literalmente) em enormes escadarias que estão por toda a parte. Na cidade da cabala (como também é conhecida Tzfat) almocei meu primeiro falafel israelense e ouvi um pouco sobre a história de importantes sinagogas da região (o guia também fez questão de lembrar a visita de Madonna ao local).

by CarolinaTorresdeCastro 2011

De lá seguimos para Degania, um importante kibbutz do país, onde passei a noite e aprendi muitas coisas, que ficarão para uma próxima postagem - enquanto escrevia percebi que não tem como compactar dez dias intensos em uma postagem só. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Call your girlfriend...

Eu escrevi e reescrevi tantas vezes um texto para acompanhar este vídeo, que desisti de tentar explicar e/ou camuflar as idéias e sentimentos que o acompanham.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cansada de pessoas evasivas...

- Eu não acho Harry Potter um livro infanto-juvenil, mas de qualquer forma, eu li quando eu era adolescente.
- Que... foi há... o que? Dois anos atrás?

Confesso que o ataque aos meus modestos 20 aninhos me pegou de surpresa, afinal eu tinha acabado de conhecer a pessoa sem tato que falou isso. Quase me ofendeu, mas não. Ali estava uma pessoa sincera.

Meus hormônios em ação em dias posteriores a longas noites de insônia tem me causado irritações ultimamente, e uma irritação especial com pessoas evasivas.

Eu gosto de ter as coisas definidas, e bem definidas. Odeio estar "de mal" de alguém e gosto de resolver tudo logo, mesmo que dependa horas de discussão. Eu não entendo porque tanta gente vive fugindo dos problemas de relacionamento, se escondendo atrás de máscaras com um sorriso padrão ou de desculpas esfarrapadas.

Isso tem me causado uma gastrite que ninguém faz idéia, e eu decidi que a partir de hoje vou parar de correr atrás de algumas pessoas, porque eu cansei de me desgastar.

sábado, 15 de outubro de 2011

O tempo passa, o tempo voa

Relendo algumas postagens deste blog, caí em uma de 1º de outubro do ano passado, com uma reflexão sobre como faltavam três meses para o final do ano e como três meses podem mudar uma vida e tal. Olhei para o calendário e me dei conta de que faltam menos de três meses para este ano acabar.

Cada ano que parece que passa mais rápido! Como isso é possível? E dizem que depois dos 21 passa mais rápido ainda. Meu aniversário é em menos de três meses! Estou realmente impressionada com a velocidade com que esse ano passou.

Mas apesar de a falta de controle sobre o tempo me assustar um pouco, eu entendo que quando não vemos o tempo passar, estávamos usando este tempo, então não tem nada de ruim nisso. E eu não parei um minuto este ano, fora por algumas semanas de doença e deprê em casa de atestado médico, cada dia desse ano foi muito bem aproveitado.

Quanto a possibilidade de tudo mudar em três meses... Bom, este ano não fiz lista de resoluções de ano-novo justamente porque estava muito difícil cumprir tudo que eu planejava no começo do ano, até porque minha vida mudou tanto nos últimos dois, que eu não sabia como tudo aquilo ia terminar...

Então me agarrei todos os sinais de estabilidade que o meu planejamento mental (esse não tem como não fazer) me prometia e deixei rolar... e fora pela quantidade reduzida a menos da metade de livros lidos até o momento e a falta de visibilidade sobre o próximo ano, tudo deu certo até agora. Eu até emagreci! hahaha

Depois de anos fazendo listas e planejamentos enormes e balanços de final de ano, finalmente descobri que tentar planejar mais do que um mês das nossas vidas é desnecessário e anti-produtivo quando a sua vida está instável.

Mas é bom de vez em quando dar uma olhada no calendário e olhar para trás e para frente, um pouquinho. Foi assim que descobri que tenho menos de três meses para me acostumar com o fato de que daqui a pouco terei 21 anos, estarei na reta final da faculdade, tenho que procurar um novo emprego e tudo isso vai marcar a fase em que minha vida vai deslanchar e eu realmente terei muitos, muitos planos para fazer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juízo de valor: a chuva

Filosofia é aquela matéria que ou você ama ou você odeia, não tem meio termo. Eu sou das que ama.

Este semestre estou estudando filosofia e ética organizacional na faculdade, e aprendendo sobre a diferença entre juízo de fato e juízo de valor o professor usou um exemplo que me fez pensar hoje.

"Está chovendo" é um juízo de fato. Trata-se de uma constatação de um fato. Muito simples. Já "A chuva é boa" é um juízo de valor. É uma interpretação e uma avaliação do fato.

Lembro muito bem da expressão do meu professor naquele momento. Daquela forma intensa de se expressar que ele sempre usa quando está inspirado, ele franziu a testa, fez o movimento de questionamento com as mãos e falou: "a chuva é boa? BOA PARA QUEM?" Prontamente os alunos que costumam ser tímidos nas matérias exatas começaram a responder: para as plantas, para a umidade do ar - estamos sofrendo com a seca em Brasília!, blablabla.

E hoje me senti parte da explicação do meu professor: "e o agricultor não tiver plantado ainda as sementes e a chuva chega antes? E se é o seu casamento? E se você não tem carro, e você precisa sair, está de salto, maquiada, de cabelo escovado?"

Brasília passou mais de cem dias sem chuva. O Facebook ficou irritante com tantas mensagens, em todos os momentos, todos os dias, de pessoas reclamando da seca. Inventaram até uma marcha da chuva. Pessoas desesperadas porque não chovia. Por que isso?

Sinceramente? Eu odeio chuva. Não tenho carro e guarda-chuva só protege metade do corpo, não importa o tamanho. Estraga todos os meus sapatos. Deixa meu cabelo totalmente fuá, não tem nada que faça ele abaixar. Me impede de fazer minha caminhada diária nos meus horários preestrabelecidos - que são os únicos na minha vida de trabalho e estudo. Dá um sono absurdo dependendo do meu humor e do horário do dia, sem falar na nostalgia e depressão que começam a querer chegar.

Hoje ela me fez ficar mais tempo no trabalho, esperando ela passar. Saí do trabalho para uma Brasília molhada, mas clara. Peguei o metrô para vir para o Guará, cidade onde moro que não deve ser mais do que 10km de distância do meu trabalho, e a chuva tinha vindo comigo - forte, ainda por cima. Fiquei meia hora em pé esperando a chuva passar. Fui para casa estragando meu lindo salto e me molhando, porque ela não parou, apenas diminuiu. Foi aí que lembrei do meu professor. Só consegui fazer minha caminhada às oito da noite. E não vou contar a história da minha gripe da semana passada, após um fim de semana super tranquilo em casa, peguei 5 minutos de uma chuva fininha para ficar uma semana de cama.

É só começar a chover que começam os acidentes de trânsito. E tem gente que ainda a defende dizendo que é bom pra ficar em casa vendo filme, mas fala sério, em qualquer clima dá para fazer isso com louvor e aproveitar o mesmo tanto. Se a seca afeta a pele, é só comprar um hidratante corporal! Se acaba com o cabelo, é só fazer uma hidratação, beber mais água, passar creme. 

Fica meu pedido: peçam chuva para os lugares onde a seca impede a produção agrícola, mas por favor, por favor, por favor, brasilienses, parem de fazer essa dança da chuva nessa cidade, porque tá difícil! =(

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como eu senti falta deste blog! Não acredito que passei tanto tempo sem postar nada aqui. Talvez minha vida estivesse boa demais, hahaha. O fato é que não tem lugar melhor para desabafar sem que ninguém te julgue, como um blog! E aqui estou eu de volta, com a língua afiada (ou em vias de), para publicar ao mundo os meus pensamentos, sentimentos, agonias, enfim, o que eu tiver vontade! \o/

Eu até fiz uma postagem com um "balanço geral" de 2010 e outra sobre ficar mais velha, para postar na semana do meu aniversário. Mas o ano começou com um emprego novo e muitas mudanças! De dezembro até hoje já terminei um namoro, mudei de emprego, viajei para dois países, perdi alguns amigos para cidades melhores e sofri pra caramba com isso, assisti várias temporadas de Gilmore Girls (estou na 6ª atualmente), mudei o cabelo, passei em um concurso público, não tive tantas ressacas quanto achei que teria, e decepções, alegrias, tristezas, doenças e todo o resto foi na medida, por enquanto.

Bem-vindos de volta ao fantástico mundo de Carol! =)

Pára de me maltratar!!!

Não adianta falar, mostrar, discutir, brigar, te bater. Admita ou não, você mudou. Queira eu ou não, terei que me acostumar com sua nova personalidade. Mas se além de chato você continuar com essas pedras nas mãos, tenha certeza que eu não serei a única a me afastar.