sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Israel - parte 2

by CarolinaTorresdeCastro 2011
No segundo dia de viagem, chegamos no final da tarde no Kibbutz Degania Bet.

Um kibbutz é uma comunidade coletiva voluntária (definição da Wikipedia, é realmente difícil explicar :), basicamente uma cooperativa, inspirada por ideais socialistas. 

A forma de funcionamento, antigamente, era a seguinte: todos os moradores tinham que trabalhar em alguma atividade no kibbutz. Na agricultura, pecuária, cozinhando, limpando, cuidando e ensinando as crianças, enfim, cada um tinha uma profissão, e tudo que era produzido e arrecadado pelos moradores era dividido igualmente entre eles.

Houve uma época em que as crianças eram criadas longe de seus pais, nas "Sociedades das Crianças". Acreditava-se que assim elas estariam livres do Complexo de Édipo e as mães, sem a obrigação de criá-las, estariam livres para trabalhar e ter momentos de lazer. O que ainda permanece são as refeições, que são feitas em um refeitório comunitário, e as decisões, tomadas após votação entre os membros, ou entre os líderes previamente eleitos.

O Kibbutz Degania Alef foi o primeiro kibbutz israelense, fundado em 1909 pela Organização Sionista Mundial. Ficamos no Degania Bet, uma extensão do primeiro kibbutz. O ambiente de pequena vila é maravilhoso. Pequenas ruas ligam as casas umas às outras, e também a um ginásio e uma grande piscina. Árvores por todos os lados, e pequenas praças entre os conjuntos de casas, equipadas com redes e mesinhas com cadeiras tornam o ambiente totalmente acolhedor. A rede WI-FI estava disponível em toda a propriedade, gratuitamente.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
À noite participamos de uma atividade interessante: o grupo de aproximadamente 34 pessoas entre 18 e 26 anos foi dividido em dois, e após uma pequena aula sobre a história dos kibbutz, tivemos que descrever o kibbutz "ideal". As pessoas seriam obrigadas a trabalhar no kibbutz ou não? Se fosse possível trabalhar fora, a pessoa teria que doar todo o seu salário à comunidade? Como educar as crianças, em escolas fora da propriedade, ou em uma escola privativa? E a universidade? Foi uma experiência interessante que gerou uma reflexão sobre o mundo capitalista, e como pode ser interessante viver de outras formas...

No dia seguinte, no tour pela propriedade, descobrimos que tanto Degania Alef quanto Degania Bet foram privatizados, e a forma de vida já era um pouco diferente. Além das atividades de agricultura e pecuária - esta última não servindo somente para sustentar a comunidade, mas também para o comércio, o Degania Bet conta com uma fábrica de silicone. As pessoas também podem trabalhar fora, e há uma porcentagem de contribuição exigida, como em um condomínio. As crianças estudam em escolas próximas ao kibbutz.

Esta visita me despertou a vontade de um dia morar seis meses em um kibbutz. Viver de uma maneira completamente diferente da qual estou acostumada, aprendendo realmente a viver em comunidade e o valor de cada pessoa dentro dela, tenho certeza que seria uma experiência social muito interessante. Mais do que seis meses eu não conseguiria. Apesar da minha admiração e consideração por esta forma de vida, o capitalismo já me conquistou.

Do Kibbutz Degania Bet seguimos para Jerusalém, a cidade com a energia mais intensa deste planeta.