sexta-feira, 30 de julho de 2010

Solidão feminina, solidão contente

Li este texto há alguns dias no Clube dos Pentelhos, um blog que sigo e gosto muito. Achei bonito um homem ter escrito isso, e outro (o do blog) ter postado. Uma mulher falando tudo isso seria taxada de feminista. Não quero isso para mim, mas preciso confessar que concordo em partes. Não concordo é com a generalização, com os rótulos "homens são x, mulheres são y e ponto". Há excessões. Vale a reflexão. Absorvam o que valer a pena.

"Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo , ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil."

Ivan Martins

(Tenho que ressussitar esse meu lado feminino.)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Otimismo, sempre

Comemoro, neste momento, a quarta postagem seguida do meu blog sem conteúdo depressivo, melodramático ou com as minhas confusões do dia-a-dia.

É incrível como os momentos da nossa vida afetam nossa disposição para quase tudo. Para sair, ver gente, os programas que fazemos e, no caso de nós que temos blogs, o que escrevemos.

Mas não adianta escrever sobre nossos problemas, se isso só os alimenta. Percebi que este mês quase não postei nesse blog. O que eu estava fazendo esse tempo todo? É simples... quanto mais eu postava, mais eu sofria. Quando parei de ficar na internet olhando orkuts, emails antigos e sofrendo, e fui viver minha vida lá fora, ver meus amigos, me divertir... tudo passou!

Passou, não. Mentira. Mas está passando. Às vezes é bom a gente se distanciar dessa vida virtual e ver um pouquinho a luz do dia. Eu descobri pessoas que gostam de mim. Conheci pessoas divertidas. Aproveitei minhas duas últimas semanas de férias e fui feliz como não tinha sido desde que meu relacionamento minhas aulas acabaram.

Agora minhas aulas de francês voltaram, segunda-feira começo o quarto semestre de administração (sim, no final do ano completo metade do meu curso!), quinta-feira que vem vou para São Paulo e vou deixar todos os meus problemas naquela cidade. Vou esquecer de tudo, vou aproveitar os quatro dias que vou passar lá.

De volta à minha cidade, faço minha cirurgia de pedra na vesícula em um dia que três anos atrás, e para o resto da minha vida vai significar algo para mim: 11 de agosto. Vou resolver minha maior pendência e não vou sofrer como eu sofreria se estivesse consciente neste dia.

Depois, é só ir ajeitando aos pouquinhos a vida. Durante a recuperação vou ver quem realmente se importa comigo. Depois dela, vou procurar um emprego e cuidar de mim e das minhas amizades - que tem sido tão importantes nesse momento!

E manter o otimismo, sempre. A vida se acerta um dia. Pensamentos negativos só atraem situações negativas, e eu não quero isso para mim. E podem puxar minha orelha se eu começar a ficar deprê demais aqui. Me mandem ouvir Belle and Sebastian a tarde toda, ir comer horrores com os amigos numa sexta-feira (né PV?) e olhar para o futuro que eu vou construir. Ele é promissor.

Gabriela

Ela não é mais uma jovem, mas ainda há nela traços de beleza. É uma mulher que se cuida. Perua sem ser espalhafatosa, apenas se veste muito bem. Nunca se casou, por opção, pois teve oportunidades. Sim, mais de uma.

É uma pessoa "alto astral". Está sempre sorrindo, sempre que pode faz suas brincadeiras. É madura, auto-suficiente, e tem orgulho de suas experiências e de ser quem é.

Tanto orgulho que se mostra irredutível mesmo com as personalidades mais conservadoras. Perto de uma pessoa tímida ela tem as mesmas atitudes, chegando a constranger o pobre coitado. Com alguém mais jovem, ela compartilha suas experiências como se tivessem a validade de uma Teoria da Relatividade, não aceitando outras formas de agir. Está sempre certa. Sempre dizendo: "eu sou assim mesmo, não liga não. Daqui uns dias você aprende a conviver comigo."

Meu pai chamava isso de síndrome de Gabriela. Do ilustre Dorival Caymmi, Modinha para Gabriela. "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabriela!"

Pessoas que tem orgulho de ser quem são, e que não estão dispostas a mudar. O orgulho pelas nossas experiências é uma virtude, nos traz auto-estima. Mas não adianta ficar olhando só para o umbigo. Nossas experiências e nossa personalidade sempre tem algo a acrescentar... em determinadas situações. Em algumas mais, em outras menos.

Uma pessoa bela, com uma personalidade até certo ponto muito bonita e inspiradora... Mas a auto-valorização deve ter seus limites. A modéstia tem que existir. Pois para mim, a falta de respeito com os outros e a supervalorização do "eu" estraga qualquer beldade.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonhos como reflexos

Eu já tive algumas experiências bizarras de sonhos que eram reflexos do que eu sentia. Não do psicológico - ah, se fosse simples assim! Do físico mesmo.

Várias vezes sonhei com lindas cachoeiras, ou com o mar cheio de ondas, e acordava com vontade de fazer xixi.

Já sonhei que estava vomitando e acordei cuspindo no travesseiro.

Noite passada eu estava tão cansada que esqueci de todas as minhas necessidades fisiológicas e fui dormir - mas mesmo sem ter sonhado levantei meio sonâmbula para usar o banheiro. O que me acordou foi outra necessidade.

Sonhei que ainda estudava no Colégio Militar. Eu estava atrasada para a aula, então comecei a procurar na minha agenda do celular alguém com um número da Claro para avisar do meu atraso - porque até no sonho eu só tenho bônus, rs. (E como se no Colégio Militar fosse como é na minha faculdade, que você liga para um colega que avisa que você está atrasado e você recebe presença. Ã-hã.)

Acabei encontrando na minha lista o K., - uma pessoa que não vejo há exatamente 7 anos e que nunca chegou a estudar no Colégio Militar, mas que no sonho ele era da minha sala - e liguei para ele. Ele me falou que também estava atrasado, no restaurante da escola, e combinei de me encontrar com ele lá, pois além de atrasada, eu não havia almoçado.

Sim, o Colégio Militar de Brasília tem um restaurante dentro, no segundo bloco da direita, que se chama Salada Tropical. Mas no meu sonho (e talvez pela fome) o restaurante ficava logo na entrada e se chamava Hibisco, um dos restaurantes que mais frequento atualmente, na 715 norte.

Entrei no restaurante e comecei a me servir. Acho que nem na vida real vi um restaurante self-service com tantas opções de comidas apetitosas! Inclusive comidas que nunca vi em restaurantes, só na casa do meu pai, como linguiça com inhame (que, a propósito, não como há anos!).

Continuei me servindo, e de repente, ao meu lado, apareceu o meu último chefe, sr. L.F., que racionalmente pensando nada tem a ver com a minha fome, com restaurantes (nunca almocei com ele) ou com o Colégio Militar. Mas ele estava lá se servindo, me cumprimentou, olhou para o meu prato e disse "Você está com fome, hein?!" e riu.

Olhei para o meu prato e entendi. Ele estava quase transbordando de comida, mais cheio do que o prato diário de almoço do meu irmão - e olha que ele COME! Resolvi então parar de me servir - pela vergonha, afinal ainda haviam muitas opções deliciosas que eu ainda não tinha colocado no prato.

Comecei a comer e, talvez pela ausência do gosto da comida, percebi que estava sonhando. Mas não acordei...

No sonho, eu tinha acordado e meus amigos J. e M. estavam na minha casa, jogando video-game. Eu comecei a narrar o sonho com a comida para eles e falar que tinha acordado com fome.

Em algum momento citei que no sonho eu tinha comido algo muito com maionese, mas não me lembrava exatamente o quê. Então o J. sugeriu que comprássemos alguns pães de queijo no supermercado, e colocássemos para assar para comer com maionese.

Eu adorei a idéia, e acordei com uma puta fome e uma imensa vontade de comer pão de queijo (sem maionese).

Esta foi a minha primeira experiência com sonho como reflexo da fome, e foi muito engraçado. Recomendo a todos que façam o teste. Mas tenham um saco de pães de queijo em casa!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Faz tanto tempo que não posto meus sonhos, que já não lembro de quando sonhei, e me esqueci de alguns. Mas esta noite tive vários sonhos, que vale a pena registrar.

Sonhei que havia tirado carteira de motorista, e dirigia o carro de um amigo. Eu estava morrendo de medo.

Sonhei que eu entrava no orkut e no msn e não tinha mais ninguém, e me senti só.

Sonhei que um primo estava ficando com uma prima. Eca.

Sonhei que fui viajar com uma pessoa, para um lugar muito bonito, onde haviam vários rios. No meio da viagem, ele conheceu algumas pessoas e começou a sair com elas, e eu meio que acompanhava de longe. Muito estranho.

E acho que só... eu preciso criar o hábito de anotar meus sonhos assim que acordo. Antes, eu acordava e já ligava o notebook. Mas me mudei e tenho todo um processo até chegar até ele, agora...

Ah! Eu também sonhei que postava aqui alguma coisa na parte de Variedades dos outros, mas não consigo me lembrar o que! :(

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Muita coisa me confunde ultimamente. Meus sentimentos, os sentimentos dos outros. É errado procurar um relacionamento perfeito? Existe tempo certo para se fazer as coisas?

Eu me pego sempre no mesmo pensamento: "tá tudo acontecendo na hora errada", mas sempre com a resposta do meu amigo, que já comentei aqui: "talvez, você que não aceite o tempo".

Ouvi isso novamente ontem, e não sei se devo escutar. A minha mente, os meus amigos, a sociedade diz que não é a hora. Mas o meu coração diz "se joga, tenta ser feliz!". Mas eu não sei se isso vai me trazer felicidade, ou só mais aborrecimentos.

Da mesma forma que estou com um "dedo podre" na minha vida sentimental e as vezes magoo as pessoas sem saber, eu sinto que não posso ser magoada. Se eu for magoada não vou resistir. Estou fraca, precisando de cuidados. Riscos não são a melhor opção agora.

No final, o que fazer? Eu não sei, eu nunca sei.
Me sinto burra, incapaz de decidir minha vida.

Quero um emprego, quero voltar logo pra faculdade, quero minha vida de volta.
Mas será que isso é o melhor pra mim?

sábado, 17 de julho de 2010

Expelliarmus

O feitiço tão usado por Harry Potter - que inclusive garantiu sua vitória contra Voldemort - e que eu nunca havia entendido o poder, fez sentido para mim quando, em um dia em que meu estado físico e psicológico me levou às nuvens e me inspirou com metáforas de todos os tipos, ele me pareceu perfeito para descrever como eu me sentia.

Desarmada. Incapaz de lutar contra o inimigo. Passiva a qualquer ataque, sem poder revidar.

E neste momento a minha linha de raciocínio me levou a pensar sobre você e eu vi que você não queria - nem quer - me atacar. E a metáfora já não fazia mais sentido.

Sem escudos. Você arranca meus escudos à força, e já não consigo me proteger só.

E a metáfora inspiradora me trouxe um paradoxo: sem escudos, mas protegida. Pois não me defendo mais de você e dos sentimentos que nos unem, mas me sinto protegida em seus braços. Neles encontro a paz que é tão rara em minha vida, e descanso sem pensar em armas, escudos ou guerras, pois estou feliz.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Opinião: regras, liberdade e decisões

Ter uma família complicada é complicado. Quem não tem jogo de cintura se estressa fácil, e isso não leva a lugar algum. É preciso entender que regras fazem parte da vida, limites estabelecidos são medidores do respeito que temos por nossos pais, colegas, chefes e até pelo Estado, acima de qualquer filosofia boba sobre controle ou invasão de privacidade, que sempre ameaçam surgir quando somos limitados de alguma forma.

Hoje entendo os limites como ensinamentos, e especialmente como desafios. O racionamento de dinheiro nos ensina a separar o necessário do dispensável. Horários para sair, chegar, ou utilizar alguma coisa nos obrigam a saber administrar nosso tempo e a controlar nossa vontade excessiva de fazer certas coisas, ou de não fazer nada. Regras criadas com base em princípios moldam nosso caráter e nos dão noção para construírmos nossos próprios valores.

E tudo isso entra em jogo na hora de tomarmos decisões na vida. Podemos não seguir as regras e pagar o preço. Pordemos seguir e aprender na marra. Podemos administrá-las de forma que não prejudique ninguém. Falando como uma pessoa que seguiu regras estritas a vida quase toda: regras nos ensinam a buscar nossa liberdade e a valorizá-la.

Por isso acho um desperdício lutar contra algumas delas, e prefiro, como disse, encará-las como desafios. Não pode fumar? Pare de ficar se escondendo com o seu cigarro e vá diminuindo, que um dia você pára e não tem mais problemas. Ganha pouco/mal? Descubra o que tem que ser feito para ser valorizado (um curso, uma especialização) ou procure outro emprego, ao invés de resmungar a vida toda. Seu pai não te empresta o carro? Trabalhe para comprar um, ou ganhe a confiança do velho se comportando como ele quer. Mandam e controlam sua vida? Corra atrás da sua liberdade, fazendo o que tem que ser feito para conseguí-la.

Sim, tem muita gente que foi criado sem isso tudo e é muito feliz, obrigada. Mas não escolhemos nosso berço. E também há muitos dos que foram criados com pouca ou nenhuma regra que são uns bundões dependentes dos outros e que às vezes não chegam a lugar nenhum na vida, e aí eu pergunto: de que adiantou?

Se você está nessa situação, pare de bater com a cabeça na parede e vá estudar, passar num concurso para ter ao menos condições financeiras para se manter e tocar sua vida. E se você está no grupo dos bundões, saia da frente do pc e vá aproveitar melhor seu tempo também. Dê uma folga para a sua família, desacomode. Você foi privilegiado, aproveite isso para chegar mais longe, porque é possível, se você quiser.

[Escrito em 05/07/10]

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu não sei o que quero!

Nascida com uma linha do tempo já preenchida no futuro, fui ensinada a fazer planos para cada dia da minha vida. Quando fazer cada coisa, decidir o tempo certo para tudo acontecer.

Mas planejamentos dependem de escolhas, e as escolhas dependem das nossas vontades. E quando a gente não sabe o que quer?!

Acontece que eu não sei mesmo o que quero. Conversando com um amigo que planeja mudar de país, comentei que deve ser bom começar tudo do zero em um lugar onde você não conhece ninguém, e recebi como resposta um tapa na cara: "você quer começar tudo do zero a cada dois anos, Carol."

Sim. A cada exatos dois anos eu entro numa crise existencial, passa um furacão pela minha mente e pelo meu psicológico e eu não sei mais o que quero, meus planos mudam, eu quero mudar de cidade, de país, de amor, de faculdade, de curso, de vida!

Quero adrenalina, quero coisas novas! Mas o quê, exatamente?
Não faço a menor idéia.

Amor acontecido vs escolhido

Quando nos apaixonamos de repente, somos pegos de surpresa. Do nada, aquela pessoa que sempre esteve ali, ao seu lado, começa a chamar mais atenção do que o normal, e você se pega pensando nela, começa a tratar de forma diferente, sente o coração bater mais forte perto dela, cria expectativas para encontros e algo a mais.

Você não escolhe. Simplesmente acontece. E, sendo assim, você desde sempre teve a consciência da possibilidade de tudo o que você sente não dar em nada, não levar a lugar algum. Você sabe que pode sofrer, e dependendo do caso, até tem certeza. Você se prepara para o que vier, e decide se vai sofrer até a paixão acabar, calado, ou se vai "lutar pelo amor" do seu amado.

Quando a gente escolhe amar é diferente. Geralmente escolhemos uma pessoa que já gosta de nós, obviamente - não vamos fazer esforço para gostar de alguém que não está nem aí para o que sentimos! Aprendemos a valorizar o sentimento do outro e vamos nos entregando aos pouquinhos, cedendo aos elogios, aos agrados, e vamos devagar demonstrando o carinho que sentimos.

Pensamos e repensamos sobre o sentimento da outra pessoa, refletimos até que ponto vale a pena viver aquilo. Escolher amar alguém trás o medo de que, se nada der certo, a culpa é toda nossa, pois foi uma escolha. Não podemos presumir a sequência dos fatos, não temos responsabilidade pelo sentimento do outro e, assim, não temos nenhum controle da situação. Vivemos, e o futuro que se desenrole e mostre se estamos certos ou não.

Escolher gostar de alguém é uma grande responsabilidade para nós e para a outra pessoa. Uma responsabilidade de fazer tudo valer a pena, de conseguir provar para o mundo e para nós mesmos que o amor é possível. É uma decisão dura, que eu não sei se estou disposta a tomar.

[Escrito em 29/06/10]