quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Meu primeiro diário foi aos 7 anos de idade. 6 ou 7. Eu acabava de "me formar" na pré-escola, e ganhei de um tio um ursinho formando, pequenininho, com um chapéu de formatura e um diploma azuis. E um diário com um cadeado em formato de coração, rosa.

Eu sempre gostei de escrever, e apesar de reconhecer que a minha habilidade está longe de ser um dom, reconheço que me expresso relativamente bem dessa forma, às vezes acho que até melhor do que falando. Mas eu desenvolvi um pequeno problema por começar a escrever em diários tão cedo.

Não me recordo com detalhes, mas sei que eu tinha uma imaginação fértil quando criança. Eu brincava comigo mesma, criava cenários e situações em locais aparentemente simples e sem atrativos, inventava histórias para os lugares onde andava, e até tive uma amiga imaginária por um tempo.

Quando eu escrevia, levava o mundo imaginário comigo. "Estou de férias, e com saudade dos meus namorados", é uma frase do meu primeiro diário que nunca esquecerei. Obviamente não havia a menor possibilidade de eu ter namoradoS com aquela idade, eu sequer pensava nas diferenças entre meninos e meninas naquela época... mas no fantástico mundo de Carol, tudo era possível.

Vários diários fizeram parte da minha vida. Parei aos 16 anos, no ponto em que era necessário alguns cadernos de 10 matérias por ano para abrigar tanta imaginação. Uma vez, aos 13 anos, resolvi fazer um no computador. Documento de texto no Word com a data, sabe como é. E a minha imaginação me ajudou a me meter em uma enrascada...

Eu imaginei coisas que não devia, e meu pai, que me monitorava de perto (atitude nada agradável, mas não tiro a razão dele...), leu e não gostou nada daquilo. E o pior: pensou que o que eu tinha escrito era verdade. Ouvi muito de algumas pessoas, mas não aprendi a lição. Tive que dar algumas explicações durante a minha adolescência pelas coisas que escrevia.

Hoje eu não tenho mais um diário, mas ainda tenho um mundo imaginário - do qual não falo, pois pareceria pura insanidade - e descobri, essa semana, que a mania de criança ainda deixou vestígios, se aproveitando de uma pequena fraqueza: os meus sentimentos.

Quando começo a escrever sobre eles, vou para outro mundo. Viro uma pessoa neurótica, dramática, depressiva ou absurdamente alegre, dependendo da situação, em poucos segundos. Começo a escrever uma coisa aparentemente racional e prática e, quando vou ver... já escrevi um mundo de sentimentos, que dias depois que leio, não parecem realmente ser meus.

Da mesma forma que na adolescência, "viajar" na hora de escrever me trouxe alguns problemas recentes. Fico feliz de ter descoberto isso e não faço a menor idéia de como resolver esta situação. Talvez esteja na hora de deixar meu mundo imaginário... ou de parar de falar de sentimentos!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Quem me conhece sabe que eu babo com as decorações natalinas que vejo na rua, tradicionalmente como panetone no dia 01/12, e quando não morava com os meus pais, montava uma árvore, fazia ceia e enfeitava a casa toda. Fiz até um calendário de adventos para um namorado uma vez.

Eu gosto do natal comercial. Adoro o clima de felicidade o tempo todo, as pessoas se cumprimentando, sorrisos estampados no rosto.

Acontece que o ano vira, e a grande reunião da família ou dos amigos tem que esperar mais doze meses para acontecer novamente. Infelizmente, para muita gente, é só no fim do ano que toda a mágica acontece.

É por isso que este ano resolvi não participar de um amigo oculto de amigas que só vejo uma vez ao ano nem de ceias de natal para as quais fui convidada na véspera.

Para mim, quando a gente se importa, se importa o ano inteiro. Não dá para compensar a falta de contato com um presente de quarenta reais ou com uma atualização de vida que dura a noite da ceia inteira - afinal, foram 365 dias até ali, muita coisa aconteceu.

Hoje vão me achar desnaturada e vão falar mal de mim. A partir de amanhã, tudo volta ao seu lugar.

Feliz natal!

Israel - parte 3 - Jerusalém

A aproximação da cidade me fez despertar do meu sono embalado pelo movimento do ônibus. Há alguns quilômetros de Jerusalém, já era possível sentir a energia contagiante da cidade. Arrepiei.

A primeira parada na cidade foi entre a Hebrew University e a Hecht Synagogue, onde é possível ter uma vista privilegiada da cidade.

by CarolinaTorresdeCastro
by CarolinaTorresdeCastro













No início da Shehecheyanu, eu já estava chorando quase que compulsivamente. Eu e muita gente. É difícil explicar o sentimento, que começa com o arrepio dos pêlos do braço que vai até o coração, sendo impossível controlar as emoções. Além de todo o significado óbvio da cidade, eu estava realizando um sonho pessoal, ali.

by CarolinaTorresdeCastro

Partimos por um tour pela cidade velha. Há uma lei que exige que todos os prédios sejam feitos com essas pedras brancas. É tudo muito igual, e muito bonito. As ruas são estreitas e há varios becos. Acredito que seja impossível andar naquele lugar sem um bom GPS.

by CarolinaTorresdeCastroApós uma longa caminhada pela cidade, uma visita rápida a um mercado (onde finalmente encontrei o que queria: um camelo de pelúcia para a minha irmã), andamos mais um pouco entre os tijolinhos brancos e, ao chegar em um beco, o guia nos mandou fazer uma fila e fechar os olhos. Pediu que confiássemos nele e nos madrichim, que nos guiariam enquanto estivéssemos de olhos fechados. Enquanto andávamos devagar, ouvíamos um texto muito bonito sobre paraquedistas (postarei aqui depois o texto, se eu encontrar. vale a pena, mas não é o foco da postagem).

Paramos. O guia colocou uma música. Já estávamos impacientes com o climão que estava sendo criado, quando ele nos mandou abrir os olhos, e a intensidade do choro compulsivo aumentou e alcançou mais pessoas.

Na saída daquele beco cujo acesso suponho ser restrito a bons conhecedores da região, a vista mais bonita de toda a minha vida: Kotel, o Muro das Lamentações.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Kotel (Muro das Lamentações), Jerusalém

O que nos convenceu a engolir o choro e sair dali, após pelo menos 15 minutos de um silêncio quebrado apenas pelos soluços e sons de narizes sendo assoados foi que dali iríamos descer para efetivamente conhecer, chegar perto, tocar o muro.

O que senti foi inexplicável. Chorei muito, me fechei, vivi aquele momento sozinha com a minha espiritualidade. Como minha ficha só cai no quando estou no meu lugar de destino, durante as viagens, eu não havia levado um bilhete pronto para colocar no muro. O improviso do bilhete me fez esquecer seu conteúdo, mas sei que o realizar dos meus sonhos já está sendo planejado por D'us. Naquele momento um dos maiores já estava sendo realizado, e foi difícil pensar em algo para escrever.

Tivemos bastante tempo livre para aproveitar o Kotel. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. O local mais bonito que já vi, a energia das lamentações de gerações, o significado pessoal daquele lugar, tudo isso me conduziu a um estado de êxtase extraordinário.

Tendo terminado nosso tempo ali, fomos para o hotel Jerusalem Gold, onde pudemos descansar por algumas horas. Fomos levados pelo ônibus ao Kotel, onde aguardamos a chegada, e em seguida celebramos o Shabat.

Por motivos claros eu não tenho nenhuma foto do coral de soldados ou dos ortodoxos presentes no local. Foi lindo, mas passamos somente o tempo necessário lá. A caminhada (pelos mesmos motivos) na volta até o hotel durou quase duas horas.

Não me lembrava da última vez em que senti minha alma tão lavada quanto naquele dia. Dormi absolutamente em paz naquele Shabat.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mudança à frente

Depois de vários posts de rascunho com desabafos incompletos, cheguei à conclusão que eu só posso estar no meu inferno astral. Aquele mês anterior ao seu aniversário, quando tudo sai do eixo, sabe? É o que dizem. Não sei se acredito, mas é a única coisa que pode explicar as crises que estou tendo nas últimas semanas.

Mas com intervenção ou não dos astros, o fato é que as crises que passamos não podem ser definidas apenas pelo desconsolo, o choro fácil e pelas mudanças abruptas de humor que nos afetam.

Na superfície ou no lá no fundo da nossa mente, a crise trabalha nossos conceitos, atitudes e valores. O sentimento de inconformismo com a vida não é culpa dos problemas familiares, das pessoas complicadas com quem convivemos, do dia estressante, da desilusão com as pessoas ou de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Passamos por essas situações quase todos os dias sem nos descabelar.

Como o movimento das placas tectônicas no planeta, que na maioria das vezes é imperceptível, mas que vez ou outra gera um tsunami ou um terremoto, as crises existenciais são os desastres naturais da vida emocional que sugerem mudanças, um terremoto necessário para nos ajustarmos a nós mesmos.


E depois que passa (sim, passa!), é só olhar para trás e comparar quem era você antes da crise com quem você é hoje. Cada lágrima derramada e cada momento de confusão será muito bem justificado e explicado, você se sentirá muito bem consigo mesmo e com o mundo, e tudo dará certo... até a próxima crise.

Só desejo que elas não sejam constantes. E que não demorem até o meu próximo inferno astral!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Resoluções de...

Desde os dez anos de idade faço religiosamente minhas resoluções de ano-novo. Aliás, desde pequena gostava de fazer listas, e isso sempre me ajudou a organizar a minha vida, já que não é penoso para mim fazer um planejamento semanal de atividades ou traçar metas e objetivos com tempo determinado.

O fato é que de 2010 para 2011 eu não fiz resoluções de ano-novo. Eu estava meio avoada, querendo viver a vida, e ao avaliar meu péssimo desempenho no cumprimento da última lista que fiz, desanimei completamente.

O negócio é que quando a vida vai perdendo o controle e a gente percebe (porque tem muita gente que não percebe e quando cai na real não sabe mais quem é ou o que está fazendo =/), a gente trata logo de estabelecer metas para voltar com tudo ao normal.

Tenho que admitir que depois de quase um ano estagiando (pela primeira vez), enxerguei uma coisa que todos acham maravilhosa, mas que pode atrapalhar a vida: trabalhar 6 horas por dia. Isso me deixou preguiçosa! Ou isso, ou estou ficando velha. o.O

Quando entrei na faculdade eu morava há muitos kilômetros do meu trabalho. Acordava às 6h da manhã para chegar no trabalho às 8h, onde trabalhava quase nove horas por dia (44h semanais), com apenas uma hora de almoço. De lá, ia direto para a faculdade e, quando chegava em casa (depois das 23h), ainda ia arrumar a minha roupa do dia seguinte, as refeições, e dar atenção ao que tinha de ser dado na minha vida pessoal.

Quantas horas eu dormia? Sei lá. Poucas. Hoje, se durmo menos que 7h, bocejo o dia inteiro - isso se eu me permitir, pois geralmente tomo logo minha cápsula de 35mg de cafeína, que somada aos cafezinhos do dia me mantém acordada e ativa.

O meu ponto é: se eu conseguia naquela época, eu consigo hoje! Afinal, fazem apenas 3 anos que eu tinha essa vida "difícil", e não estou nada velha. Além disso, brevemente vou encarar um "emprego de verdade", onde 8h diárias é pouco para se trabalhar. Isso sem pensar na pós-graduação, e num futuro (beeeem futuro, que fique claro) com casamento e filhos!

Por isso, faço neste momento uma resolução de semana nova, que entra em vigor a partir de amanhã, e que é também a minha primeira resolução de ano-novo (pois em 2012 não fico sem de jeito nenhum!): vou aprender a dormir menos e aproveitar melhor meu tempo. Afinal, minha vida de estagiária acaba no final de janeiro, e cada segundo mal aproveitado a partir de lá poderá representar várias oportunidades perdidas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Diálogo

Diálogo é uma conversa entre pessoas, que podem concordar com o outro ou não, sobre diversos assuntos, acredito eu que com o objetivo de compreender o próximo ou compartilhar experiências, ampliando a visão de mundo de cada um.

Se há irritação e elevação de voz, não é um diálogo, é uma discussão.

Se ao invés de contra-argumentar racionalmente, a pessoa apela para sentimentos ou não aceita (aceitar é diferente de concordar) a opinião do outro, não é um diálogo, é uma tentativa de converter o outro.

E finalmente, se uma pessoa só fala e a outra não tem a oportunidade de se expor e "concorda" com tudo, não é um diálogo, é um monólogo.

Só é possível construir relacionamentos com diálogos. Se não há diálogo, é muito pouco provável haver um relacionamento firme e verdadeiro, e se há, está no nível da superficialidade. Tem muita gente que acha (erroneamente) que dialoga, por aí...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Destino

Tem coisas que só o destino faz, mesmo.

Na sala de espera para a prova oral, ela conta da festa maravilhosa do fim de semana passado para o colega. Chegando na parte da atração principal da festa, seu nome é chamado. Ao sair, anuncia que o colega é o próximo da lista e avisa que não o esperará, pois são 18h e ela tem um compromisso às 18:30.

Mas resolve sentar para retocar a maquiagem e caprichar no batom. Ela estava se achando bonita aquele dia, sentimento normalmente reservado apenas para os finais de semana, e queria manter aquela sensação de bem-estar.

O colega termina sua prova e eles seguem juntos até a parada de ônibus, devagar, jogando conversa fora (a história já tinha sido esquecida, naquele momento). Na parada, cada um segue o seu caminho.

Descendo do ônibus, ela segue para atravessar o semáforo que a conduz ao seu destino, que tinha acabado de fechar. Na travessia, ouve uma buzina, de uma moto que estava bem à frente. "Estou realmente bonita hoje", pensa. Mas a buzina se repete algumas vezes, e ela se vira para olhar.

Recebe um aceno de uma pessoa totalmente irreconhecível pelos equipamentos protetores. Percebendo o ponto de interrogação na cara dela, ele tira o capacete, e eis a atração principal da festa de sábado ali, na frente dela.

E se ela não tivesse resolvido retocar a maquiagem e esperar o amigo? E se ela tivesse resolvido atravessar fora do sinal? E se...? São muitas as possibilidades que poderiam ter causado o tão comum desencontro, mas o destino é inexplicável, e resolveu dar o ar de sua graça na vida daqueles dois seres humanos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Versinhos

Admiro a arte da poesia, mas admito que sou totalmente desprovida de talento nessa área. Mas vez ou outra, um versinho surge em um momento de inspiração e até que não sai algo tão ruim. Este foi um desabafo, escrito em 23/03/2009.

Minha filha, para quê tanta vanglória?
Só porque seu namorado ganha mais do que teu pai, agora?
A diferença, minha filha, escuta:
Eu, quando viajo, não gasto meu dinheiro com prostituta.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Passou


Um belo dia você lembra daquilo e fica se perguntando quando foi a última vez que aquele assunto ocupou sua mente.

E percebe já faz muito tempo que não incomoda.

Tenta se lembrar de fatos importantes e não consegue.

Acha que vai ser estranho, mas tudo acontece normalmente.

Aperta o coração, com medo de sentir aquela dorzinha.

E descobre que passou.