A aproximação da cidade me fez despertar do meu sono embalado pelo movimento do ônibus. Há alguns quilômetros de Jerusalém, já era possível sentir a energia contagiante da cidade. Arrepiei.
A primeira parada na cidade foi entre a Hebrew University e a Hecht Synagogue, onde é possível ter uma vista privilegiada da cidade.
Após uma longa caminhada pela cidade, uma visita rápida a um mercado (onde finalmente encontrei o que queria: um camelo de pelúcia para a minha irmã), andamos mais um pouco entre os tijolinhos brancos e, ao chegar em um beco, o guia nos mandou fazer uma fila e fechar os olhos. Pediu que confiássemos nele e nos madrichim, que nos guiariam enquanto estivéssemos de olhos fechados. Enquanto andávamos devagar, ouvíamos um texto muito bonito sobre paraquedistas (postarei aqui depois o texto, se eu encontrar. vale a pena, mas não é o foco da postagem).
O que nos convenceu a engolir o choro e sair dali, após pelo menos 15 minutos de um silêncio quebrado apenas pelos soluços e sons de narizes sendo assoados foi que dali iríamos descer para efetivamente conhecer, chegar perto, tocar o muro.
A primeira parada na cidade foi entre a Hebrew University e a Hecht Synagogue, onde é possível ter uma vista privilegiada da cidade.
No início da Shehecheyanu, eu já estava chorando quase que compulsivamente. Eu e muita gente. É difícil explicar o sentimento, que começa com o arrepio dos pêlos do braço que vai até o coração, sendo impossível controlar as emoções. Além de todo o significado óbvio da cidade, eu estava realizando um sonho pessoal, ali.
Partimos por um tour pela cidade velha. Há uma lei que exige que todos os prédios sejam feitos com essas pedras brancas. É tudo muito igual, e muito bonito. As ruas são estreitas e há varios becos. Acredito que seja impossível andar naquele lugar sem um bom GPS.
Paramos. O guia colocou uma música. Já estávamos impacientes com o climão que estava sendo criado, quando ele nos mandou abrir os olhos, e a intensidade do choro compulsivo aumentou e alcançou mais pessoas.
Na saída daquele beco cujo acesso suponho ser restrito a bons conhecedores da região, a vista mais bonita de toda a minha vida: Kotel, o Muro das Lamentações.
| Kotel (Muro das Lamentações), Jerusalém |
O que senti foi inexplicável. Chorei muito, me fechei, vivi aquele momento sozinha com a minha espiritualidade. Como minha ficha só cai no quando estou no meu lugar de destino, durante as viagens, eu não havia levado um bilhete pronto para colocar no muro. O improviso do bilhete me fez esquecer seu conteúdo, mas sei que o realizar dos meus sonhos já está sendo planejado por D'us. Naquele momento um dos maiores já estava sendo realizado, e foi difícil pensar em algo para escrever.
Tivemos bastante tempo livre para aproveitar o Kotel. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. O local mais bonito que já vi, a energia das lamentações de gerações, o significado pessoal daquele lugar, tudo isso me conduziu a um estado de êxtase extraordinário.
Tendo terminado nosso tempo ali, fomos para o hotel Jerusalem Gold, onde pudemos descansar por algumas horas. Fomos levados pelo ônibus ao Kotel, onde aguardamos a chegada, e em seguida celebramos o Shabat.
Por motivos claros eu não tenho nenhuma foto do coral de soldados ou dos ortodoxos presentes no local. Foi lindo, mas passamos somente o tempo necessário lá. A caminhada (pelos mesmos motivos) na volta até o hotel durou quase duas horas.
Não me lembrava da última vez em que senti minha alma tão lavada quanto naquele dia. Dormi absolutamente em paz naquele Shabat.

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