quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tic tac

Apesar de estar completamente habituada à contagem dos dias e das horas, tem sempre algum momento em que eu acho que o tempo passa mais rápido ou mais devagar. Sei que não sou a única, mas não acredito que haja uma explicação para essa sensação de relatividade do tempo.

No começo os dias passavam lentamente. Mas o último mês simplesmente voou. É quase inacreditável que já vai fazer três meses que estou em Nice, e é triste e assustador o tic tac do relógio contando meu tempo para ir embora.

A lista de coisas que eu fiz e aprendi e as histórias são tantas, que não tenho a menor intenção de publicar nesse blog. Esses três meses dariam fácil um enorme livro cheio de coisas interessantes. Mas não tem como não citar algumas coisas extremamente importantes que me aconteceram aqui, especialmente porque um dia eu vou reler tudo isso - esse também é um dos propósitos desse blog - e a minha memória vai ser reanimada pelas impressões e sentimentos que expresso aqui.

Em Nice eu aprendi a andar a pé, a me acostumar com o barulho das ambulâncias e entender que nem sempre os velhinhos podem ter a preferência (aqui tem tantos idosos que a lei da preferência não existe, pois eles tomariam conta de todos os lugares, hahaha). Descobri que eu acho cachorros fofíssimos, mas eu não suportaria ter um (cada um dos milhares idosos tem um cachorro, eles podem entrar no ônibus, nas lojas e até nos restaurantes, e a cidade é cheeeeia de pequenos cocôs nos cantos - argh).

Eu descobri muito sobre mim, aprendi muito sobre a vida, sobre como administrar meu dinheiro (quase falhei nesse quesito, mas até que não fui tão mal), sobre o que eu quero fazer com a minha vida e com a minha graduação - não tudo, mas já tenho algumas idéias.

Sofri tanto com a saudade do Brasil e sei que ainda vou sofrer demais, de saudade daqui. A três dias de partir eu fico numa confusão de sentimentos por querer e não querer voltar. Felizmente terei uma semana em Paris e em Londres (obrigado, pais maravilhosos!) para me acostumar com um ambiente diferente, sem realmente estar de volta. Então vou finalmente aprender como ter que dizer adeus, e mergulhar de cabeça na realidade, na minha vida, na minha Brasília - onde o futuro me espera com algo a menos para dizer eu te amo.


0 comentários: