quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quase (ou Primeira Vez)


Eles chegam à surdina, e de faróis desligados. São gentis, afinal, o medo ficou estampado no rosto daqueles dois jovens desde o momento em que os viram. Não podem fazer muita coisa, afinal, tem uma garota ali, e eles são dois homens. Fazem um enorme questionário à ela. Pegam ele para Cristo.

O garoto tenta, sem sucesso, fingir que ela é sua namorada. Ela também não consegue disfarçar direito. Foram muitas tentativas, de ambos os lados, para levar a situação para um outro cenário. Uma batalha intelectual na qual ganha quem mentir melhor.

- O senhor está mijado, senhor?

Estava. A vontade foi maior que o tempo para abrir completamente o zíper da calça. Ela começa a rir e o policial não se aguenta, também. Mas eles estavam lá para cumprir um dever, e o parceiro não se distraiu:

- Abra o carro. E a senhora, acompanhe.

Quando a cena termina, começa o terrorismo: histórias da carochinha sobre como mulheres são estupradas ali, no centro esportivo da cidade. Ameaças de chamar a mãe, para a coitada levantar uma da manhã e levar o RG da filha caminhante nortuna. Lições sobre como criminosos são também bandidos, e algumas mentirinhas sobre como é fácil ser preso naquela situação.

Mas não os prenderam. O casal finge acreditar nos policiais, e os policiais não acreditam em ninguém. Mas o aviso foi dado, "não voltem mais aqui". Porque eles sabem que nem todo criminoso é bandido. Polícia para quem precisa de polícia.

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