domingo, 26 de fevereiro de 2012

Viver de imagem é uma coisa que acontece no mundo todo, mas no Brasil, na minha opinião, a "coisa é mais feia". É hipócrita quem diz que não existe um padrão, mesmo que não comunicado abertamente, para se vestir, se comportar nos vários meios sociais, para conversar, para se expressar (até para o Facebook estão criando regrinhas, pode?).

Apesar de realmente achar isso babaquice, sei que isso não mudará tão cedo, e me preocupo com a minha imagem. Não é pelo fato de ser aceita em qualquer grupo, mas pelo medo do julgamento. Eu já menti, omiti, fingi muito pelo medo de ser julgada, especialmente no meio familiar, que para mim é o mais difícil de conquistar um espaço, pois todos são muito firmes em suas opiniões e valores, dos quais eu nem sempre compartilho.

Um fato que me marcou quando eu era bem nova, foi um dia de eleições em que todos se encontraram depois na casa da minha avó. Em meio às discussões de opiniões e revelações do voto, um primo simplesmente se recusava a contar em quem ele votou. Nunca esqueci desse dia, pois vi claramente - embora não tenha certeza - o medo do julgamento. Afinal, se ele compartilhasse das mesmas opiniões que todos, não havia porque esconder nada.

A questão é que esse grande medo de julgamento que eu sempre tive - e que felizmente, está diminuindo bastante - me trouxeram problemas para me aceitar. Apesar dos meus valores serem bem liberais e eu não ver problema em várias coisas (não vou citar nada, olha aí o medo de ser julgada!), sei que a maior parte do mundo não compartilha dos mesmos valores, o que em alguns momentos me levou a questionar se eu estava certa.

Mas não adianta: se você precisa esconder quem você é, tem algum problema de aceitação envolvido. Aprendi isso quando meus pais descobriram algo sobre mim que eu tinha muito medo de revelar a todos que não compartilhassem da mesma opinião. Após uma conversa onde ficou claro para mim que apesar de eles não aprovarem por motivos óbvios, o amor deles não mudaria em nada (e senti que lááááá no fundo eles podem compreender um pouquinho a situação), o muro que me separava deles caiu, e eu passei a me aceitar.

Apesar disso, não posso e nem preciso ficar levantando bandeira dos meus valores e opiniões. Não nasci para ser revolucionária, mas também não sinto mais a necessidade de mentir quando sou questionada diretamente. 

Eu acho que a imagem é algo importante. Não escondo que vivo da minha, e que eu mesma adoto padrões para os diversos grupos sociais que frequento. Frequentemente, por causa da minha postura, surpreendo as pessoas quando exponho as minhas opiniões, mas isso vai quebrando aos poucos os preconceitos, e realmente faz algumas pessoas refletirem sobre o julgamento pela imagem.

Vejo muita gente tímida e insegura pela dificuldade em se adaptar, e não quero mais isso para mim. Sei que o medo do julgamento não vai passar completamente até que eu não deva nada a ninguém (pois dependo da minha imagem para conseguir e manter um emprego, por exemplo), eu mude de opinião (é sempre possível, sou muito nova para estabelecer verdades absolutas na minha vida), ou eu esteja em um meio onde, realmente, nada disso importe. Até lá, a auto-aceitação vai me ajudando a viver mais feliz e menos preocupada.

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