segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pesadelo

Fazia tempo que não tinha um pesadelo com tanta riqueza de detalhes. O dito-cujo me apareceu na manhã de ressaca de sábado, quando após acordar para beber água, voltei a dormir o sono não dormido a noite.

Eu tinha viajado para Goiânia e ido a uma das últimas sessões de cinema em um shopping. Quando saí do cinema, senti vontade de ir ao banheiro mas o único aberto ficava no andar da garagem. Desci a escada rolante, fui ao banheiro, mas quando voltei, percebi que não havia escada rolante para subir de volta. Usei um daqueles telefones de informação e a pessoa me indicou um lugar no fundo da garagem, onde eu deveria apertar um botão no chão e esperar um elevador que apareceria.

Quando me abaixei para apertar o botão, dois homens vestidos com roupas estilo lanchonete de filme americano começaram a me chamar e falaram que ali não tinha elevador nenhum, para eu desistir de apertar o botão. Eu falei para eles que aquela tinha sido a informação que recebi e ignorei, e eles ficaram meio aturdidos, e tentaram me tirar de lá.

Neste momento meu amigo que estava me esperando em cima apareceu e disse que estava preocupado, pois eu estava demorando, e como o carro dele estava na garagem mesmo, ele resolveu vir me procurar. Fomos para o carro e os dois homens nos seguiram. Quando já estávamos saindo, vários carros ligaram os faróis e nos cercaram, e os homens falaram para seguirmos os carros.

Fomos levados a uma pizzaria, em uma quadra onde havia vários fast-foods. Eu estava com fome e nem me preocupei tanto com os carros que nos conduziram até lá, já que o local estava cheio. A pizzaria tinha um estacionamento grande. Uma grade dava acesso a uma área descoberta onde haviam várias mesas com guarda-sol, e desta área tinha-se acesso a parte interna, onde eram feitos os pedidos.

Entramos na pizzaria e a grade que dava para a área descoberta foi trancada. O lugar tinha um sistema de som, do qual veio uma voz que falou que todos que estavam ali iam morrer. Três homens com aquelas roupinhas de lanchonete começaram a jogar álcool no chão e nas pessoas, enquanto a voz do som falava que haveria um belo incêndio no lugar, naquele momento.

Entrei em desespero. Após nos assustar, a voz do som falou "já que esses são seus últimos momentos de vida, aproveitem a festa!" e colocou um dance. Neste momento saíram vários garçons distribuindo pizza e bebidas, e a maioria das pessoas parecia que nem estava se importando, e começaram a "se divertir". Eu fiquei em estado de choque com a atitude das pessoas, e sentei em um canto para observar. Enquanto isso, a cozinha da pizzaria começou a pegar fogo, e a intenção era que o fogo fosse aumentando aos poucos e chegasse até os outros lugares.

Uma mulher de mais ou menos 20 anos entrou em desespero e foi pular a grade que separava a pizzaria do estacionamento. Pulou, mas em volta do local tinham colocado vários cabos pretos, fazendo um círculo. Ela foi de encontro a esses cabos e, quando encostou, ficou tremendo durante alguns segundos e logo depois caiu no chão, morta eletrocutada. Eu comecei a chorar, pois nunca vi ninguém morto (muito menos morrendo) na minha frente, e percebi que o fogo já estava chegando ao balcão de pedido dentro da pizzaria.

Lá dentro tinha mais ou menos 30 pessoas. Meu amigo sumiu de perto de mim e um cara sentou do meu lado e ficou tentando me animar, falando "nós vamos morrer mesmo, vamos dançar, fica comigo!" e eu só conseguia ficar mais desesperada. Encontrei meu amigo e comecei a sacudi-lo e a gritar: "JL, eu não quero mais ver esse filme! A gente tá vendo um filme, não tá? Ou eu to sonhando? Eu não quero mais ver isso, JL, eu quero acordar!!!" E logo depois acordei, lembrando de todos os detalhes desse que foi um dos meus piores pesadelos do ano.