terça-feira, 31 de agosto de 2010

Reflexão

Apatia

Muitas coisas têm tomado proporções enormes na minha vida. Não entendo porque tudo tem que ser tão intenso e imediato, mas sei que não estou totalmente preparada para conviver com toda a situação, embora não tenha escolha.

Tentativas de afastamento não têm funcionado e eu não sei se acho isso bom ou ruim. É ruim e é bom ter as pessoas por perto, mas também pode ser bom tê-las longe, ou às vezes isso pode ser terrível.

Sei que não adianta falar que meus sentimentos diferem das minhas atitudes, afinal, quantas pessoas preferem ouvir a razão em detrimento dos sentimentos? Se ajuda de alguma forma, posso jurar que pensar sobre isso faz muito mais mal a mim mesma, pois ouvir o coração me agradaria muito mais.

E então chegamos à tão discutida questão do 10-10-10. E o que em 10 minutos me faz feliz, infelizmente não é o melhor para mim em 10 meses e 10 anos. Eu quero poder pensar nos 10 anos, sabe? E não consigo enxergá-lo da forma que querem.

Então escolho mergulhar numa apatia forçada, onde os meus sentimentos e o dos outros não me toquem e eu não sofra por nenhum deles, e apenas viva a minha rotina, como deveria ter sido desde sempre.


I wish I could really do this.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vou postar algo que estava nos rascunhos do meu e-mail desde o dia 29 de novembro de 2009. Hoje nem tudo faz tanto sentido, mas explicarei.

"Quer saber como me sinto a respeito das segundas-feiras?

Sinto como se tudo estivesse começando denovo. Como se fosse novamente meu primeiro dia de trabalho, meu primeiro dia na faculdade, meu primeiro dia de amizade com você...

E eu sinto medo.

Medo de que tudo tenha mudado de sexta pra cá, medo de que as pessoas tenham esquecido as coisas boas que aconteceram na semana anterior, medo de que tenha acontecido algo no fim de semana, que eu ignore, mas que mude totalmente o meu destino...

E eu me sinto totalmente insegura com tudo isso, como se os cinco dias que passei construindo algo sejam destruídos em dois míseros dias que saí da minha rotina."


Hoje o meu medo se refere mais especificamente ao fim de semana. Dois dias para sair com três ou quatro grupos, preocupações infinitas sobre se estou agradando a todos. Medo de que um furo ou uma saída separada de algumas pessoas mude o relacionamento por completo.

Mas segunda está aí para provar que as amizades não acabam por uma balada perdida, e que as preocupações vêm do ócio e da depressão-pós-fim-de-semana-quase-perfeito. ;)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Faculdade

Parece que foi ontem que entrei por aquele portão, passei pela catraca e pensei: "e agora?" Procurando alguém que eu conhecesse, fui para o auditório, onde haveria um palestra para os iniciantes antes das aulas. Me lembro com clareza sobre a palestra do dono do Super Maia, que também estudou onde eu estudo, sobre como a faculdade formou quase tudo o que ele é hoje, profissionalmente.

Na primeira semana as integrações e os grupinhos sempre começam. Eu nunca fui de grupinhos, acabei socializando com um aqui outro acolá. Na segunda semana, como se fôssemos peritos em relações interpessoais, fomos colocados contra a parede para uma candidatura, votação e escolha dos representantes de turma. Foi uma guerra para fazer três se levantarem, e de alguma forma fui eleita para vice. Não que isso signifique algo, vices nunca fazem muita coisa na escola e na faculdade, haha.

Mais rápido do que eu imaginava descobri que aquele era o curso perfeito para mim. Eu tinha tomado minha decisão baseada em opiniões de pessoas próximas que afirmavam que eu tinha um feeling administrativo, além de boas perspectivas de crescimento na empresa onde eu trabalhava na área operacional; poderia mudar para a área administrativa.

No meu segundo semestre fui reconhecida pela empresa mas descobri que auxiliares administrativos estão bem longe de serem administradores de fato, do ponto de vista hierárquico. O trabalho honroso do famoso POC3 (Planejar, Organizar, Coordenar, Controlar e Comandar) é das mais altas patentes empresariais! Mas pude colocar algumas coisas em prática e adquiri uma boa bagagem, a partir de observações de como funcionam certos setores da empresa, e comparando o que me estava sendo ensinado com a realidade (e acredite, é completamente diferente! - pelo menos lá).

De fevereiro de 2009 até hoje aprendi como a administração evoluiu da revolução industrial até os dias de hoje, a montar e compreender balanços patrimoniais e dre's, conceitos básicos de marketing, a utopia da "correta" gestão de pessoas e muitas outras coisas que formaram parte da minha bagagem teórica de Administração de Empresas.

Agora, no semestre que vai marcar a metade do meu curso, sinto o cerco se fechando. A partir de agora, só ficam os melhores. E esses melhores é que vão concorrer comigo (pois quero e serei uma das melhores) às mais cobiçadas vagas de emprego nas mais renomadas empresas. O momento de decidir uma ênfase, uma especialização está chegando e quem não souber qual o seu "quadrado" pode perder ótimas oportunidades.

Não se chega a um lugar satisfatório sem saber onde se quer chegar. E planejamento eu faço de sobra. Tenho visão de futuro. E agora o que eu quero é um emprego onde eu possa praticar o que já aprendi, aprender novas coisas e crescer. Não quero mais ser vista como "a menina de 19 anos que está no primeiro emprego", como eu fui vista antes. Quero e vou me mostrar competente e profissional, pois mesmo tendo pouca experiência, eu já tenho alguma e sei mais ou menos como as coisas funcionam dentro de uma empresa.

E que venham os próximos dois anos que me formarão uma verdadeira e ótima administradora!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Parque de diversões

Falei muito pouco de São Paulo aqui, mas pretendo falar direitinho sobre meu roteiro mais para frente. Hoje quero falar sobre a primeira vez que fui a um verdadeiro parque de diversões.

Em Brasília temos um parque de diversões dentro do Parque da Cidade, cujas atrações que dão mais adrenalina são duas montanhas russas, uma delas fazendo um loop. É legal, mas não é a coisa mais emocionante do mundo.

De vez em quando vêm alguns parques para cá. Quando eu era pequena e corajosa meu pai não me deixava ir, e agora eu tenho juízo e não confio em parques de diversão que podem ser montados em qualquer descampado.

Em São Paulo, por indicação e muita insistência de algumas pessoas, e também por vontade própria, claro, fui ao Hopi Hari. É MARAVILHOSO! É uma cidade a parte. Pessoas com fantasias andam pelo parque a todo momento. Tem uma parte chamada "Wild West" cuja arquitetura e todo o restante lembra o velho oeste dos Estados Unidos (pelo menos o que vemos nos filmes, hehe).

Um dos cenários do Wild West

Tem uma parte que lembra o antigo Egito, onde há múmias e templos. E fora a arquitetura e a cenografia do lugar, tem a melhor parte: os brinquedos!  

Essa postagem é para falar de um brinquedo específico: La Tour Eiffel. Com a base imitando a torre francesa, é um brinquedo com 69,5 metros de altura. As pessoas sentam em assentos que sobem cinco metros por segundo. Chegando lá em cima, temos dois segundos para apreciar a vista (que é linda!).

Uma das vistas do parque (não, não tirei essa foto da torre. foi da roda gigante :P)

Depois dos dois segundos, um "tec" e um balanço de leve no assento. E caímos a 94 km/h dos 69,5 metros. Eu já sonhei muito na minha vida que estava caindo, e a sensação de desespero é parecida. Mas as outras sensações não tem como explicar. É um misto de medo, desespero, realização, vontade de que acabe logo.

La Tour Eiffel, Hopi Hari

Fui três vezes para afirmar para mim e para todos que enfrentei meus medos, mas ao sair do brinquedo a terceira vez, com dor de cabeça, falei para mim mesma que valeu a experiência. Nunca mais vou num brinquedo desses na minha vida!

E me surpreendi com meu sonho de ontem (de domingo para segunda). Sonhei que estava no Beto Carrero e ia na torre de lá. Eu não posso fazer comparações, pois a torre do Hopi Hari já me traumatizou. Mas depois de ter sonhado que eu ia na do Beto Carrero e chegava lá embaixo em estado de choque (juro! eu não conseguia andar, e só me lembrava de estar lá em cima e da dor na barriga que foi descer), eu fui pesquisar.

A torre do Beto Carrero é chamada de Big Tower, e de acordo com o site (fiquei impressionada), é a maior torre do mundo. São 100 metros (no meu sonho, eram 120 - haha, menos pior!), e a velocidade da queda chega a 120 km/h.

Big Tower, Beto Carrero

Não sei se foi a cirurgia de retirada da minha vesícula que me traumatizou a parte abdominal do corpo, mas só de pensar não sinto frio na barriga não, sinto dor mesmo.

Meu sonho me assustou. Me apaixonei por parques de diversão e pretendo ir assim que juntar uma graninha ao Beto Carrero (que dizem, aliás, ser a Disney brasileira - se o Hopi Hari é uma cidade, lá é um país). Mas mesmo recuperada da cirurgia, não sei se terei coragem de descer de uma torre novamente - e 30 metros maior do que a que eu fui! Me chamem do que quiser. Trauma é trauma! Quando for ao Beto Carrero, digo aqui se tive coragem ou não.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pesadelo

Fazia tempo que não tinha um pesadelo com tanta riqueza de detalhes. O dito-cujo me apareceu na manhã de ressaca de sábado, quando após acordar para beber água, voltei a dormir o sono não dormido a noite.

Eu tinha viajado para Goiânia e ido a uma das últimas sessões de cinema em um shopping. Quando saí do cinema, senti vontade de ir ao banheiro mas o único aberto ficava no andar da garagem. Desci a escada rolante, fui ao banheiro, mas quando voltei, percebi que não havia escada rolante para subir de volta. Usei um daqueles telefones de informação e a pessoa me indicou um lugar no fundo da garagem, onde eu deveria apertar um botão no chão e esperar um elevador que apareceria.

Quando me abaixei para apertar o botão, dois homens vestidos com roupas estilo lanchonete de filme americano começaram a me chamar e falaram que ali não tinha elevador nenhum, para eu desistir de apertar o botão. Eu falei para eles que aquela tinha sido a informação que recebi e ignorei, e eles ficaram meio aturdidos, e tentaram me tirar de lá.

Neste momento meu amigo que estava me esperando em cima apareceu e disse que estava preocupado, pois eu estava demorando, e como o carro dele estava na garagem mesmo, ele resolveu vir me procurar. Fomos para o carro e os dois homens nos seguiram. Quando já estávamos saindo, vários carros ligaram os faróis e nos cercaram, e os homens falaram para seguirmos os carros.

Fomos levados a uma pizzaria, em uma quadra onde havia vários fast-foods. Eu estava com fome e nem me preocupei tanto com os carros que nos conduziram até lá, já que o local estava cheio. A pizzaria tinha um estacionamento grande. Uma grade dava acesso a uma área descoberta onde haviam várias mesas com guarda-sol, e desta área tinha-se acesso a parte interna, onde eram feitos os pedidos.

Entramos na pizzaria e a grade que dava para a área descoberta foi trancada. O lugar tinha um sistema de som, do qual veio uma voz que falou que todos que estavam ali iam morrer. Três homens com aquelas roupinhas de lanchonete começaram a jogar álcool no chão e nas pessoas, enquanto a voz do som falava que haveria um belo incêndio no lugar, naquele momento.

Entrei em desespero. Após nos assustar, a voz do som falou "já que esses são seus últimos momentos de vida, aproveitem a festa!" e colocou um dance. Neste momento saíram vários garçons distribuindo pizza e bebidas, e a maioria das pessoas parecia que nem estava se importando, e começaram a "se divertir". Eu fiquei em estado de choque com a atitude das pessoas, e sentei em um canto para observar. Enquanto isso, a cozinha da pizzaria começou a pegar fogo, e a intenção era que o fogo fosse aumentando aos poucos e chegasse até os outros lugares.

Uma mulher de mais ou menos 20 anos entrou em desespero e foi pular a grade que separava a pizzaria do estacionamento. Pulou, mas em volta do local tinham colocado vários cabos pretos, fazendo um círculo. Ela foi de encontro a esses cabos e, quando encostou, ficou tremendo durante alguns segundos e logo depois caiu no chão, morta eletrocutada. Eu comecei a chorar, pois nunca vi ninguém morto (muito menos morrendo) na minha frente, e percebi que o fogo já estava chegando ao balcão de pedido dentro da pizzaria.

Lá dentro tinha mais ou menos 30 pessoas. Meu amigo sumiu de perto de mim e um cara sentou do meu lado e ficou tentando me animar, falando "nós vamos morrer mesmo, vamos dançar, fica comigo!" e eu só conseguia ficar mais desesperada. Encontrei meu amigo e comecei a sacudi-lo e a gritar: "JL, eu não quero mais ver esse filme! A gente tá vendo um filme, não tá? Ou eu to sonhando? Eu não quero mais ver isso, JL, eu quero acordar!!!" E logo depois acordei, lembrando de todos os detalhes desse que foi um dos meus piores pesadelos do ano.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

“Laissez faire, laissez passer, lê monde va de lui même”

Embora eu no fundo, beeem lá no fundo realmente goste da dinâmica da minha vida, não consigo deixar de invejar um pouquinho as pessoas cujas vidas não têm dinâmica nenhuma. A vida delas é simplesmente sempre a mesma coisa! Semana: acorda-trabalho-almoço-faculdade-casa-dormir. Fim de semana: estudar-passear no shopping-almoçar com a família-igreja-descansar para começar a semana. Nada de novo. Nenhum amor, nenhuma catástrofe, nenhuma decisão gigantesca para tomar.

Eu sempre tenho que decidir alguma coisa. Sempre tenho um planejamento a fazer. Nenhuma semana da minha vida é igual a outra. E eu me pego pensando a dinâmica maluca da minha vida não é feita por mim. Não é uma coisa fácil de se admitir, mas eu acho que eu as vezes crio situações imaginárias que acabam se tornando reais e me colocam em xeque e não me deixam cair no comodismo. E isso nem sempre é bom.

Por que eu tenho que ser apaixonada por outra cidade, sem ser a minha, e só pensar em me mudar para lá? Por que eu não consigo não me envolver emocionalmente com ninguém, pelo menos por algum tempo? Por que dou tanto valor a minha vida social? Porque sou tão apegada aos meus amigos e desapegada da minha família? Por que eu estou sempre cheia de planos e planejamentos, e decisões para tomar?

Será que esta é a melhor forma de se viver a vida? Será que planejar nossos passos minunciosamente é realmente tão necessário assim, ou "deixar acontecer, deixar passar" é a melhor forma de se viver?

Eu sinto como se, se eu não planejar a minha vida, eu não vou ter tempo para fazer tudo que quero. Se não viver tudo intensamente, não viver a vida agora, não vou conseguir viver depois. E daí vem as paixões platônicas, as discussões de valores familiares, os sonhos e desejos que quero realizar e todas as outras coisas que ocupam a minha mente e não deixam minha vida parada.

Para complicar ou para resolver (ainda não pensei direito sobre isso), me aparecem com a frase de John Lennon "A vida é aquilo que acontece enquanto planejamos nosso futuro."

Acho que no fim, a conclusão é a mesma de sempre: dosagem certa. Nada de extremismos. Planejar e viver, ao mesmo tempo. Mas acho que até eu me convencer disso, ainda vou invejar quem apenas vive.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Amigos

Eles são de todos os tipos e na nossa vida, cada um tem a sua função.

Tem aqueles que já são quase irmãos, que te enchem o saco mas te amam incondicionalmente e estão sempre do seu lado.

Há os que só te alugam, podem passar três horas falando com você enquanto você só responde "um-hum" e "entendo", e dizem no final da conversa que demos a ele uma grande idéia ou conselho.

E os que te ouvem eternamente, mas não falam nada.

Todos temos aqueles amigos de bons momentos, com os quais até fazer nada se torna especial.

E aqueles que não compartilham muito a vida pessoal - sua e dele -, mas são ótimas companhias para diversão.

Temos sempre algum amigo cuja intenção - nossa, dele, ou de ambos - é algo a mais, mas a amizade também é boa.

E aquele "mais especial", o melhor amigo, que costuma ser a junção de todos os tipos de amigo: ele te ouve, fala, fica do seu lado embora implique com você, divide momentos especiais ao seu lado, é a melhor companhia na balada e de vez em quando te dá uns pegas.


E essa postagem é para dizer o quanto eu valorizo cada um de vocês, amigos, e seus papéis na minha vida. Espero ser para vocês tão importante e especial como vocês são para mim!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Anestesia geral

Sonhos lúcidos a cada cinco minutos.
Sinto vontade de falar mas não consigo.
Ou quero só pensar, mas falo.

Sede. Ressaca. 24 horas sem comida e sem bebida, acordo sem um órgão e não posso tomar um gole de água.

Tento virar de lado, sinto meus órgãos escorregando dentro de mim.
Tento me virar para o outro, a mesma sensação.
Meus glúteos, quentes pelo contato com o lençol, agora doem.

O soro na veia corrói o espírito, o psicológico, ao ponto de atingir o físico. A agonia de ter algo espetado no meio do seu braço por um dia inteiro é indescritível. Não dá para dobrar o braço. Depois de um tempo, a mão começa a inchar e fica fraca.

Vontade de ir ao banheiro. O soro não mata a sede, mas hidrata. Dor. Agonia. Tudo gira. Tento descobrir se é mais um sonho ou se realmente preciso me levantar tentando flexionar o mínimo possível os músculos abdominais para não sentir dor, carregar um cabideiro gigante cuja ponta está em uma veia minha - e ainda subir a camisola, abaixar a roupa de baixo, pegar papel higiênico e dar descarga. Dar descarga precisa de força. Não consigo.

Ter os amigos por perto neste momento traz uma sensação de carinho tão grande quanto a dor das risadas que eles provocam. Sorrir dói.

Comer dói. Se mexer dói. Ficar parada dói. Tentar achar uma posição que doa menos dói mais ainda.

A melhor opção é se entregar à tal da anestesia geral que insiste em não ir embora e continuar fazendo efeito, e dormir. Dormir causa sonhos lúcidos que confundem, mas não dói. Acordar achando que mora em São Paulo e teve um pesadelo, confundir a realidade com o sonho e não ter certeza de onde você está ou o que está fazendo ali.

Na procura por respostas, abro o olho e tento me mexer. Dor.

Nas poucas horas de pseudo-lucidez o que toma conta é o enjôo. Doses cavalares de Plazil não adiantam, a anestesia geral é mais forte que tudo. Vomito o remédio.

Algum tempo depois - minutos? horas? dias? onde estou, mesmo? - a vontade de vomitar volta. Sem alimento, sem bebida e sem remédio diluído no soro, não há o que colocar para fora. Contrações. Decidi neste momento que nunca serei mãe biológica. Contrações de vômito acontecem na região abdominal, exatamente a área que deveria ficar intacta no meu corpo. Mais dores. O quarto girava enquanto ficava escuro e meus curativos, vermelhos.

A dor se mistura à anestesia geral e desmaio. Não sei por quanto tempo. Acordo querendo que este pesadelo acabe, mas as horas se arrastam enquanto meus devaneios não param.

A noite chega com o sono de um dia de tormento. A enfermeira entra com a medicação, mais anestesia? Não sei, mas durmo como um anjo até acordar no dia seguinte com alguns incômodos, mas sóbria e sem ressaca. Ela deveria ter me dado aquilo desde o momento em que acordei depois da cirurgia, teria evitado tanto sofrimento. Tiram a agonia da minha veia. O alívio é tão grande que me esqueço dos curativos abdominais - que logo são lembrados após uma pequena tosse.

Estou livre para voltar para casa, onde a cama e o travesseiro se ajustam ao meu corpo, ninguém me enfia nada pelo sangue a cada 40 minutos e não há mais tantos resquícios da anestesia geral que tanto me incomodaram, mas que fizeram desta uma das maiores experiências da minha vida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

São Paulo da garoa

Aquele frio de 13 graus!

Amo sua arquitetura, seus prédios antigos, caindo aos pedaços.

Em minhas velhas novas madrugadas silenciosas lembro de sua vivacidade, das suas luzes sempre acesas e das pessoas que nunca dormem por aí.

Pela manhã, sinto falta do friozinho mesmo com o sol. Da multidão na Santa Ifigênia, das igrejas que entrei ou não, do Parque da Luz...

Quero para mim esta cidade que nunca dorme. Quero fazer parte do grupo de insones pela sua madrugada mesmo às terças-feiras. Quero comer pastel todos os domingos no Mercado Municipal.


São Paulo da garoa, ganhastes meu coração e ganharás minha presença daqui alguns anos. Hei de habitar uma de suas belas - mesmo que imundas - ruas, um prédio de mais de cem anos do centro, ao lado do metrô.

Me aguarde, São Paulo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sonhos

Várias vezes começo uma postagem com um sonho, e por ele ser bobo ou por algum outro motivo, não posto. Aqui vai uma postagem, então, com todos os últimos sonhos que tive e me lembro, de uma vez. Sem desculpas. :)
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Esta noite sonhei que eu e minha irmã estudávamos no Colégio Militar .
Como eu saí de casa há três anos e voltei agora, tive que desenterrar meu uniforme de um armário que nunca era aberto. Ele servia (só no sonho, pois cresci, engordei e ganhei corpo na vida real).

Estávamos atrasadas, e já na saída descobri que eu não tinha o cinto do uniforme. Tirei toda a roupa e fiz birra dizendo que não iria para o colégio, porque levaria um FO (Folha de Ocorrência) por estar sem cinto.
Acordei rindo. Meus sonhos estão cada vez mais impossíveis. Minha irmã com 8 anos, eu com 19... no mesmo colégio, ainda!
Acho que é porque neste fim de semana encontrei todas as minhas amigas do CMB, ele tem me voltado à mente desta forma...
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Sonhei que eu fazia uma gelatina meio vermelha, meio cor-de-rosa em uma piscina. Enquanto a água com a gelatina esquentava, eu ia provando.
Em um certo momento meu primo F. virou para o meu irmão e falou "ela já comeu três piscinas de gelatina!"
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Eu estava viajando para algum lugar onde tinha mar. Estava em um jatinho que deveria seguir um avião de grande porte, mas por a pista ser curta ele não estava conseguindo decolar.
O piloto do jatinho, meu colega R., se estressou, decolou com o jatinho e começou a fazer manobras no ar mostrando que pilotava melhor que o cara do avião.

Ela é ciumenta. Ama suas coisas e não as divide. Prefere ter o seu a ter que compartilhar com os outros.

Ela é possessiva. Suas amizades são escolhidas a dedo. Seus amigos são divididos em grupos que nunca se encontram. Ela é uma pessoa diferente em cada um desses grupos. Vida tripla, eu diria. Três máscaras, uma original. Quatro grupos.

Ela não gosta de dividir nem os amigos. Acha que cada um tem que ter o seu. Não pode simplesmente inserir alguém em um de seus grupos - prefere criar um novo com aquela pessoa.

Isso reflete uma grande fraqueza. Medo. Instabilidade. E ausência de auto-confiança, pois seu medo se baseia em perder a posição de controle que possui em cada grupo por misturá-los. Não ser a mais importante. Não estar no centro.

Mas o tempo para vida social dela não permite que ela separe assim tão bem os grupos e aproveite da mesma forma com todos. Ela arrisca misturar. Enfrenta o medo. E a confirmação de um novo laço, que ela não previra e que não tem explicação a atinge como um soco no estômago.

O que ela mais odeia acontece. E ela não vai deixar acontecer denovo. Ela não divide seus grupos a toa. Ela tem medo que seu lado sombrio de cada máscara apareça nessa junção. Ela não vai arriscar novamente perder o que conquistou, ainda mais dessa forma.

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Ela precisa mudar seus conceitos. Crescer, amadurecer. Adquirir a tal da auto-confiança e tirar as máscaras. Porque com essas atitudes, quatro grupos podem cair para nenhum, e ela não vai aguentar ficar sozinha. Ela deve pensar nisso...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Solidão feminina, solidão contente

Li este texto há alguns dias no Clube dos Pentelhos, um blog que sigo e gosto muito. Achei bonito um homem ter escrito isso, e outro (o do blog) ter postado. Uma mulher falando tudo isso seria taxada de feminista. Não quero isso para mim, mas preciso confessar que concordo em partes. Não concordo é com a generalização, com os rótulos "homens são x, mulheres são y e ponto". Há excessões. Vale a reflexão. Absorvam o que valer a pena.

"Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo , ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil."

Ivan Martins

(Tenho que ressussitar esse meu lado feminino.)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Otimismo, sempre

Comemoro, neste momento, a quarta postagem seguida do meu blog sem conteúdo depressivo, melodramático ou com as minhas confusões do dia-a-dia.

É incrível como os momentos da nossa vida afetam nossa disposição para quase tudo. Para sair, ver gente, os programas que fazemos e, no caso de nós que temos blogs, o que escrevemos.

Mas não adianta escrever sobre nossos problemas, se isso só os alimenta. Percebi que este mês quase não postei nesse blog. O que eu estava fazendo esse tempo todo? É simples... quanto mais eu postava, mais eu sofria. Quando parei de ficar na internet olhando orkuts, emails antigos e sofrendo, e fui viver minha vida lá fora, ver meus amigos, me divertir... tudo passou!

Passou, não. Mentira. Mas está passando. Às vezes é bom a gente se distanciar dessa vida virtual e ver um pouquinho a luz do dia. Eu descobri pessoas que gostam de mim. Conheci pessoas divertidas. Aproveitei minhas duas últimas semanas de férias e fui feliz como não tinha sido desde que meu relacionamento minhas aulas acabaram.

Agora minhas aulas de francês voltaram, segunda-feira começo o quarto semestre de administração (sim, no final do ano completo metade do meu curso!), quinta-feira que vem vou para São Paulo e vou deixar todos os meus problemas naquela cidade. Vou esquecer de tudo, vou aproveitar os quatro dias que vou passar lá.

De volta à minha cidade, faço minha cirurgia de pedra na vesícula em um dia que três anos atrás, e para o resto da minha vida vai significar algo para mim: 11 de agosto. Vou resolver minha maior pendência e não vou sofrer como eu sofreria se estivesse consciente neste dia.

Depois, é só ir ajeitando aos pouquinhos a vida. Durante a recuperação vou ver quem realmente se importa comigo. Depois dela, vou procurar um emprego e cuidar de mim e das minhas amizades - que tem sido tão importantes nesse momento!

E manter o otimismo, sempre. A vida se acerta um dia. Pensamentos negativos só atraem situações negativas, e eu não quero isso para mim. E podem puxar minha orelha se eu começar a ficar deprê demais aqui. Me mandem ouvir Belle and Sebastian a tarde toda, ir comer horrores com os amigos numa sexta-feira (né PV?) e olhar para o futuro que eu vou construir. Ele é promissor.

Gabriela

Ela não é mais uma jovem, mas ainda há nela traços de beleza. É uma mulher que se cuida. Perua sem ser espalhafatosa, apenas se veste muito bem. Nunca se casou, por opção, pois teve oportunidades. Sim, mais de uma.

É uma pessoa "alto astral". Está sempre sorrindo, sempre que pode faz suas brincadeiras. É madura, auto-suficiente, e tem orgulho de suas experiências e de ser quem é.

Tanto orgulho que se mostra irredutível mesmo com as personalidades mais conservadoras. Perto de uma pessoa tímida ela tem as mesmas atitudes, chegando a constranger o pobre coitado. Com alguém mais jovem, ela compartilha suas experiências como se tivessem a validade de uma Teoria da Relatividade, não aceitando outras formas de agir. Está sempre certa. Sempre dizendo: "eu sou assim mesmo, não liga não. Daqui uns dias você aprende a conviver comigo."

Meu pai chamava isso de síndrome de Gabriela. Do ilustre Dorival Caymmi, Modinha para Gabriela. "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabriela!"

Pessoas que tem orgulho de ser quem são, e que não estão dispostas a mudar. O orgulho pelas nossas experiências é uma virtude, nos traz auto-estima. Mas não adianta ficar olhando só para o umbigo. Nossas experiências e nossa personalidade sempre tem algo a acrescentar... em determinadas situações. Em algumas mais, em outras menos.

Uma pessoa bela, com uma personalidade até certo ponto muito bonita e inspiradora... Mas a auto-valorização deve ter seus limites. A modéstia tem que existir. Pois para mim, a falta de respeito com os outros e a supervalorização do "eu" estraga qualquer beldade.