quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gabriela

Ela não é mais uma jovem, mas ainda há nela traços de beleza. É uma mulher que se cuida. Perua sem ser espalhafatosa, apenas se veste muito bem. Nunca se casou, por opção, pois teve oportunidades. Sim, mais de uma.

É uma pessoa "alto astral". Está sempre sorrindo, sempre que pode faz suas brincadeiras. É madura, auto-suficiente, e tem orgulho de suas experiências e de ser quem é.

Tanto orgulho que se mostra irredutível mesmo com as personalidades mais conservadoras. Perto de uma pessoa tímida ela tem as mesmas atitudes, chegando a constranger o pobre coitado. Com alguém mais jovem, ela compartilha suas experiências como se tivessem a validade de uma Teoria da Relatividade, não aceitando outras formas de agir. Está sempre certa. Sempre dizendo: "eu sou assim mesmo, não liga não. Daqui uns dias você aprende a conviver comigo."

Meu pai chamava isso de síndrome de Gabriela. Do ilustre Dorival Caymmi, Modinha para Gabriela. "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabriela!"

Pessoas que tem orgulho de ser quem são, e que não estão dispostas a mudar. O orgulho pelas nossas experiências é uma virtude, nos traz auto-estima. Mas não adianta ficar olhando só para o umbigo. Nossas experiências e nossa personalidade sempre tem algo a acrescentar... em determinadas situações. Em algumas mais, em outras menos.

Uma pessoa bela, com uma personalidade até certo ponto muito bonita e inspiradora... Mas a auto-valorização deve ter seus limites. A modéstia tem que existir. Pois para mim, a falta de respeito com os outros e a supervalorização do "eu" estraga qualquer beldade.

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