quarta-feira, 9 de julho de 2014

A minha cera

Somos repletos de sonhos e intenções que nos levam a fazer as coisas mais loucas para satisfazê-los. Quando outra pessoa entra na onda, muitas vezes não enxergamos o óbvio. Inventamos uma história torta, baseada na idealização, e não nos fatos. Criamos um relacionamento com rosto lindo, sorriso encantador, jeitinhos de falar e de fazer tudo, mas sem conteúdo.

A vida é um eterno romper de limites. Em tudo que aprendemos, desde a infância ao tentar aprontar e sermos repreendidos, cada medo enfrentado e cada sucesso representa um limite rompido. Nas relações sociais não é diferente, e para mim o amor mostrou-se o maior desbravador do coração, pois ele rompe diversos limites do nosso ser.


Mas se tem algo com um limite curto, isto é a atuação. Quanto mais longe se leva uma situação ou um relacionamento inventado, mais pequenos incêndios em forma de mentiras, traições, brigas, possessividade aparecem para serem controlados, rompendo os limites da autoestima, do respeito e tantos outros, até tudo pegar fogo e virar cinzas.

Acho que é hora de um distanciamento, de dar um tempo dessa história de pirar meu cabeção.

sábado, 29 de março de 2014

Não se sabe bem porquê, mas dizer "não" para uma comida que não gostamos tanto, para ficar mais dez minutos, para aquela cachaça do gol, e para muitos favores não é nada fácil. Acabamos cedendo a muitos convites acalorados, aos sorrisos sem fim, àquela pressãozinha social.

Talvez sejam nesses momentos que são produzidas as melhores e piores desculpas esfarrapadas.

Dizer que não queremos alguém não foge da regra. Geralmente as pessoas não chegam e dizem simplesmente: não quero (mais). Às vezes até dizem, mas a outra pessoa não acredita, não aceita e leva a situação adiante. É aí que a pessoa começa a dizer de outras formas que não quer.

Aí, e quando a pessoa ainda não sabe bem o que quer, quando ainda está lutanto contra algo dentro de si. Quase sempre é involuntário.

Mas a atenção muda. O carinho muda. Espera-se mais do que se está disposto a oferecer. As conversas são indiferentes, muitas vezes mecânicas. O cansaço - de tudo - impera. Quando se está bravo, as palavras e ações são para atacar o outro, e não para resolver a situação.

E todas essas atitudes combinadas vão acabando com o relacionamento, que precisa do exato oposto para existir. Mas é só quando o respeito acaba que a gente percebe. Às vezes ainda lutamos contra o sentimento, dizendo que a agressão física, que a agressão verbal, que a traição é resultado de tantos outros problemas. Mas de onde vieram tantos outros problemas?

Até quando é possível ficar com o que não se quer, vendo tudo dar errado, pelo medo de dizer "não"?

domingo, 13 de outubro de 2013


Hoje em dia nem o peru morre de véspera, mas de vez em quando a gente morre bonito. São tantos sonhos, planos, expectativas para acomodar, que na hora do planejamento acaba batendo a ansiedade no momento dos prós e contras de cada situação.

Planejar é importante justamente para reduzir as possibilidades de erro, o que significa que muitas vezes aquela grande ideia pode ser ruim e tenhamos que mudar de planos.

Em algum momento indefinível e particular de nossa existência aprendemos isso, porém independente desta consciência sempre vai doer dizer um não, nunca mais ou até logo...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Coincidências e sonhos

No lugar onde trabalho ser multitarefa não é um diferencial, e sim uma necessidade. Com clientes na mesa, à sua volta ("licença um minutinho, é só uma informação"), colegas tirando dúvidas, telefone que não para o tempo todo, não dá para fazer uma coisa de cada vez.

Por isso já estou acostumada a conversar com os clientes enquanto faço anotações, preencho fichas e assino documentos, e tudo sempre dá bem certo. Mas semana passada fui datar três folhas cujos documentos conferi com o original, um atras do outro, e escrevi a data (3/10/13) corretamente. Ao passar para o segundo documento escrevi 3/8/10 e segui para o terceiro que também escrevi corretamente.

Ao conferir o procedimento notei a falha, e logo risquei e substituí pela data certa, porém a outra data não me saiu da cabeça: 8/10, esse ano uma terça-feira. Não que eu seja muito supersticiosa, mas algumas situações são estranhas demais para não notar.

Para melhorar a situação, na noite de ontem para hoje (o grande dia misterioso) tive vários sonhos estranhos. Talvez por influência de algo que vi ou dos florais que comecei a tomar, tive diversos sonhos variados sobre acidentes de carro. Confesso que o tema já estava em minha mente nas últimas semanas, pois ouvi algumas histórias, mas em nenhum dia cheguei a sonhar com isso.

Foi muito ruim. E parecia que lá no fundo eu sabia que estava sonhando, e ao final de cada história eu pensava como na terça dia 8 eu não deveria pegar no carro, talvez até avisar meus pais para tomarem cuidado, e outras coisas insanas do tipo.

O dia chegou e eu tratei de afugentar os sonhos da mente logo cedo, pois tinha muitas coisas para resolver com o carro. Consigo ser uma mestre da ignorância seletiva quando preciso focar em alguma coisa. Obviamente pedi a Deus antes de sair de casa que me protegesse, assim como a minha família e todos os amigos. E prestei atenção dobrada.

Acaba-se o dia e nada de diferente aconteceu, que eu tenha reparado. Que bom. É engraçado como algumas coincidências inexplicáveis mexem com a nossa mente e influenciam nossas atitudes. Gosto de saber que os sonhos ruins na maioria das vezes não se realizam. Às vezes eles só existem para nos deixar mais alertas nessa vida...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Picuinha

Já fui de ficar brava e demonstrar, fazer ceninha - mentira, cena grande mesmo - em lugar público, felizmente não durante muito tempo em minha vida. Mas algo que eu nunca fiz foi colocar pessoas no meio que nada tinham a ver com a minha falta de controle emocional nesses complicados momentos.

Hoje em dia costumo dizer que não compro nem as minhas próprias brigas, afinal evito ao máximo qualquer tipo de conflito no trabalho, em casa, com amigos, desconhecidos ou qualquer pessoa que cruze o meu caminho. Certamente tenho um nível de paciência que se esgota eventualmente em situações fora do comum, mas evito fofocas e intrigas de todos os tipos.

O fato é que uma cliente esperta - só que não - que estava em processo de separação e estava na minha frente com seu ex marido, resolveu fazer algo muito errado. Eela foi esperta o suficiente para conseguir boa parte do que queria, mas sua besteira não demorou muito a ser descoberta.

Achando que tinha poderes divinos para criar uma situação, ao ser questionada alegou que eu a induzi a cometer o crime. E o ex marido acreditou e foi tirar satisfação no meu trabalho. Eu somente ri quando fui indagada sobre a situação, mas apesar de não ser uma coisa muito inteligente a se fazer, ele queria registrar também o meu nome no boletim de ocorrência que teria que fazer contra sua ex mulher para resolver a situação.

Acredito que a pergunta foi um double check, pois minha postura ética não é questionável ao meu ponto de vista, afinal de contas eu nunca falaria o que a pessoa disse que eu falei, em nenhuma situação, e muitas pessoas concordariam comigo. Enfim.

É verdade que tem gente que está passando por essa vida só para fazer confusão na vida dos outros? De graça?

Ou será que as pessoas se diverte com isso? O "tombo" alheio compensa? A pessoa é bem mal resolvida?

Independente do motivo, esse tipo de atitude na minha opinião é muita falta do que fazer com a própria vida, e certa falta de amor próprio. Há coisas interessantíssimas para se fazer. No caso que contei haverá consequências jurídicas, que felizmente não chegarão à mim.

Não invente picuinhas na vida dos outros. É chato e faz mal.

sábado, 25 de maio de 2013

Essa noite eu sonhei que estava em um parque de diversões. Eu não sei "o que eu tenho" com parques de diversões, mas sinto uma felicidade inigualável quando estou em um, e vez ou outra sonho com eles. Essa noite eu estava no Hopi Hari com a minha irmã, e estávamos muito felizes pois ela já tinha altura suficiente para ir em quase todos os brinquedos. =)

Acho que nunca escrevi aqui sobre a minha viagem para os Estados Unidos com minha família em 2011, mas fui em alguns poucos parques por lá. Chorei quando cheguei nos portões da Disney. Esses parques são uma das maravilhas da criação do homem.

Eu na Disney em 2011, foto tirada pela minha irmã de 9 anos *.*

Não tenho dúvidas de que ainda não superei não poder ir nos brinquedos na última vez que fui ao Hopi Hari, no início desse mês; pois tenho tido sonhos recorrentes com parques de diversões. E muitas vezes eu chego a pensar que a brincadeira agora é diferente. O que não tem nada a ver, pois cada um tem sua fonte preferida de adrenalina em todas as idades. Ano que vem eu chegarei cedo no parque para aproveitar como gente pequena, e só depois como gente grande.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um passo de cada vez e a gente acaba se entediando de algumas coisas na vida. Os planos, sonhos, aspirações, esperanças e por fim o interesse perdem-se no caminho do desenvolvimento de um emprego, de uma meta difícil demais, de um curso, uma etapa, um relacionamento.

Não questiono muito as dificuldades, mas às vezes a jornada em direção ao objetivo é tão longa que em vários momentos a gente olha o caminho percorrido, o caminho a percorrer e pondera seriamente sobre continuar ou desistir.

Depende do objetivo, ou se a jornada é justamente para descobrir o que tem do lado de lá. Em poucos casos, ir devagar pode ser ainda mais estimulante e agradável...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Crise

Anda Carolina, escreva. Faz bem. Te alivia. Tem tanta coisa para falar! Você pode escrever sobre aquele amigo que começa a namorar e some, sobre o amor ao trabalho, sobre o emprego velho e novo, sobre como um monte de coisas não são justas nesse mundo, sobre um tantão de coisas bonitas nesse mundo.

Só larga dessa preguiça de escrever. Que te faz bem escrever um pouco. Que faz mal guardar algumas coisas dentro da cabeça, que nas inconsistências você às vezes enxerga uma luz.


Eu sempre gostei de escrever. Mas de vez em quando fico emburrada com minhas próprias ideias e dou um tempo. Ainda dá tempo de incluir uma resolução de ano-novo na lista, né? Que eu escreva mais no meu blog esse ano. Não importa se faz ou não sentido, se alguém desconhecido ou muito próximo lê e encontra o que queria ou não.

É uma besteira essa crise virtual de ter ou não um blog. É que hoje eu respondi uma pesquisa sobre minha utilização da internet e meu conhecimento sobre a captura de informações pessoais online e outras coisas do gênero. Respondi que sei tô sabendo, e não tô nem aí.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dezembro

Eu não sei qual o nome do sentimento negativo que insiste em ficar lá no fundo do meu peito nessa época do ano, mas ele bate ponto em dezembro. Pode ser meu inferno astral, também, o fato de eu ficar mais sensível nessa época e tudo mais.

Mas à medida que o mês vai passando, vou me enchendo do blablabla natalino de paz, amor, fraternidade e presentes. Vamos combinar, a maioria das pessoas está mais feliz por causa do décimo terceiro salário, não por causa das luzes de Natal e das decorações pela cidade. Na minha casa mesmo, não pode ter decoração natalina porque não contempla o verdadeiro sentido da data, mas os presentes são bem-vindos. Vai entender.

Não estou generalizando e sei que pareço arrogante, mas como engolir comemorações sobre a diretoria ter liberado a equipe de trabalhar na véspera de Natal, ao mesmo tempo em que se pede à empregada doméstica para trabalhar nesse dia? Como justificar ausências de quase um ano à luz de aproximações bondosas no último mês dele? Por que durante o ano a presença nos eventos não é tão essencial assim, mas no Natal ela é exigível?

Dezembro é o mês da hipocrisia. Essa hipocrisia aumentada nesse mês não está no padrão que eu costumo relevar. Pois sim, relevo muita hipocrisia à minha volta em nome da paz coletiva, mas em dezembro é tão difícil conter o mal humor perto de pais que louvam atitudes detestáveis de seus filhos, de parentes e amigos sumidos que resolvem aparecer, de lembrancinhas sem sentido que recebo ou sou obrigada a dar.

Não vejo a hora desse mês e ano terminarem, para as esperanças na humanidade serem renovadas junto com as resoluções de ano-novo. Pois na virada do ano as pessoas geralmente são mais sinceras com todos e consigo mesmas, especialmente na hora de definir as novas metas particulares. Que nesse momento as pessoas deixem a hipocrisia de lado e olhem para o que realmente tem importância, não porque uma data comercial as obriga, mas pelo desejo verdadeiro de ser alguém melhor para si e para o mundo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Nesse mundo mais ninguém diz o que quer. É tudo muito bem pensado, articulado, ajustado à situação. Ou fortemente influenciado por ela. Filosofar sobre as muitas intenções do ser humano ao se expressar é um convite à loucura, mais ainda quando se pára para pensar sobre suas próprias intenções, mais ainda ao escrever.

...

sábado, 3 de novembro de 2012

Rendeu um post

É engraçado como podemos passar horas conversando com algumas pessoas. E como há pessoas com quem não conversamos mais que alguns minutos ocasionalmente, mas cujos diálogos são profundos e nos fazem pensar. Minhas conversas mais profundas quase sempre rendem um post.

Infelizmente a comunicação está banalizada, e com frequência sou taxada de anti-social ou de metida e ainda de chata, por não corresponder a certas expectativas de contato com as pessoas com quem convivo. Mas para mim, a comunicação precisa fazer sentido e acrescentar valor às duas partes.

Acrescentar valor numa conversa pode acontecer de várias formas, desde o aumento do conhecimento, com o compartilhamento de experiências, ou um ponto de vista diferenciado que gera reflexão, ou ainda mesmo o entretenimento e diversão gerados pelo papo.

Acontece que a Carolina não se atrai nem se prende nem se importa com conversa fiada, amenidades, puxação de papo que já indica que não dá em lugar nenhum. A comunicação tem que ir além da conversa, tem que gerar conhecimento, unir as almas. Se não for assim, prefiro me limitar à convivência e me dedicar mais à introspecção que a interação.

É lógico que essa atitude separa e limita muito as pessoas com quem converso. E fortalece ainda mais a minha imagem de metida, séria que não conversa com ninguém. Nenhuma explicação vai mudar a forma com que certas pessoas me enxergam, é claro.

Mas da mesma forma que não dá para ter uma comunicação agregadora com todos, também não dá para ficar perdendo tempo com conversas que não levam a lugar nenhum, em certos momentos da vida não posso me dar a a esse luxo. Obviamente tenho amigos com quem converso mais sobre futilidades, me divirto e tudo mais.

Talvez um dia eu mude e tenha menos preguiça de me relacionar com as pessoas além do meu círculo seleto de amizades. Por hora, há uma barreira invisível que limita alguns relacionamentos mais profundos - só quem vence essa barreira sabe que do lado de lá tem um mundo além de conversas que rendem um post.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intercâmbio

Existem muitas definições por aí. Textos com tentativas de definições, na verdade, que contam como funciona cada programa, o quanto se aprende o idioma em pouco tempo, como é possível conhecer diversos locais e pessoas, enfim, dão um geral sobre os aspectos tangíveis ou mensuráveis sobre essa experiência.

Meu primeiro intercâmbio foi aos 14 anos e eu, que sonhava e pesquisava sobre isso desde bastante tempo antes, achava que sabia o que me esperava do outro lado do mundo por causa de tudo que li a respeito na internet. A experiência foi ótima mas não foi das melhores, e em meu segundo intercâmbio, aos 21, eu entendi a importância da combinação do programa com o perfil da pessoa, e que o aprendizado na verdade é muito maior do que o divulgado por aí.

O que buscamos ao fazer intercâmbio, além do óbvio aprendizado do idioma, é o contato com a cultura do país, a possibilidade de conhecer pessoas novas e cidades completamente diferentes, além dos pontos turísticos e lugares "dos sonhos", presentes em tantos filmes assistidos, fotos e vídeos frenquentemente vistos na internet e na televisão.


Acontece que o contato com o novo, a exposição ao diferente - a vários diferentes - faz a pessoa querer se comparar, e para isso ela olha "de fora" para si mesma. Esse é o primeiro passo para o autoconhecimento, o conhecimento mais desenvolvido e mais causador de mudanças em um intercâmbio.

A exposição a situações nunca antes vivenciadas, a necessidade de socializar com pessoas completamente diferentes e totalmente desconhecidas, a curiosidade sobre as diferenças, a responsabilidade de lidar com um dinheiro diferente (a um câmbio muitas vezes nada amigável), e de suprir suas próprias necessidades - todas elas, de afeto às compras mensais - faz a pessoa refletir sobre si mesma.

A solidão traz a reflexão sobre as atitudes pessoais e coletivas, sobre a vida só e em sociedade. As diferenças ressaltam o que há de melhor e pior em cada país e cultura, aumentando a compreensão e adaptabilidade e mudando valores, muitas vezes fazendo a pessoa valorizar mais seu país e sua família e repensar sobre suas atitudes.

Não posso dizer que são tudo flores, os atrativos do exterior também causam decepções com o Brasil. Dá vontade de ficar lá, apesar da saudade. Mas também dá vontade de voltar e contribuir para que as coisas sejam diferentes. A visão ampliada do eu também traz a consciência do primeiro que deve mudar antes de ser agente de mudança.

Ao inevitavelmente voltar ao Brasil, fazemos questão de valorizar o avanço do idioma no período fora, as amizades multiculturais conquistadas e os conhecimentos gerais aprendidos. As pessoas ao nosso redor valorizam silenciosamente - ou às vezes fazem questão de comentar sobre - nossa força de vontade potencializada, a tolerância, compreensão e bons hábitos desenvolvidos e uma série de outras qualidades que desenvolvemos sem perceber, enquanto achávamos que aprendíamos sobre o outro, enquanto na verdade nos conhecíamos lá fora.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Israel - quinto marcante dia

Eu demoro, mas continuo e termino quase tudo que começo. A motivação para voltar a escrever sobre Israel veio de um amigo, que pediu que eu escrevesse sobre a experiência, e do intercâmbio na França, para o seu blog. Demorei tanto para começar uma e terminar outra (esta série de postagens sobre minha viagem), que meu amigo resolveu ir conhecer Israel com seus próprios olhos. hahahaha

Ele se inscreveu no mesmo programa que participei, e foi selecionado. Cabalística é a data da viagem: 2 de janeiro, meu aniversário. Tenho certeza que ele vai escrever para o próprio blog sobre a experiência, por isso vou continuar a série aqui e escrever sobre a França para ele.

Cemitério Har Herzl

Meu quinto dia em Israel foi um dos mais marcantes, e um dos que mais aprendi. Acordamos cedo, como de costume, tomamos café, fizemos o check-out e fomos para o Har Herzl, ou Monte Herzl, um cemitério no lado oeste de Jerusalém.

O nome do cemitério é uma homenagem a Theodor Herzl, o fundador do moderno Sionismo político, visionário do Estado de Israel, que está enterrado lá.


Túmulo de Theodor Herzl


Algumas áreas do cemitério são militares, com um memorial aos soldados que lutaram em defesa de Israel.

Em Har Herzl também estão enterrados líderes sionistas, alguns presidentes e três primeiros-ministros israelenses, entre eles Yitzhak Rabin, cuja história conhecemos alguns dias depois, em Tel-Aviv.



Shawarma. Foto da internet.
Do cemitério fomos para o mercado ao ar livre Manaché Yehuda almoçar. Lá comi pela primeira vez shawarma, um prato árabe, que é um churrasco de cordeiro (neste lugar, mas já vi com outras carnes) assado num espeto vertical. Fatias mais finas do que as do churrasco que estamos acostumados são tiradas, e o restante fica assando, no espeto. Foto da internet.

O churrasco é servido na pita, que é o pão sírio, usado para alimentação com as mãos no país. A salada que eu não peguei, era tomate e pepino - para variar, tinha isso até no café da manhã em todos os lugares, e tinha outras coisas que até hoje não sei o que eram também, além do molho delicioso tahine, que eu amo de paixão e hummus. Desculpas a quem lê, mas não dá para explicar o que é cada ingrediente. Mas estava delicioso. E foi servido com batatas fritas.


A tarde estava reservada para o Yad Vashem, que só dá para definir o que é com a Wikipedia: "Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto". Sem dúvidas um dos lugares mais ricos fantásticos onde fui na minha vida. Começando pela vista, que aproveitei para registrar, já que dentro do museu isso não seria possível.

Eu, contemplando a vista do Yad Vashem
Sem dúvida o local é o maior memorial do Holocausto do mundo. O museu é moderno, com vários recursos audiovisuais de qualidade. Recebemos um aparelho tipo walkie-talkie que nos ligava a guia do grupo, que contava muitas histórias e dava explicações durante a visita.

No museu há desde objetos pessoais de vítimas do holocausto a testemunhos dos sobreviventes, tudo em ordem cronológica, o que facilita o entendimento e o sentimento. É difícil explicar o que se sente naquele lugar.

Ao final, há a Sala dos Nomes, memorial aos 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto. Na internet tem algumas fotos, é lindo. Lá também tem computadores que acessam o maior banco de dados de vítimas do Holocausto, também disponível no site da organização. Vale a pena ler mais sobre o local, é um trabalho  memorial muito bonito.




Do lado de fora do museu há o Jardim dos Justos Entre as Nações. Sabemos que certos não-judeus se arriscaram para salvar os judeus durante a guerra. Esses casos foram analisados e mais de 22 mil pessoas receberam um certificado e uma medalha em reconhecimento e agradecimento pelos seus feitos, tendo seus nomes registrados no jardim.



Vagão de um trem usado na guerra, Yad Vashem


Além disso, há vários objetos artísticos e relacionados ao Holocausto fora do museu, como um vagão de trem que foi usado para levar os judeus a um campo de concentração.

O Yad Vashem é um tesouro que eu espero que dure eternamente. Vale a pena ler mais sobre isso, para quem se interessa no tema Holocausto.



No final do dia estávamos tristes com o que vimos no museu. Felizmente, o hotel para onde fomos era ótimo (o  melhor da viagem, devo dizer), com um grande jardim e uma piscina, e recuperamos as energias. À noite, fomos a uma balada na rua Ben Yehuda, que apesar da música diferente (não era nem em hebraico, era pop antigo) foi bem legal. A noite terminou bem, sem exageros, pois 7h da manhã teríamos que acordar para continuar a viagem: era dia de conhecer Tel Aviv.

Tem sido muito bom rever tudo que aprendi no intercâmbio, ao escrever essas postagens. Creio que em breve terminarei meu pós-diário de viagem. :)

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu vejo muitas pessoas reclamando diariamente por não serem ouvidas, por passarem frequentemente por situações desagradáveis ou que poderiam melhorar e "ninguém faz nada". Mas eu também vejo muitas propostas de mudança mal elaboradas, focadas num só ponto de vista.

Vejo negligência e individualismo em muitas "preocupações" sociais, as eleições no Brasil são um bom exemplo, dá até preguiça de comentar. Mas nada me incomoda mais do que a fuga das responsabilidades, que eu não sei se é condição de boa parte dos brasileiros ou dos seres humanos, pois a quantificação me ocorreu somente agora. Sei que faço parte dessa turma, até certo nível.

As pessoas querem ter "voz", poder de decisão, mas não querem assumir as responsabilidade pelas consequências das mesmas. Acham absurdo terem chefes no pé, mas sem acompanhamento não realizam metade do que é esperado de suas funções. Esperam milhares de ações do governo, mas não frequentam as reuniões que (poucos deles) fazem com a população, ou pelo menos tenta fazer, só que ninguém aparece.

Por outro lado, pessoas de influência, poder e dinheiro (se é que não é errado colocar assim, já que geralmente um está diretamente ligado ao outro), que poderiam fazer alguma diferença, para o bem, muitas vezes cruzam os braços por estarem muito confortáveis onde estão, obrigada. Ou estão muito ocupadas com questões particulares, e o todo é apenas consequência em suas vidas - egocentrismo total.

Fuga das responsabilidades e comodismo se assemelham muito no meu pensamento sobre esse assunto. Porque por outro lado, para muitos é fácil aceitar o sistema e sua ordem, deixar que tomem as decisões por eles nos assuntos em que deveriam se preocupar mas não se envolvem o suficiente. Afinal de contas, se der errado, a culpa não é deles, eles só seguiram o que foi proposto.

Se por um lado eu já me revoltei muito interiormente - com algumas consequências externas - por não ter voz, hoje eu vejo que se eu tivesse tido mais liberdade em certas situações da minha vida, eu teria tomado algumas decisões erradas, muito mais do que as que tomei ouvindo conselhos anteriormente.

O Colégio Militar me ensinou (mas eu só aprendi bem mais tarde) que a ordem é necessária. A gestão participativa é muito bonita no papel, mas eu não acredito em liderança 100% democrática. A necessidade e a existência de uma liderança já pressupõe a incapacidade dos indivíduos de organizarem e dividirem responsabilidades mutuamente e em acordo.

Refletindo sobre tudo isso eu entendi a justificativa para uma atitude que tenho, que o zodíaco atribui ao meu signo, mas que talvez seja apenas resultado de tudo o que vivi e que formou quem eu sou e como vejo o mundo hoje. Eu tenho tendência a ser centralizadora em situações de grande interesse para mim. Cheguei à pessimista conclusão de que não é possível obter a cooperação equilibrada em um grupo onde há motivações em níveis diferentes. Provavelmente alguém já descobriu e escreveu sobre isso muito antes, mas agora que vivencio e tomo consciência do fato.

Assim, quando a minha motivação é muito maior, e a liderança democrática não funciona, é mais fácil eu pegar o trabalho para fazer sozinha. O problema é que quando o resultado não é satisfatório, a culpa é minha - afinal, os outros concordaram e fizeram o que foi mandado, ou eu assumi a responsabilidade total em algum momento. Isso dificulta o trabalho em grupo e tem sido tema de reflexão em minha mente com frequência nos últimos tempos.

Tudo isso tem me dado uma preguiça de discutir, de comentar, de escrever nesse blog! Sei que o sistema corrompe e me vejo como mais uma a ser levada por ele na corrente do conformismo. O que é ruim para a minha prática da escrita, pois o que me inspira na maior parte das vezes é alguma revolta interior, pessoal ou provocada pela empatia, qualidade que tento preservar e que falta nessa sociedade tão preocupada com seus próprios problemas.

Para não mergulhar na inércia a alternativa é o autoconhecimento e a mudança pessoal. Assim eu espero bem menos do outro, e acredito que a mudança e as consequências positivas sejam maiores ou mais relevantes do que no caos organizado que são os vários grupos sociais dos quais faço parte, diretivos ou participativos (mas nunca em pleno consenso da eficácia da autoridade ou da liderança), pois depende apenas de mim - ninguém é hipócrita consigo mesmo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Change ahead

É tão legal quando as mudanças na nossa vida tem data para começar. Diferentemente das mudanças emocionais que muitas vezes oscilam sem capacidade de previsão, as decisões que tomamos, como por exemplo os projetos que começamos, são o marco de maiores ou múltiplas mudanças, de certa forma previsíveis e passíveis de mensuração.

As decisões que tomei para o segundo semestre de 2012 é que vão determinar que horas vou ter que acordar todos os dias, quantas vezes farei exercícios físicos, quantos finais de semana ficarei em casa. Estou usando o método da Suzy Welch em 10-10-10: A Life Transforming Idea, um livro que li há quase dois anos do qual deveria me lembrar com mais frequência.

A idéia é simples: antes de tomar uma decisão, analise as consequências das suas opções em 10 minutos, 10 meses e 10 anos. Assim, você decide o caminho cujos resultados condizem com os seus valores e expectativas. É um método que todas as vezes que usei, me ajudou a tomar decisões mais eficientemente.

A nova rotina tem muitos livros, pouco salto alto, acha que dormir 8h por dia é um luxo e várias outras particularidades. John C. Maxwell diz que "as pessoas bem-sucedidas tomam as melhores decisões primeiro, e depois as administram no dia-a-dia", ao que nesse momento eu só posso dizer AMÉM.