sábado, 16 de junho de 2012

Israel: Jerusalém - dia 2

Já fez um ano que parti para os dez dias mais intensos da minha vida, como gosto de definir. E muito tempo desde que parei de registrá-los. Vou aproveitar esta tarde chuvosa para gastar minhas calorias indoor, escrevendo. Clique na foto para ampliar.

by CarolinaTorresdeCastro 2011

A manhã de sábado passou enquanto eu dormia profundamente. A parte da manhã era "family time", um momento para os participantes com família em Israel receberem seus parentes no lobby do hotel. Depois, almoçamos e fizemos uma atividade que não me lembro qual era, e partimos caminhando - afinal, era shabat - pela cidade, para conhecer outros locais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Construção em Jerusalém - raridade, por onde andei


Andando pela cidade quase deserta, passamos por uma construção, que eu tive que tirar foto, afinal, tudo em Jerusalém parece - e a maioria é - extremamente velho. 

Passamos por alguns ministérios, pela Suprema Corte, pelo Knesset (parlamento) e outros prédios governamentais.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Placa da faixa de pedestres







Finalmente consegui tirar uma foto da placa "de chapéu". É a placa da faixa de pedestres em Israel, na maioria o homem já não usa chapéu, mas com sorte ainda encontramos algumas clássicas.





Chegamos ao Museu de Israel, com sua bela arquitetura. Na entrada, ainda de fora, há uma maquete de 2.000 m2 de Jerusalém na época do Segundo Templo, inclusive com uma réplica do Templo de Herodes. É incrível a quantidade de detalhes da obra.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Museu de Israel, Jerusalém
by CarolinaTorresdeCastro 2011
 Maquete Jerusalém aprox. 66 d.C.
by CarolinaTorresdeCastro
Maquete Jerusalém, Museu de Israel, 2011
by CarolinaTorresdeCastro 2011
Maquete Templo de Herodes

No interior do museu, ficam manuscritos antiquíssimos encontrados perto do Mar Morto, e artefatos encontrados em Massada. Fiquei impressionada com os papiros, que vi pela primeira vez e não pude registrar por causa da política do museu, que é bem gelado, meio escuro e tem proteções em volta de todas as obras.

Saindo do museu, no Jardim da Arte, a escultura de Robert Indiana: Ahava (אהבה, amor em hebraico), feita em 1977 em aço patinável (cor-ten steel). Eu acho essa escultura linda. Até fiz um coraçãozinho com a mão para o meu namorado da época, com o qual terminei um mês depois. A experiência e a foto ficaram, ainda bem.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Ahava (אהבה, amor em hebraico): escultura do americano Robert Indiana
Jerusalém também é cheia de morros e colinas. O Museu de Israel é em cima de uma, o que dá uma vista legal para quem subiu até lá. Perfeito para uma foto.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Jerusalém, Mai/2011
O dia começou light e terminou pesado, com uma atividade triste sobre o holocausto. Era uma preparação para o dia seguinte, onde visitamos o Yad Vashem, o Museu do Holocausto. Depois percebi que aquele dia foi uma espécie de descanso da alma, preparando para o que veríamos no nosso quinto dia no país.

De saias

Por algum motivo que eu fiquei com preguiça de pesquisar no Google, nós, seres humanos, sentimos a necessidade de reconhecimento. Cada um pelo que bem entender. Por muito do que já vi disso, não existe um padrão de atividades para a descarga desta necessidade.

A melhor coisa, na verdade, é quando você não sente falta, e é reconhecido. Um elogio inesperado, um comentário diferente do padrão, mostrando que a pessoa está realmente ali, uma comparação. Ah, as comparações!

Mesmo que a comparação seja em apenas um aspecto, ela é frágil, pois sempre corremos o riso do outro não compreender. Apelidar o corte diferente e bonito do cabelo do amigo de cabelinho do Neymar pode deixar a pessoa puta, se ele não simpatizar nem um pouco com a personalidade do fulano.


Mas comparações do tipo "seu estilo de escrever/pintar/whatever lembra [fulano famoso da área dele]", "você canta como [célebre cantor, músico]", enfim, são tão bem aceitas! E quando a pessoa que te reconhece é alguém que você admira?

Claro que reconhecimentos são sempre muito bem-vindos em todos os momentos, mas pelos próximos meses minha avidez por ele já foi totalmente descartada.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Terceira Lei de Newton

A lição do dia foi simples: "o que vai, volta". Isso falou comigo de diversas formas nessa segunda-feira produtiva. Acho que essa é uma das leis básicas da vida na terra. Deveria ser ensinada exaustivamente às crianças, cuja maior noção de ação-reação que recebem é quando fazem alguma travessura e são castigados. A parte empírica está lá, mas onde se encontra a teoria?

Vez ou outra precisamos dizer em voz alta, a nós mesmos (com sorte, somente aos outros): toda ação tem uma consequência. Colhe-se o que se planta. Não dá para chegar em um lugar diferente seguindo o mesmo caminho. Quantos ditados e clichês são necessários para colocar isso na mente das pessoas?

Esses dias vi no facebook: "aquele que não luta para ter o futuro que quer deve aceitar o futuro que vier". Eu não sei se concordo, pois acredito que nunca seja tarde demais para mudarmos de atitude e fazermos a diferença para melhor em algum aspecto da nossa existência. Mas não é porque finalmente acordei para a vida e virei uma pessoa sábia e iluminada que eu deixarei de sofrer as consequências de tudo que eu fiz nos últimos anos. Da mesma forma, o que eu colherei nos anos seguintes será a consequência do que eu plantar - as minhas ações - durante esse ano.

Para mim, isso quase sempre foi muito lógico - hiperbólico assim. Ainda assim, às vezes eu tento passar dos limites esperando não sentir as consequências, e de vez em quando dá certo. Mas cada um tem as suas dificuldades, não é? Para alguns seres comuns, e alguns sortudos que se beneficiaram da impunidade numa vida mimada, a maior delas é não saber que o futuro é o resultado, a consequência, a reação (chame como quiser), do que você fez no passado... e hoje. Sem agouros ou ameaças. É a lei do Newton e da vida.


(Sei que o que escrevi não tem nada a ver com física, nem sei se a minha tentativa de ilustrar meu pensamento é correta - provavelmente não 100%, mas para mim fez sentido. Então nem vem. :)

segunda-feira, 4 de junho de 2012


E o tempo passa rápido, mas não o suficiente para que ela esqueça de contá-lo. Estudo, leitura, jogging, mais estudo, mais leitura, vida social x3. O cansaço vem junto com o fim do dia, a cama é o lugar das reflexões finais da jornada, ela abre uma brechinha para o coração... e ele vem com o mesmo assunto de todas as vezes.

Coisa ruim é assunto mal acabado, ele volta no primeiro momento de descuido, cria vida, tamanho, aponta o dedo na sua cara e diz: me resolve!

Coisa ruim é distância mal tomada, aquelas sem explicação, num dia você está tomando uma cerveja com a pessoa, se no outro você não puder brindar, já não é mais digno das notícias da semana.

É por isso que ela quer que o tempo passe rápido. Para que a distância inexplicável seja diminuida com o milagre do calendário gregoriano: levar com ele, a cada dia, um pedacinho dos nossos assuntos mal acabados. E que quando ela esquecer e lembrar novamente de contar o tempo, seja ela quem cresça e aponte o dedo para o coração e diga: resolvido! (E continue assim!)

Preguiçoso domingo

O céu azul claro cheio de disformes nuvens parecidas com algodão. O clima está bom tanto para ficar em casa, quanto na rua. O sol está forte, mas deitado na grama, embaixo de uma árvore, encontraria a harmonia perfeita com o ambiente.

Após doze horas dormindo, o que resta a pessoa que acorda é querer voltar a dormir. A preguiça toma conta. O clima está bom para ficar na minha cama, coberto com um lençol. Assistir uma coisa qualquer na televisão, ou um seriado ou um filme no computador, que pode fazer companhia na cama.

O que é esta coisa de estar junto que faz com que vez ou outra esses momentos não tenham a mesma graça sozinhos? Que faz com que domingos preguiçosos combinem com um ombro a sustentar a cabeça, sonecas intercaladas entre filmes antigos, e refeições exóticas preparadas para dois em uma cozinha industrial?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

The Diary of Anne Frank

Estou fazendo uma interminável arrumação do meu quarto, aquelas em que separamos o que jogar fora, encontramos coisas do outros que deveríamos ter devolvido há anos, cartas antigas, cacarecos inúteis que juntamos, enfim... na bagunça encontrei uma redação que fiz no meu último semestre do curso de inglês, em 19.08.2006, uma revisão de um livro. Adoro encontrar provas antigas em que tirei a nota máxima, como é o caso. Triste é encontrar redações e ver que eu escrevia melhor do que hoje. Mas vou deixar isso de lado e postá-la aqui.


The Diary of Anne Frank was written by Anne Frank during the Second World War. It is a true story about a Jewish girl that had to live hidden for two years, because the Nazi police had sent a call up notice for her father and sister to go to a concentration camp. The book talks about her life when in the Annex, where she was hidden, and it is really interesting because she is a teenager growing up with all of the doubts that a teenager had, but aggravated, because she doesn't go out, and her reality is totally different from ours.

It is, obviously, a diary book. So, it contains parts that seem really confidential. And this is nice, specially when you are a teenager, because there you read things that you used to write in your own diary, things that you expect nobody to read. Anne did some modifications because the German government had said that they would make a collection of letter and diaries after the war to publish.

When I first read the book, I wasn't a teenager yet. I was just a child who thought all of those wars and books about wars were exaggerated, and it seemed unreal for me. Now, when I read it I do as if it is a school book that teaches people how to live in peace by showing the consequences of not doing it. And it is useful, because you become so shocked that you just can't imagine all of those things happening again.

In my opinion, The Diary of Anne Frank is a very special book, not just because it is a diary, or because it talks about the Second World War. It is a special book because Anne is true, sincere, and she is not afraid of telling what she feels in any situation. And it tells us about the changes that a girl living during the war can suffer, and how all of those things - war, genocides - are stupid.

Anne Frank didn't have a happy end. In August of 1944, the Secret Annex was found and the Nazi took Anne and her family to the concentration camps, where most of her family died. But Anne is an example of faith and optimism in bad and sad situations. In her diary, she was always writing that she believed that God would save the Jews.

I totally recommend The Diary of Anne Frank for people who want to learn not about the Second World War, but how a girl survives in a house with many people, during a war, without going out or having any social life, but all the time being optimist.

"These are the thought and expressions of a young girl living under extraordinary conditions, and for this reason her diary tells us much about ourselves and about our own children. And for this reason, too, I felt how close we all are to Anne's experience, how very much involved we are in her short life and in the entire world." - Eleanor Roosevelt

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quem sou eu?









domingo, 27 de maio de 2012

Cantada

- Uma pesquisa feita em Londres mostrou que 93% das mulheres se masturbam durante o banho.
- (com cara de desconfiada, não sabia onde aquilo ia chegar) Ah, é?
- Sim, e as outras 7% restantes, cantam.
- Aaaah, interessante. (quase me virando de costas para ignorar o cara)
- Você sabe o que elas cantam???
- Não!
- Então você faz parte das 93%...



(Sim, me falaram isso numa festa, eu não consegui parar de rir por alguns minutos.)

Breaking Bad

Tem gente que não gosta de filmes com espíritos e demônios. Eu sempre disse que prefiro esses filmes sobrenaturais, que assustam com coisas que não existem, aos filmes de violência onde o ser humano é o personagem principal - mostrando coisas horrorosas que não vemos com frequência por aí, mas que sabemos que pessoas foram e são capazes de fazer.

Sou o tipo de pessoa que fecha os olhos quando sabe que está prestes a ver muito sangue ou partes do corpo humano fora de seus lugares habituais, e fiz isso várias vezes no começo dessa série, que por um pouquinho de orgulho e desafio a mim mesma, resolvi encarar e assistir até o final. Foram várias noites de insônia e algumas de pesadelos, e finalmente termino de ver a melhor série que existe.

Walter White é um professor de química mal pago e um gênio de sua área, pai de um adolescente desbocado com paralisia cerebral e casado com uma bela, alta e loira dona de casa, que está grávida novamente. Quando descobre que tem câncer de pulmão em estágio avançado, ele tem a brilhante idéia de fazer uma parceria com um ex aluno traficante, com quem produz e vende metanfetaminas para prover um futuro financeiro adequado para sua família. Sua decisão o leva para uma vida de crimes e situações extremas.

O mais incrível desse seriado é a sensação de fazer parte dele. Eu fico arrepiada, sinto o que os personagens sentem, grito, xingo e converso na frente do meu laptop ao assistir. É realmente emocionante. Indico a série para quem simpatizar com a idéia de ver uma história sobre o narcotráfico na fronteira entre o México e os Estados Unidos, que aborda abertamente o consumo de vários tipos de drogas, com muita ação, sangue, tiros, algum drama, e um enredo fantástico.

Me considero uma mulher mais forte depois de ver as quatro temporadas, após anos evitando esse tipo de entretenimento. Mas em julho, quando a quinta temporada começar, acredito que ainda vou virar a cara para algumas cenas que continuam sendo demais para a Carolina aqui.

sábado, 26 de maio de 2012

Half


A cinco minutos da minha casa tem um skate park. Gosto de ir lá às vezes, sentar na arquibancada e conversar com os amigos, vendo as pessoas praticarem seu esporte.

Nos últimos meses, montaram uma rampa nova. Aquelas beeeem curvas e altas, em formato de U. Descobri na quarta-feira quando fomos lá, havia algumas crianças andando tanto de skate quanto de patins. Como aquilo parece ser difícil!

Vi um menino gordinho subindo a escada da rampa, mas sem nada, de tênis. Ok, ele queria ver como era lá em cima, um dia eu quero fazer o mesmo. Outras crianças subiram e desceram o tempo foi passando e ele continuava lá.

De repente, vimos ele tentando descer a escada. Só que ele tentava descer de frente, ao invés de costas, como subimos, é claro que não ia dar certo. Ele falou que estava com medo, e as outras crianças começaram a provocar, dizendo para ele descer logo, fala sério, ele subiu, descer não é tão difícil.

Um menino começou a descer a escada e no meio começou a se pendurar e andar de um lado para o outro, fazendo graça, mostrando para o outro que não havia nada de mais. Mas ele voltou para a beirada da rampa, dessa vez considerando escorregar até embaixo.

Ele hesitava, e uma das pessoas que estavam ali acompanhando a cena gritou: "desce logo, menino!", ao que o menino respondeu gritando, afiadamente: "cala a boca, não é você que é gordinho!!!" O público de cerca de quinze pessoas que estavam ali começou a rir.

Não achei triste ou complicado, como a maioria das pessoas hoje em dia se sente quando vê alguém possivelmente com a auto-estima baixa. O menino sabia muito bem a causa do seu medo e insegurança, e ao invés de se fazer de machão e fingir que estava tudo bem, ou chorar e pedir ajuda, estava ali tentando descobrir como sair daquela situação em que ele se meteu - pouco se importando com a pressão dos que não sabem como é ser gordinho. Precisamos de mais crianças assim.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não há o que verificar, nada mudou em três dias. Continuo tendo você como primeiro pensamento quando acordo, e último pensamento quando vou dormir. Durante o dia você vem em pequenas doses de memória e às vezes em doses maiores, quando penso como seria se você estivesse ali comigo, naquele momento.

A distração ajuda a desviar os ataques da tristeza. Tristeza para que? Não posso ter você ao meu lado, mas cada memória viva em minha mente me faz sorrir e enche o meu coração. O que eu sinto por você me enche o coração. Tenho que me acostumar com a sua falta, e tudo ficará bem.

Nos poucos momentos que me dediquei a pensar sobre tudo isso, considerei fazer como fiz com os outros: apagar as memórias mais recentes, anular toda forma de contato e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Essa é a forma mais prática para não sofrer e tentar acabar com o sentimento. But "you are different" - and I didn't say that to any of the others.

Nada mudou em três dias e não mudará em uma semana, duas, um mês ou sei lá quanto tempo. Eu não quero que mude. Eu não faço idéia de como lidar com isso, mas o que eu sei é que por você, vale a pena tentar descobrir.

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Meu jovem coração é cheio de desejos, sonhos, planos e tudo mais. Por mais focada que eu sei que tenho que ser e sou, acho que é um mal da juventude se deixar levar por expectativas e se perder no meio de tanta vontade de fazer tudo, de conhecer tudo, de viver. Em algum momento a ingenuidade vai passar, a realidade vai chegar e colocará em segundo ou terceiro planos os desejos mais ardentes do meu ser neste momento. E, como tem que ser, vou crescendo devagar, conquistando cada coisa ao seu tempo, me perdendo vez ou outra nos meus sonhos, que por mais distantes que pareçam estar, são o que me mantém disposta a seguir em frente e fazer no presente o melhor possível para realizá-los.

domingo, 13 de maio de 2012

Exxxcitement

Dessa vez não foi difícil para dormir. Estava cansada, coloquei Coldplay para tocar bem baixinho no fone de ouvido e caí no sono rápido. Acordei com o barulho da porta e Renato Russo cantando Faroeste Caboclo. Desliguei a música, mostrei para a minha colega de quarto a lâmpada da cama - ela estava usando a luz do celular para tentar não acordar ninguém, o que foi inútil após todo o barulho de sua chegada - e dormi rápido, novamente.

Acordei cedo, disposta. Fiz tudo o que deveria fazer - eu sabia exatamente o passo-a-passo das minhas primeiras horas da manhã. Com calma, tomei banho, coloquei as lentes de contato, fiz o restante das malas que faltavam, carreguei o peso exorbitante da minha falta de noção pelas ruas. Felizmente (ou como diz o meu pai: porque você é bonita, descolada e fala francês) tive bastante ajuda.

Após tudo estar quase pronto, fui em direção ao meu primeiro momento relaxante e consciente - até ali eu estava no modo automático - no bar onde é servido o café da manhã. Peguei duas fatias de pão integral e geléia de morango, fiz um café bem forte e me sentei na mesa de um turco tagarela cujo inglês era tão complicado que nem a sua simpatia me ajudava a ter o mínimo de vontade de conversar.

Foi na hora de passar a geléia no pão que eu percebi o quanto eu tremia. Não só as minhas mãos, que eram o ponto mais notável, mas sentia arrepios, ondas percorrendo todo o meu corpo. Eu já fui muito mais tímida do que sou hoje e já passei momentos complicados de pânico e expectativa quando já perdi a voz, não conseguia raciocinar, suava, passava a noite em claro, enfim, já tive vários sintomas, mas nunca havia sentido isso na minha vida toda.

Sentada na recepção do hostel duas horas e meia depois, sinto um aperto no estômago e ainda tremo. Expectativa, entusiasmo, felicidade - muitas palavras, juntas, podem chegar perto de expressar o que eu sinto neste momento, mas não poderiam descrever com exatidão. Quantos minutos mais terei que esperar até esta porta abrir e deixar minha agitação sair, e você entrar?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tic tac

Apesar de estar completamente habituada à contagem dos dias e das horas, tem sempre algum momento em que eu acho que o tempo passa mais rápido ou mais devagar. Sei que não sou a única, mas não acredito que haja uma explicação para essa sensação de relatividade do tempo.

No começo os dias passavam lentamente. Mas o último mês simplesmente voou. É quase inacreditável que já vai fazer três meses que estou em Nice, e é triste e assustador o tic tac do relógio contando meu tempo para ir embora.

A lista de coisas que eu fiz e aprendi e as histórias são tantas, que não tenho a menor intenção de publicar nesse blog. Esses três meses dariam fácil um enorme livro cheio de coisas interessantes. Mas não tem como não citar algumas coisas extremamente importantes que me aconteceram aqui, especialmente porque um dia eu vou reler tudo isso - esse também é um dos propósitos desse blog - e a minha memória vai ser reanimada pelas impressões e sentimentos que expresso aqui.

Em Nice eu aprendi a andar a pé, a me acostumar com o barulho das ambulâncias e entender que nem sempre os velhinhos podem ter a preferência (aqui tem tantos idosos que a lei da preferência não existe, pois eles tomariam conta de todos os lugares, hahaha). Descobri que eu acho cachorros fofíssimos, mas eu não suportaria ter um (cada um dos milhares idosos tem um cachorro, eles podem entrar no ônibus, nas lojas e até nos restaurantes, e a cidade é cheeeeia de pequenos cocôs nos cantos - argh).

Eu descobri muito sobre mim, aprendi muito sobre a vida, sobre como administrar meu dinheiro (quase falhei nesse quesito, mas até que não fui tão mal), sobre o que eu quero fazer com a minha vida e com a minha graduação - não tudo, mas já tenho algumas idéias.

Sofri tanto com a saudade do Brasil e sei que ainda vou sofrer demais, de saudade daqui. A três dias de partir eu fico numa confusão de sentimentos por querer e não querer voltar. Felizmente terei uma semana em Paris e em Londres (obrigado, pais maravilhosos!) para me acostumar com um ambiente diferente, sem realmente estar de volta. Então vou finalmente aprender como ter que dizer adeus, e mergulhar de cabeça na realidade, na minha vida, na minha Brasília - onde o futuro me espera com algo a menos para dizer eu te amo.


I meant what I said

Tudo que ela queria era que seus olhos fossem uma câmera, para que ela pudesse gravar e nunca se esquecer daquele exato momento.

No meio da conversa, ele fica sério. Vira-se para ela, enquanto ela continua deitada de costas e move somente a cabeça para o fitar. Os olhos verde-azulados dele estão cheios de vasos vermelhos, e se enchem d'água quando ele começa a falar.

Ele fala em primeira pessoa, mas é exatamente tudo o que ela está sentindo. Estaria ele tentando decifrá-la? Como ele poderia ser mais exato? O coração fica apertado, ela prende a respiração...

E descobre que ele sente o mesmo. Dois pares de olhos cheios d'água.

Ele pergunta se todas aquelas páginas escritas queriam dizer aquilo, e ela confirma, para depois descobrir que não. Tudo que ela escreveu foi uma tentativa de esconder o que ele resumiu em algumas palavras.

A manhã chega e ela se pergunta se sonhou com tudo aquilo. Então os olhos verde-azulados a fitam novamente - como ele pode saber o que se passa na mente dela? - e ele confirma que quis dizer tudo o que foi dito na noite passada.