quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Denominações

A maioria de nós, seres humanos, tem a mania de denominar as pessoas por suas características.
- Nossa, a Carol estava tão mal arrumada naquela festa!
- Carol? Que Carol?
- Aquela, baixinha, do cabelão!

Essa é uma definição minha. Mas as vezes denominamos as pessoas por traços da personalidade, que identificamos em algumas situações... e eis uma história particular sobre isso.


Era uma sexta-feira e ela e um pequeno grupo de amigos (3, para ser mais exata) ficaram sabendo que haveria um show de uma banda de metal que eles gostavam, na cidade.

Compraram algumas cervejas num supermercado e foram para o local antes do horário previsto, na intenção de beber antes e entrarem no evento mais animados. Mas eles não eram os maiores especialistas em cerveja. Na verdade, todos eles tinham acabado de completar 18 anos. Chegando lá, a cerveja já estava praticamente quente.

O show serviu para mostrar ao grupo que seus gostos musicais eram muito refinados e interessantes para ficar dentro de casa, mas não para se misturar com as pessoas que também gostam (se é que vocês me entendem). Saindo de lá, resolveram afogar suas decepções num buteco conhecido pelo mau atendimento, mas que é famoso entre os universitários, PDS.

Um dos meninos do grupo encontrou alguns amigos de infância no bar e começou uma conversa longa, animada, e totalmente fora da compreensão do resto do grupo, afinal, ninguém da mesa o conheceu naquela época. O atendimento estava péssimo e a cerveja vinha de meia em meia hora. Eles estavam com fome e o bar não estava fazendo nenhum petisco.

Ao lado do bar, a salvação: uma pizzaria. Ela foi com a amiga lá. Pediu ao caixa, que anotou o pedido, cobrou, e avisou que as chamariam quando a pizza ficasse pronta. Com o estoque de paciência quase no fim, elas esperaram pacientemente, até começarem a ver que estavam chamando pessoas que foram atendidas depois delas para pegar as pizzas, e a delas não saía.

Foram questionar o atendente responsável por entregar as pizzas. Ele, num momento de iluminação, ficou radiante e disse:

- Aaaah! Vocês provavelmente são as donas dessa pizza! Já estava aqui parada há um tempo, eu já ia devolver...
- Como assim? Por que você não nos chamou?
- É porque aqui, nós chamamos a pessoa pelo nome que está no papelzinho colado na caixa pizza, só que não tinha o nome de vocês...
- Como não? Me dá o papelzinho para eu ver!

O atendente, meio sem graça, entregou a pizza, com o papelzinho colado. Onde era para ter o nome do cliente, estava escrito: "meninas mau humoradas".

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