domingo, 26 de fevereiro de 2012

Viver de imagem é uma coisa que acontece no mundo todo, mas no Brasil, na minha opinião, a "coisa é mais feia". É hipócrita quem diz que não existe um padrão, mesmo que não comunicado abertamente, para se vestir, se comportar nos vários meios sociais, para conversar, para se expressar (até para o Facebook estão criando regrinhas, pode?).

Apesar de realmente achar isso babaquice, sei que isso não mudará tão cedo, e me preocupo com a minha imagem. Não é pelo fato de ser aceita em qualquer grupo, mas pelo medo do julgamento. Eu já menti, omiti, fingi muito pelo medo de ser julgada, especialmente no meio familiar, que para mim é o mais difícil de conquistar um espaço, pois todos são muito firmes em suas opiniões e valores, dos quais eu nem sempre compartilho.

Um fato que me marcou quando eu era bem nova, foi um dia de eleições em que todos se encontraram depois na casa da minha avó. Em meio às discussões de opiniões e revelações do voto, um primo simplesmente se recusava a contar em quem ele votou. Nunca esqueci desse dia, pois vi claramente - embora não tenha certeza - o medo do julgamento. Afinal, se ele compartilhasse das mesmas opiniões que todos, não havia porque esconder nada.

A questão é que esse grande medo de julgamento que eu sempre tive - e que felizmente, está diminuindo bastante - me trouxeram problemas para me aceitar. Apesar dos meus valores serem bem liberais e eu não ver problema em várias coisas (não vou citar nada, olha aí o medo de ser julgada!), sei que a maior parte do mundo não compartilha dos mesmos valores, o que em alguns momentos me levou a questionar se eu estava certa.

Mas não adianta: se você precisa esconder quem você é, tem algum problema de aceitação envolvido. Aprendi isso quando meus pais descobriram algo sobre mim que eu tinha muito medo de revelar a todos que não compartilhassem da mesma opinião. Após uma conversa onde ficou claro para mim que apesar de eles não aprovarem por motivos óbvios, o amor deles não mudaria em nada (e senti que lááááá no fundo eles podem compreender um pouquinho a situação), o muro que me separava deles caiu, e eu passei a me aceitar.

Apesar disso, não posso e nem preciso ficar levantando bandeira dos meus valores e opiniões. Não nasci para ser revolucionária, mas também não sinto mais a necessidade de mentir quando sou questionada diretamente. 

Eu acho que a imagem é algo importante. Não escondo que vivo da minha, e que eu mesma adoto padrões para os diversos grupos sociais que frequento. Frequentemente, por causa da minha postura, surpreendo as pessoas quando exponho as minhas opiniões, mas isso vai quebrando aos poucos os preconceitos, e realmente faz algumas pessoas refletirem sobre o julgamento pela imagem.

Vejo muita gente tímida e insegura pela dificuldade em se adaptar, e não quero mais isso para mim. Sei que o medo do julgamento não vai passar completamente até que eu não deva nada a ninguém (pois dependo da minha imagem para conseguir e manter um emprego, por exemplo), eu mude de opinião (é sempre possível, sou muito nova para estabelecer verdades absolutas na minha vida), ou eu esteja em um meio onde, realmente, nada disso importe. Até lá, a auto-aceitação vai me ajudando a viver mais feliz e menos preocupada.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vida nova


Para quem não sabe, estou morando em Nice, na França, onde vou viver por 3 meses. Tenho certeza que tem gente querendo saber como estou aqui, e preciso registrar, já que a minha memoria não é muito confiável.

Faz uma semana que cheguei nessa cidade fria, mas cheia de sol. A dona da casa onde moro é uma francesa muito gentil, que cozinha bem, e que adora flores. Eu divido o quarto com uma Russa, que vai embora no próximo final de semana, e aqui também moram um casal de suíços e um italiano (que esta aqui a trabalho). Infelizmente, a casa tem uma regra que é que os banhos só podem ser tomados a noite. Minha mãe achou isso muuuuuito engraçado porque não é com ela, mas não há nada que não possa ser parcialmente resolvido com uns lenços umedecidos, né? Difícil mesmo é acordar sem um banho, mas fazer o que.

Eu tomo café da manha e janto em casa, e para o almoço, eu levo um sanduiche que faço em casa, pois é muito mais barato e mais saudável. A comida aqui na França é muito gordurosa, tem muita manteiga, e não se encontra pão integral em qualquer loja de sanduiches. Os doces daqui são absurdamente maravilhosos! Não tem como explicar. São os melhores doces que já comi na minha vida. Felizmente eu enjoo fácil porque são muito açucarados ou amanteigados.

Tenho aula de segunda a sexta de 9 as 12:15, o que me deixa muito tempo livre, que na ultima semana eu usei para sair e conhecer a cidade, todos os dias. Fui também a algumas cidades próximas daqui. Tudo é extremamente lindo! Se você eh meu amigo no Facebook, veja as fotos, vale a pena. Meu professor é meio doidinho mas muito bom, e eu aprendo muito nas aulas.

Na escola tem gente de todos os lugares do mundo, mas vários brasileiros. Eu evito as pessoas que não querem falar francês em nenhum momento. Tenho certeza que pareço meio chata, mas isso é extremamente necessário, afinal meu pai não gastou rios de dinheiro para eu praticar meu inglês aqui, ou só conhecer pessoas do Brasil.

Aqui é muito perto de Monaco e só custa 1 euro para ir la! Devo visitar o principado essa semana. Eh bem tentador pegar um trem ou avião (tem umas passagens bem baratas aqui) para viajar a Europa inteira, mas eu só devo viajar quando tiver certeza que o dinheiro vai sobrar.

Eu queria arrumar um emprego, mas bem, a Europa inteira esta em crise e a falta de emprego sai quase todos os dias no jornal (eu leio todo dia o jornal gratuito, que não é só sangue e tragédia como os do Brasil, para praticar e aumentar o vocabulário). Mas essa semana vou ao centro da juventude, tenho certeza que nem todos os franceses desempregados estão dispostos a cuidar de crianças ou lavar umas louças, melhor para mim!

Varias pessoas me falaram que tiveram ou estão tendo pesadelos, e eu acho que por não ter me recuperado totalmente do jet lag, eu estava dormindo como uma pedra e nem sonhava nada. Infelizmente eu comecei a ter pesadelos, e o dessa noite foi o pior pesadelo que tive na minha vida, serio mesmo. Espero que essa fase passe logo!

Estou aqui há uma semana, mas parece que já faz um mês! Sinto muita falta da minha família e dos meus amigos e já chorei demais, mas tenho certeza que isso vai passar quando eu me acostumar com a vida aqui. Apesar disso, estou muito, muito, muito feliz! Tenho certeza que vou aprender a falar francês (quase que) fluentemente, pois em uma semana já melhorei bastante.

Morar no exterior é uma experiência maravilhosa, que estou tendo a oportunidade de viver. Tenho certeza que vai ser muito bom para o meu crescimento pessoal e profissional. Sou extremamente agradecida a todos que me ajudaram na realização desse sonho, especialmente meus pais, que pagaram tudo, e aos meus amigos que me fizeram descobrir a agência de viagens Vou Pra Fora (um pouquinho de propaganda, afinal gostei muito deles!), e a todos da agência que sempre me ajudaram em tudo.

Missão cumprida, meu blog agora voltara ao normal, com meus pensamentos malucos de todos os dias. Infelizmente não tenho a ambição tampouco a paciência de escrever frequentemente sobre a minha viagem, mas quem é meu amigo no facebook poderá acompanhar as fotos e trocar umas idéias.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Como explicar?

Conhecer a Europa sempre foi um sonho. Alias, conhecer o mundo inteiro eh um sonho que eu tenho desde que me entendo por gente. Neste exato momento, estou sentada na minha nova cama, no meu novo quarto, que divido com uma russa, em Nice, França. Realizando um sonho.

Entao, como explicar os milhares de sentimentos que passam no meu coraçao? Como dizer que apesar de estar absolutamente feliz por estar fazendo o que eu tanto queria, eu tambem sinto tristeza e solidao? Como colocar na balança os beneficios de poucas amizades verdadeiras e varias companhias maravilhosas no Brasil, ao lado de possiveis grandes amizades do mundo inteiro, e muito mais companhias agradaveis todos os dias? Eh impossivel.

Eu nao posso dizer que tenho certeza, mas espero e confio que esses sentimentos "negativos" vao passar. Eu sei que daqui a pouco vou estar familiarizada com a cidade, vou conhecer varias pessoas legais, vou estar com a agenda cheia e saudade sera para os poucos tempos livres e um sentimento reservado praticamente so para a familia.

Por isso ao mesmo tempo que sinto um milhao de emoçoes diferentes, boas e ruins, eu tambem me sinto idiota, porque parece egoismo e falta de adaptabilidade sofrer dessa forma. Mas como convencer o coraçao que ele esta sofrendo a toa? Nessas horas eh que vejo que nao tenho absolutamente nenhum controle sobre os meus sentimentos, apesar da razao estar firme e forte aqui me chamando de fraca.

Mas enquanto a razao nao vence, vou viver meu sonho europeu, pois so assim essa saudade fdp vai passar.


(Durante os tres meses que ficarei por aqui, as postagens serao sem acento, porque eu nao faço ideia de onde eles estao neste netbook que estou usando.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando digo que sou...

Estudante de administração, estagiária, estudiosa, patricinha, whatever, cada um me vê de um jeito. Muitos, de uma forma preconceituosa. Acredito que por esse motivo a brincadeira fez tanto sucesso no Facebook: as pessoas até gostam de se rotular para expressar o que são e o que pensam, mas estão cansadas de julgamentos errados sobre qualquer um desses rótulos.

E aí vem um babaca e coloca um rótulo bem grande na ilustração. Enche de opiniões maliciosas e preconceituosas, e no quadro "como eles acham que são", faz uma representação completamente equivocada sobre o tal grupo, expressando uma idéia antiquada e deturpada sobre quem são essas pessoas de verdade, se escondendo atrás da hipocrisia gerada pela defesa da "liberdade de expressão".

Depois dessa, eu acho que opiniões burras e carregadas de preconceito deveriam ser censuradas, sim. As pessoas precisam aprender a se informar, a respeitar o próximo, deixarem de ser preconceituosas e principalmente a parar de julgar os outros.

E eu preciso parar de assinar atualizações de pessoas que acham que a moral do filme Tropa de Elite é um policial batendo em um maconheiro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sapatilha rosa

Dia desses eu sonhei que me casava. A foto não é a mais apropriada, no meu sonho, eu usava sapatilhas. Sapatilhas pink. Lembro que pensei: "tanto faz o que estou calçando, o vestido vai tampar".

Ao escrever essa postagem, lembrei que sábado fui a uma loja de sapatilhas, e encontrei exatamente a sapatilha do meu sonho, mas não liguei os fatos no momento.

Os sonhos que eu lembro estão ficando cada vez mais raros...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alterado

Infelizmente tem pessoas que eu nunca vou saber quem são de verdade. Porque o que vejo é uma personalidade alterada por uma "mente feita", o dia inteiro. O pior é quando a pessoa depende das influências, e não é ninguém sem elas...

Usar camisinha, baixar o volume após as 22h, não pegar no volante após dirigir...  O que quero dizer é: sou liberal com muitas coisas, mas acredito que até a diversão tem que ter limite, principalmente quando ela altera ou pode alterar a vida do outro, ou pior: a sua própria vida.

Não adianta pregar eternamente a tolerância e a legitimação, a mente das pessoas não vai abrir enquanto essas coisas não acontecerem.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Vai amassar minha blusa social!"

Eu ainda não tenho carteira de motorista. Por uma série de motivos, comecei o processo somente no final do ano passado, na última turma do ano. Tive que aguardar cerca de um mês entre o fim das aulas até a prova teórica, que fiz hoje.

A primeira parte do meu processo de formação foi turbulento, com direito a mal-estar durante a aula de primeiros socorros e uma crise de choro rápida, escondida no banheiro da auto-escola, o que revelou a minha fraqueza com assuntos psico-fisiológicos. Mas aprendi bastante com um professor, que também é bombeiro, muito inteligente e comunicativo, e dei boas risadas em aula.

Estou enrolando para chegar ao ponto (como sempre, achando que preciso me justificar). Eu não sei se é porque eu não consigo ver certas coisas por iniciativa própria (um acidente, uma cena de violência ou assassinato na televisão, etc) e tenho medo até da possibilidade de passar por essas situações, mas eu acho inadmissível uma pessoa se expor ao risco de dirigir sem o cinto de segurança.

As pessoas sabem que o cinto pode salvar vidas. Estudam sobre isso na auto-escola, ouvem casos e casos com essa situação, as vezes até passam por ela. Qual a justificativa para a brincadeira: "o cinto não combina com a minha roupa"? Sinceramente, não entendo.

Apesar de não entender a postura, morrer de medo e não concordar, às vezes fico calada e não peço para os colegas do carro colocarem o cinto, embora sempre reclame quando não tenho o meu. No carro de amigos, falo até eles colocarem ou ficarem chateados comigo.

Quando eu tiver o meu carro, só darei partida depois que todos estiverem seguros. Ainda faltam as aulas e a prova prática e Brasília ganhará mais uma mulher ao volante, uma garota certinha no trânsito que está aprendendo que nem todo mundo é consciente. Espero as minhas experiências e consequentes decepções com o trânsito - pois sei que ele está longe de ser como eu gostaria que fosse - não mudem minha opinião.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ansiedade nos sonhos

Daqui a exatamente um mês eu viajo, e a ansiedade começa a querer aparecer.

Hoje quando entrei no facebook, uma das primeiras postagens que curti foi de uma prima, que diz: "Sonhos, quando são bons, são ótimos! Quando não, ai que dia!!!" Mais tarde, um colega do trabalho disse que havia sonhado comigo. No sonho, eu estava precisando de ajuda e ele tentava me ajudar. Ele disse que não sabe o que era, mas lembra da angústia de ambos.

Então eu me lembrei. Esta manhã (sim, os sonhos que eu costumo lembrar acontecem pela manhã) eu sonhei que voltava da viagem que fiz para Israel, e um ônibus deixava uma companheira de viagem na casa dela, no sul do país (acho que ela mora em Porto Alegre, mas não tenho certeza). Por algum motivo, eu desci e fiquei na casa dela, pois pegaria um vôo mais tarde para Brasília.

As horas se passaram e em certo momento fui conferir o horário do meu vôo, e vi que ele não saía da cidade da minha colega, e sim do Rio de Janeiro. Entrei em desespero, repetindo que não sabia como eu tinha imaginado que o vôo sairia daquela cidade, e não sabia o que fazer, já que seria impossível chegar ao Rio antes do vôo partir. Acordei com um aperto no coração, mas aliviada.

Eu sou uma pessoa ansiosa, mas um mês de antecedência? Tenha dó, minha querida mente. Que tenha sido só hoje, porque depois desses sonhos, como diz minha prima, "ai, que dia!".

domingo, 8 de janeiro de 2012

"Agora sente aí e pense sobre o que você fez!"



Mas... e se ela não se lembra sabe exatamente o que foi que ela fez?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Acendendo as velinhas


Nesta quarta tentativa de postagem sobre o meu aniversário, chego à conclusão que o meu problema para escrever se deve ao título da postagem, pois a expressão na realidade é "apagando as velinhas". É por isso que tento colocar um título depois que já escrevi. Não me limita.

Mentira. É difícil colocar a culpa em mim mesma, que - talvez por ter idealizado demasiadamente o dia-de-completar-21-anos - simplesmente não consigo chegar a um consenso comigo mesma com relação aos fatos e reflexões sobre a data. Além disso, estou cansada dessa rasgação de seda que é o final e início de cada ano.

Foi um dia diferente, mas verdadeiramente feliz.
E que venham os nightclubs e as cervejas internacionais, porque agora posso fazer isso mundialmente! =D

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano novo

E mais uma vez, um ano acaba e outro começa, trazendo reflexões, conclusões, promessas, esperança e um pouquinho de arrependimento. O que dizer de 2011? Foi um ano de ajustes, descobertas, realizações, superação. Errei muito, mas consertei erros importantes e cresci bastante como pessoa.

O que posso esperar de 2012 além do atingimento dos meus objetivos, é que supere o ano que passou e seja melhor ainda. E que cada ano que vier seja, cada um na sua vez, o melhor ano da minha vida. =)

Feliz 2012!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Meu primeiro diário foi aos 7 anos de idade. 6 ou 7. Eu acabava de "me formar" na pré-escola, e ganhei de um tio um ursinho formando, pequenininho, com um chapéu de formatura e um diploma azuis. E um diário com um cadeado em formato de coração, rosa.

Eu sempre gostei de escrever, e apesar de reconhecer que a minha habilidade está longe de ser um dom, reconheço que me expresso relativamente bem dessa forma, às vezes acho que até melhor do que falando. Mas eu desenvolvi um pequeno problema por começar a escrever em diários tão cedo.

Não me recordo com detalhes, mas sei que eu tinha uma imaginação fértil quando criança. Eu brincava comigo mesma, criava cenários e situações em locais aparentemente simples e sem atrativos, inventava histórias para os lugares onde andava, e até tive uma amiga imaginária por um tempo.

Quando eu escrevia, levava o mundo imaginário comigo. "Estou de férias, e com saudade dos meus namorados", é uma frase do meu primeiro diário que nunca esquecerei. Obviamente não havia a menor possibilidade de eu ter namoradoS com aquela idade, eu sequer pensava nas diferenças entre meninos e meninas naquela época... mas no fantástico mundo de Carol, tudo era possível.

Vários diários fizeram parte da minha vida. Parei aos 16 anos, no ponto em que era necessário alguns cadernos de 10 matérias por ano para abrigar tanta imaginação. Uma vez, aos 13 anos, resolvi fazer um no computador. Documento de texto no Word com a data, sabe como é. E a minha imaginação me ajudou a me meter em uma enrascada...

Eu imaginei coisas que não devia, e meu pai, que me monitorava de perto (atitude nada agradável, mas não tiro a razão dele...), leu e não gostou nada daquilo. E o pior: pensou que o que eu tinha escrito era verdade. Ouvi muito de algumas pessoas, mas não aprendi a lição. Tive que dar algumas explicações durante a minha adolescência pelas coisas que escrevia.

Hoje eu não tenho mais um diário, mas ainda tenho um mundo imaginário - do qual não falo, pois pareceria pura insanidade - e descobri, essa semana, que a mania de criança ainda deixou vestígios, se aproveitando de uma pequena fraqueza: os meus sentimentos.

Quando começo a escrever sobre eles, vou para outro mundo. Viro uma pessoa neurótica, dramática, depressiva ou absurdamente alegre, dependendo da situação, em poucos segundos. Começo a escrever uma coisa aparentemente racional e prática e, quando vou ver... já escrevi um mundo de sentimentos, que dias depois que leio, não parecem realmente ser meus.

Da mesma forma que na adolescência, "viajar" na hora de escrever me trouxe alguns problemas recentes. Fico feliz de ter descoberto isso e não faço a menor idéia de como resolver esta situação. Talvez esteja na hora de deixar meu mundo imaginário... ou de parar de falar de sentimentos!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Quem me conhece sabe que eu babo com as decorações natalinas que vejo na rua, tradicionalmente como panetone no dia 01/12, e quando não morava com os meus pais, montava uma árvore, fazia ceia e enfeitava a casa toda. Fiz até um calendário de adventos para um namorado uma vez.

Eu gosto do natal comercial. Adoro o clima de felicidade o tempo todo, as pessoas se cumprimentando, sorrisos estampados no rosto.

Acontece que o ano vira, e a grande reunião da família ou dos amigos tem que esperar mais doze meses para acontecer novamente. Infelizmente, para muita gente, é só no fim do ano que toda a mágica acontece.

É por isso que este ano resolvi não participar de um amigo oculto de amigas que só vejo uma vez ao ano nem de ceias de natal para as quais fui convidada na véspera.

Para mim, quando a gente se importa, se importa o ano inteiro. Não dá para compensar a falta de contato com um presente de quarenta reais ou com uma atualização de vida que dura a noite da ceia inteira - afinal, foram 365 dias até ali, muita coisa aconteceu.

Hoje vão me achar desnaturada e vão falar mal de mim. A partir de amanhã, tudo volta ao seu lugar.

Feliz natal!

Israel - parte 3 - Jerusalém

A aproximação da cidade me fez despertar do meu sono embalado pelo movimento do ônibus. Há alguns quilômetros de Jerusalém, já era possível sentir a energia contagiante da cidade. Arrepiei.

A primeira parada na cidade foi entre a Hebrew University e a Hecht Synagogue, onde é possível ter uma vista privilegiada da cidade.

by CarolinaTorresdeCastro
by CarolinaTorresdeCastro













No início da Shehecheyanu, eu já estava chorando quase que compulsivamente. Eu e muita gente. É difícil explicar o sentimento, que começa com o arrepio dos pêlos do braço que vai até o coração, sendo impossível controlar as emoções. Além de todo o significado óbvio da cidade, eu estava realizando um sonho pessoal, ali.

by CarolinaTorresdeCastro

Partimos por um tour pela cidade velha. Há uma lei que exige que todos os prédios sejam feitos com essas pedras brancas. É tudo muito igual, e muito bonito. As ruas são estreitas e há varios becos. Acredito que seja impossível andar naquele lugar sem um bom GPS.

by CarolinaTorresdeCastroApós uma longa caminhada pela cidade, uma visita rápida a um mercado (onde finalmente encontrei o que queria: um camelo de pelúcia para a minha irmã), andamos mais um pouco entre os tijolinhos brancos e, ao chegar em um beco, o guia nos mandou fazer uma fila e fechar os olhos. Pediu que confiássemos nele e nos madrichim, que nos guiariam enquanto estivéssemos de olhos fechados. Enquanto andávamos devagar, ouvíamos um texto muito bonito sobre paraquedistas (postarei aqui depois o texto, se eu encontrar. vale a pena, mas não é o foco da postagem).

Paramos. O guia colocou uma música. Já estávamos impacientes com o climão que estava sendo criado, quando ele nos mandou abrir os olhos, e a intensidade do choro compulsivo aumentou e alcançou mais pessoas.

Na saída daquele beco cujo acesso suponho ser restrito a bons conhecedores da região, a vista mais bonita de toda a minha vida: Kotel, o Muro das Lamentações.

by CarolinaTorresdeCastro 2011
Kotel (Muro das Lamentações), Jerusalém

O que nos convenceu a engolir o choro e sair dali, após pelo menos 15 minutos de um silêncio quebrado apenas pelos soluços e sons de narizes sendo assoados foi que dali iríamos descer para efetivamente conhecer, chegar perto, tocar o muro.

O que senti foi inexplicável. Chorei muito, me fechei, vivi aquele momento sozinha com a minha espiritualidade. Como minha ficha só cai no quando estou no meu lugar de destino, durante as viagens, eu não havia levado um bilhete pronto para colocar no muro. O improviso do bilhete me fez esquecer seu conteúdo, mas sei que o realizar dos meus sonhos já está sendo planejado por D'us. Naquele momento um dos maiores já estava sendo realizado, e foi difícil pensar em algo para escrever.

Tivemos bastante tempo livre para aproveitar o Kotel. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. O local mais bonito que já vi, a energia das lamentações de gerações, o significado pessoal daquele lugar, tudo isso me conduziu a um estado de êxtase extraordinário.

Tendo terminado nosso tempo ali, fomos para o hotel Jerusalem Gold, onde pudemos descansar por algumas horas. Fomos levados pelo ônibus ao Kotel, onde aguardamos a chegada, e em seguida celebramos o Shabat.

Por motivos claros eu não tenho nenhuma foto do coral de soldados ou dos ortodoxos presentes no local. Foi lindo, mas passamos somente o tempo necessário lá. A caminhada (pelos mesmos motivos) na volta até o hotel durou quase duas horas.

Não me lembrava da última vez em que senti minha alma tão lavada quanto naquele dia. Dormi absolutamente em paz naquele Shabat.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mudança à frente

Depois de vários posts de rascunho com desabafos incompletos, cheguei à conclusão que eu só posso estar no meu inferno astral. Aquele mês anterior ao seu aniversário, quando tudo sai do eixo, sabe? É o que dizem. Não sei se acredito, mas é a única coisa que pode explicar as crises que estou tendo nas últimas semanas.

Mas com intervenção ou não dos astros, o fato é que as crises que passamos não podem ser definidas apenas pelo desconsolo, o choro fácil e pelas mudanças abruptas de humor que nos afetam.

Na superfície ou no lá no fundo da nossa mente, a crise trabalha nossos conceitos, atitudes e valores. O sentimento de inconformismo com a vida não é culpa dos problemas familiares, das pessoas complicadas com quem convivemos, do dia estressante, da desilusão com as pessoas ou de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Passamos por essas situações quase todos os dias sem nos descabelar.

Como o movimento das placas tectônicas no planeta, que na maioria das vezes é imperceptível, mas que vez ou outra gera um tsunami ou um terremoto, as crises existenciais são os desastres naturais da vida emocional que sugerem mudanças, um terremoto necessário para nos ajustarmos a nós mesmos.


E depois que passa (sim, passa!), é só olhar para trás e comparar quem era você antes da crise com quem você é hoje. Cada lágrima derramada e cada momento de confusão será muito bem justificado e explicado, você se sentirá muito bem consigo mesmo e com o mundo, e tudo dará certo... até a próxima crise.

Só desejo que elas não sejam constantes. E que não demorem até o meu próximo inferno astral!